Novo teste de câncer de ovário pode detectar a doença precocemente
Pesquisadores da Universidade de Pequim, na China, identificaram sete moléculas encontradas no fluido uterino de mulheres com câncer de ovário. Essa descoberta pode auxiliar no diagnóstico precoce da doença.
Segundo especialistas, o teste ainda está em estágio preliminar e não possui aplicação clínica, no entanto, apresentou resultados promissores.
O câncer de ovário é o oitavo câncer mais incidente em mulheres.
Estimativas do Inca (Instituto Nacional do Câncer) apontam 7.310 novos casos por ano no Brasil.
Esse tipo de tumor também é o mais mortal, com uma taxa de sobrevida em cinco anos variando de 35% a 40%, justamente porque a doença é frequentemente descoberta em estágio avançado.
O teste desenvolvido pelos pesquisadores chineses consiste em procurar por proteínas alteradas que são produzidas pelos genes BRCA1 e BRCA2, que estão na tuba uterina e estão relacionadas a esse tipo de tumor.
Como o teste foi criado
Para desenvolver o teste, os pesquisadores chineses coletaram fluido uterino de 219 mulheres com câncer, incluindo aquelas com câncer de ovário em estágio inicial, câncer de ovário em estágio avançado, tumores benignos de ovário e câncer de endométrio.
Esse fluido uterino contém células e produtos metabólitos, ou seja, moléculas, provenientes dos ovários e das tubas uterinas.
Os pesquisadores examinaram o fluido uterino de 96 mulheres para procurar quais metabólitos estavam em níveis distintos naquelas com câncer de ovário em estágio inicial.
Eles identificaram um grupo de sete metabólitos, incluindo os aminoácidos tirosina e fenilalanina, que poderiam ser usados para o diagnóstico.
Em seguida, eles testaram os fluidos das 123 mulheres restantes para esses sete metabólitos e realizaram o teste de marcador tumoral CA125 nelas.
O novo teste identificou com precisão a maioria das pessoas com câncer de ovário em estágio inicial e teve um desempenho muito melhor do que o teste CA125 no diagnóstico de câncer de ovário em estágio inicial.
"São dados preliminares, não se trata de um estudo clínico definitivo, mas gera uma hipótese promissora", diz a médica oncologista e membro do Comitê de Tumores Ginecológicos da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), Angélica Nogueira Rodrigues.
O secretário da Comissão Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), Jesus Paula Carvalho, diz que o estudo mostrou que o caminho escolhido pelos pesquisadores é um caminho viável.
"Mas, ainda é preciso saber se é viável aplicar esse método na população geral. Há a dificuldade logística de coletar fluido uterino das mulheres, quando o câncer está se desenvolvendo, e analisar esse fluido no laboratório", afirma Carvalho, que é especializado em ginecologia oncológica.
Diagnóstico difícil
Segundo o ginecologista, a redução de mortes por câncer de ovário é um grande desafio para a medicina. Inovações tecnológicas que poderiam permitir detecção precoce da doença, como exames de ultrassom que surgiram na década de 1970, ou a descoberta de marcadores tumorais (substâncias encontradas no sangue que indicam presença de tumores), ou até mesmo estratégias de detecção que combinavam os dois métodos não impactaram na redução do número de mortes por câncer de ovário na população geral.
"Até que na virada do milênio, a comunidade médica e cientistas começaram a se perguntar: se a gente procura o câncer de ovário no ovário de todas as formas possíveis e só o encontramos em estado avançado, tem alguma coisa errada. Foi nessa época também que descobrimos que mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão relacionadas a tumores no ovário", conta Carvalho.
O médico explica que até 50% das mulheres que têm mutações nesses genes irão desenvolver a doença.
"Nós podemos identificar essas mulheres. Geralmente, há histórico de casos na família e, então, fazemos o teste genético. Havendo mutação deletéria, a recomendação é a retirada precoce (a partir dos 35 anos de idade) dos ovários e das tubas uterinas", diz.
A análise dos ovários e tubas uterinas dessas mulheres demonstrou tumores microscópicos nas tubas uterinas. "Percebeu-se que o câncer de ovário começa, na verdade, nas fímbrias, que é a parte da ponta das tubas uterinas. Quando a mulher ovula, forma-se uma espécie de ferida no ovário e a tuba, ao captar o óvulo, deixa ali no ovário algumas de suas células. São elas que causam o câncer e isso mudou totalmente a maneira de interpretar o câncer ovário", explica.
Mas como encontrar uma lesão microscópica em um órgão tão delicado quanto as tubas uterinas, que se encontram no interior da pelve?
"Tivemos que pensar em outras estratégias. Começamos a pensar: por que não tentamos achar a célula que está descamando lá na tuba e descendo pelo útero, colo do útero e chega na vagina e ver se ela é maligna ou não? Isso foi uma ideia, só que são poucas as células que estão descamando lá na tuba e é uma mera sorte você conseguir encontrá-la na vagina. O papanicolau, por exemplo, não consegue detectar câncer de ovário porque a célula que chega na vagina já se rompeu, então não dá. Mas, se não dá pra ver a célula, talvez a gente possa ver o DNA da célula", diz.
Em 2013, Carvalho participou de um estudo com demais pesquisadores da USPme da Universidade Johns Hopkins, dos EUA, em que coletava o material na vagina e procurava por DNA alterado, que foi chamado de papanicolau do ovário.
"O estudo provou que é possível identificar as mulheres com câncer através de um painel de 22 genes alterados, mas que não é prático. Procurar por genes em células que saem na vagina é um processo muito complexo e caro", continua.
Sintomas
O câncer de ovário, na fase inicial, não causa sintomas específicos e, como ainda não há uma estratégia eficaz de rastreamento precoce da doença na população geral, a doença geralmente é diagnosticada tardiamente, quando já está em estágio avançado.
À medida que o tumor cresce, pode causar pressão, dor ou inchaço no abdômen, pelve, costas ou pernas, náusea, indigestão, gases, prisão de ventre, diarreia, falta de apetite, desejo de urinar com mais frequência, cansaço constante ou massa palpável no abdome.
Os sintomas que costumam levar as pacientes ao consultório são inchaço na barriga, sensação de plenitude ao se alimentar e alterações dos hábitos do intestino ou da urina. Então, são sintomas muito inespecíficos. Angélica Nogueira Rodrigues, médica oncologista da SBOCDiante da suspeita do câncer de ovário, o médico poderá pedir exame de sangue específico para identificação do marcador tumoral chamado CA125 e ultrassonografia transvaginal. Baseados nos resultados destes testes, poderá ser indicada biópsia do tecido ovariano.
Diversas modalidades de tratamento são oferecidas a pacientes com câncer de ovário: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Normalmente o tratamento do câncer do ovário é multimodal, ou seja, combina as diversas modalidades de tratamento.
A cirurgia que retira útero, tubas uterinas e ovários é indicada para mulheres que têm alto risco confirmado de ter a doença, é denominada cirurgia redutora de risco.
Fatores de risco
Segundo o Inca, fatores de que aumentam o risco de desenvolver câncer de ovário são:
- Idade - A incidência de carcinoma de ovário aumenta com o avanço da idade.
- Fatores reprodutivos e hormonais - O risco de câncer de ovário é aumentado em mulheres com infertilidade e reduzido naquelas que tomam contraceptivos orais (pílula anticoncepcional) ou que tiveram vários filhos. Por outro lado, mulheres que nunca tiveram filhos parecem ter risco aumentado para câncer de ovário. A incidência de câncer de ovário é maior nas mulheres que mais ovulam.
- Atividade hormonal - A menarca (primeira menstruação) precoce, ou seja, antes dos 12 anos, e a idade tardia na menopausa, após os 52 anos, podem estar associadas a risco aumentado de câncer de ovário.
- A infertilidade é fator de risco para o câncer de ovário, mas a indução da ovulação para o tratamento da infertilidade não parece aumentar o risco de desenvolver a doença.
- O risco de câncer de ovário com terapia hormonal pós-menopausa aparenta ser pequeno.
- História familiar - Histórico familiar de cânceres de ovário, colorretal e de mama está associado a risco aumentado de câncer de ovário.
- Fatores genéticos - Mutações em genes, como BRCA1 e BRCA2, estão relacionadas a risco elevado de câncer de mama e de ovário. Existem pelo menos outros 12 genes implicados com aumento na incidência de câncer de ovário, em menor monta.
- Excesso de gordura corporal - Aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de ovário.
Fonte: UOL Viva Bem
- Câncer de pele: Uma doença que cresce no Brasil
- Carreta de Mamografia oferece 700 exames gratuitos para mulheres atendidas pelo SUS; saiba como agendar
- Conheça a protonterapia, a novíssima forma de radioterapia contra o câncer
- Mulheres com câncer de mama avançado acumulam dívidas e desafios no tratamento
- Câncer de pâncreas: mais comum que antes, entenda por que ele é desafiador
- Biópsia líquida avalia eficácia de tratamento em câncer de mama
- Por que homens podem desenvolver subtipo mais grave de câncer de sangue
- Os sinais discretos que podem esconder câncer de intestino
- Como a oncologia avançou em 2025 e o que podemos esperar para 2026
- Vape e câncer de pulmão: o que a ciência já sabe da relação
- Guia orienta sobre mudança no rastreamento do câncer de colo do útero
- Carretas de Mamografia iniciam 2026 com ampliação da faixa etária para rastreio do câncer de mama
- O que muda no corpo com sol excessivo e exageros
- IA brasileira analisa câncer de mama em tempo real durante cirurgia
- Brasil é protagonista mundial em cirurgia do câncer
- Alta de câncer de pele em áreas esquecidas do corpo acende alerta
- Biópsia líquida avança como ferramenta para detectar mutações em câncer de pulmão
- Câncer de bexiga: Unicamp descobre pistas em tumores que podem explicar por que tratamento falha em metade dos casos
- Hospital das Clínicas de São Paulo promove campanha de prevenção ao câncer de pele
- Com o verão chegando, esses são os cuidados mais importante com a sua saúde
- Verão intensifica exposição ao sol e aumenta alerta para o câncer de pele
- Câncer de pele: confira orientações, sintomas e mitos sobre a doença
- Acesso à fisioterapia após cirurgia para câncer de mama vira lei; saiba por que isso é essencial
- Dezembro Laranja: 5 informações importantes sobre o câncer de pele
- Medicamento de alta precisão para câncer de mama chega ao SUS
- Dezembro Laranja no ICS: prevenção e cuidado integral no combate ao câncer de pele
- Por que millenials estão tendo câncer cada vez mais cedo?
- Inovações ampliam arsenal no cuidado com o câncer de próstata
- Mais de 60% dos casos de câncer colorretal no Brasil são diagnosticados em estágios avançados, diz novo estudo
- Estado nutricional ajuda a prolongar vida de pacientes com câncer: Revela estudo nos casos de câncer de cabeça e pescoço
- Espiritualidade ajuda no bem-estar de mulheres durante tratamento de câncer de mama
- Colesterol além do coração: estudo mostra impacto direto no avanço do câncer de mama e resistência ao tratamento
- Por que os casos de câncer de tireoide estão aumentando em todo o mundo?
- Nova IA cruza imagens e dados clínicos para detectar câncer com 94,5% de precisão
- Inca ganha primeiro centro de treinamento em cirurgia robótica do SUS
- Genética e prevenção: ampliar o olhar sobre o câncer de próstata
- Saúde da próstata: conheça mitos e verdades sobre o câncer no órgão
- Dispositivo científico pode aprimorar o rastreamento do câncer de pulmão
- Por que a incidência de câncer entre jovens adultos está aumentando?
- Novembro Azul: campanha de prevenção ao câncer de próstata estimula olhar geral para a saúde masculina
- Câncer de próstata entra em nova era: robôs, testes genéticos e novas drogas mudam o tratamento e minimizam chance de impotência
- Câncer de próstata: atendimento aumenta 32% em homens com até 49 anos
- 5 coisas que seu médico gostaria que você soubesse sobre câncer de próstata
- Novembro Azul: prevenção é essencial para a saúde do homem
- Entenda como o imposto do tabaco pode financiar o cuidado em câncer de pulmão
- Sírio-Libanês anuncia protocolo rápido de ressonância para câncer de mama
- Diagnóstico precoce reduz em três vezes o custo para tratar câncer de mama
- Novas terapias apresentam dados positivos para tratamento de câncer de pulmão
- Diferença na sobrevida por câncer de mama chega a 16 pontos entre SUS e rede privada
- Câncer de bexiga: novo exame permite personalizar melhor o tratamento
- Outubro Rosa além do câncer de mama: por que prevenir HPV é tão importante
- Câncer de mama não é tudo igual: entenda os subtipos
- No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, Ministério das Mulheres reforça medidas de prevenção e detecção precoce
- Agora Tem Especialistas lança novas carretas da saúde da mulher com oferta de exames e diagnóstico de câncer para quatro estados
- Outubro rosa: câncer de mama se manifesta em mulheres cada vez mais jovens
- Outubro rosa: as 7 frases que você deve evitar falar para uma pessoa com câncer de mama, segundo psicanalista
- Novo remédio para câncer de mama chega no SUS
- Câncer de mama: mamografia é o principal exame?
- Outubro Rosa: mulheres pedem mais prevenção e tratamento contra câncer de mama
- Apenas 29% das brasileiras têm informações suficientes para prevenção do câncer de mama
- Combinação de computação quântica e clássica apoia diagnóstico precoce de câncer de mama
- Câncer: conheça a inovação em radioterapia que precisa chegar ao SUS
- Câncer de mama não é tudo igual: mastologista explica as diferenças
- Sou oncologista. Aqui estão alguns sintomas comuns de câncer que você precisa conhecer
- Ministério da Saúde passa a recomendar mamografia a partir dos 40 anos
- ANVISA aprova mirvetuximabe soravtansina para o tratamento de câncer de ovário resistente à platina em pacientes que receberam de uma a três terapias sistêmicas anteriores
- Câncer de pâncreas: fator-chave no estilo de vida está ligado à doença, diz novo estudo
- Agosto Branco vira lei e terá ações anuais contra o câncer de pulmão
- Pacientes do SUS esperam, em média, mais de um mês além do prazo para diagnóstico e tratamento do câncer
- O discurso emocionante de Jessie J sobre tratamento de câncer no The Town
- Avanços no tratamento ampliam perspectivas para pacientes com câncer de pulmão
- Exame inovador para câncer de colo de útero começa a ser adotado em Ribeirão Preto em parceria com a USP
- Aprovado projeto que inclui testes genéticos contra câncer no SUS
- Pesquisa brasileira descobre por que alguns tipos de câncer de mama não respondem a tratamentos
- Setembro Verde: Síndrome de Lynch aumenta o risco de desenvolver câncer colorretal
- Mais qualidade de vida: o que promete remédio aprovado para câncer cerebral
- Comissão aprova prioridade de telemedicina para pessoas com câncer
- Exercícios físicos reduzem crescimento de células de câncer de mama após uma única sessão
- Câncer de pulmão: 15% dos casos acontecem em não fumantes
- Câncer renal deve crescer quase 80% no Brasil e na América Latina até 2050
- O tratamento mais inovador contra o câncer de bexiga
- SUS começa a oferecer teste que prevê risco de câncer do colo do útero
- Projeto em Goiás reduz pela metade os diagnósticos graves de câncer de mama
- Pesquisadora estuda DNA das brasileiras para compreender câncer de mama
- Câncer de intestino cresce entre jovens adultos e acende alerta global
- Entenda o tratamento de jovem com câncer provocado por vape aos 27
- Apesar de aprovado, tratamento do câncer de mama metastático continua inacessível no SUS
- Pesquisas clínicas para câncer: o que são e como participar
- Câncer colorretal em jovens e idosos: o mesmo nome para duas doenças?
- Poluição pode causar câncer de pulmão?
- Vacinas contra câncer: veja quais estão sendo testadas e o que esperar
- Estudo confirma que rastrear câncer de pulmão no Brasil é possível
- Terapia neoadjuvante em pacientes com câncer de pulmão operável: como conduzir o tratamento
- Câncer colorretal, como o de Preta Gil, cresce entre pessoas com menos de 50 anos; conheça sintomas
- Julho Roxo: alerta para o câncer de bexiga
- Terapia celular contra câncer, que Padilha quer no SUS, pode custar R$ 3 milhões a um único paciente
- O que é câncer de pâncreas, que acometeu Edu Guedes; conheça sintomas e tratamentos
- Brasil registra 39 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano
- Poluição do ar contribui para câncer de pulmão mesmo em quem nunca fumou
- Por que os casos de câncer aumentam entre os mais jovens