Novidades no tratamento do câncer de pele basocelular e espinocelular
Muitas pesquisas sobre câncer de pele basocelular e espinocelular estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços em prevenção, diagnóstico e tratamentos. Confira alguns deles.
- Pesquisa básica
Os pesquisadores fizeram grandes progressos nos últimos anos ao entender como a luz ultravioleta (UV) danifica o DNA das células normais da pele, tornando-as células cancerígenas. Atualmente, eles estão trabalhando para aplicar essas informações em estratégias de prevenção e tratamento do câncer de pele.
- Educação
A maioria dos casos de câncer de pele pode ser evitada. A melhor maneira de reduzir o número de casos da doença, a dor e a perda de vidas é educar a população sobre os fatores de risco, prevenção e detecção precoce do câncer de pele. É importante que os profissionais de saúde e os ex-pacientes lembrem a todos sobre os perigos do excesso de exposição aos raios ultravioleta provenientes do sol e de fontes artificiais, e sobre como pode ser fácil se proteger contra o excesso de radiações ultravioleta.
O câncer de pele pode, muitas vezes, ser diagnosticado precocemente, quando tem mais probabilidade de cura. O autoexame mensal da pele e a conscientização sobre os sinais de alerta do câncer de pele podem ser úteis para o diagnóstico num estágio inicial quando a cura ainda é possível.
- Prevenção do câncer de pele genital
O carcinoma espinocelular que se inicia na região genital é responsável por quase metade das mortes por esse tipo de câncer de pele. Muitos desses cânceres estão relacionados à infecção por certos tipos de vírus do papiloma humano (HPV). Limitar o número de parceiros sexuais e adotar práticas de sexo seguro podem diminuir o risco da doença.
Existem vacinas que já estão disponíveis para ajudar a proteger contra a infecção de alguns tipos de HPV. A principal intenção dessas vacinas é reduzir o risco de câncer do colo do útero, mas também podem diminuir o risco de outros tipos de câncer relacionados ao HPV, incluindo alguns cânceres de pele espinocelulares.
- Quimioprevenção
A quimioprevenção consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de câncer. É provável, que a quimioprevenção seja mais útil para pacientes com alto risco de câncer de pele, como aquelas com certas condições genéticas (síndrome do nevo basocelular, xeroderma pigmentoso, entre outras), histórico de câncer de pele e aquelas que receberam transplantes de órgãos.
Os medicamentos mais estudados até agora são os retinóides, que estão relacionados à vitamina A. Eles têm se mostrado promissores na redução do risco de câncer espinocelular, mas podem apresentar efeitos colaterais, incluindo defeitos congênitos. Por esta razão, neste momento, não são amplamente utilizados. Mais estudos com retinóides estão em andamento.
Nicotinamida. Uma forma de vitamina B3 mostrou reduzir o risco do câncer basocelular e espinocelular em pacientes de alto risco, e com muito poucos efeitos colaterais, embora não tenha sido estudada extensivamente em pacientes com sistema imunológico enfraquecido.
As terapias alvo denominadas inibidores da via de Hedgehog, podem ajudar alguns pacientes com síndrome do nevo basocelular. Por exemplo, o vismodegibe mostrou reduzir o número de novos casos de cânceres basocelulares, além de diminuir os tumores existentes em pacientes com essa síndrome. Esse medicamento pode apresentar alguns efeitos colaterais, como perda do paladar e cãibras musculares. Mais pesquisas sobre esses e outros medicamentos similares estão em andamento.
Outros medicamentos também estão sendo estudados para reduzir o risco de câncer de pele basocelular e espinocelular em pessoas de alto risco.
Detecção precoce e diagnóstico
- Aplicativos para celulares
Recentemente, muitos aplicativos para celulares foram desenvolvidos com a promessa de identificar cânceres de pele. Os avanços recentes da inteligência artificial (IA) tornaram esses aplicativos mais eficazes na identificação de áreas preocupantes da pele que precisam ser examinadas por um médico.
Embora essas ferramentas possam eventualmente serem úteis, ainda não está claro o quão precisas elas são, portanto, mais pesquisas são necessárias antes que seja recomendada na prática por especialistas. Por enquanto, é importante que qualquer área suspeita da pele seja examinada por um médico.
- Espectroscópicos para diagnóstico
Alguns dispositivos portáteis recentes ajudam os médicos a ter uma ideia se uma área anormal na pele tem probabilidade de ser câncer, sem a necessidade de removê-la. Esse tipo de dispositivos pode ser útil para uma triagem inicial, antes do paciente ser encaminhado para um dermatologista.
Esse dispositivo quando colocado sobre a pele, emite partículas de luz ou sinais elétricos, que refletem nas células da pele e são detectados pelo equipamento, onde os padrões de sinais das células cancerígenas tendem a ser diferentes dos das células normais. O dispositivo pode analisar o padrão proveniente da área e informar ao profissional de saúde se há probabilidade de ser câncer e, portanto, a necessidade de encaminhamento ao dermatologista e de exames adicionais.
- Biópsia óptica
Algumas abordagens recentes para o diagnóstico do câncer de pele não exigem a remoção de uma amostra de pele. Por exemplo, na microscopia confocal de reflectância, um laser de baixa potência é direcionado à área suspeita. A luz do laser penetra nas camadas superiores da pele e reflete nas estruturas ali presentes. Um microscópio especial detecta a luz refletida, criando uma imagem tridimensional detalhada da área. Isso ajuda o médico a determinar se a área precisa ser removida.
- Biomarcadores
Embora não seja comum o câncer de células basocelular ou espinocelular se dissemine, esses cânceres podem ser difíceis de serem tratados se isso ocorrer. Atualmente, os médicos estão pesquisando melhores formas de determinar quais cânceres de pele têm probabilidade de crescer e se disseminar mais rapidamente e, portanto, podem precisar de um tratamento mais intenso.
Uma maneira de fazer isso é testar as células cancerígenas em busca de determinados biomarcadores, que são alterações genéticas ou proteicas dentro das células que ajudar a determinar se um tumor tem maior probabilidade de crescer e se disseminar. Algumas pesquisas estão avaliando a atividade de vários genes simultaneamente, conhecido como perfil de expressão gênica, para verificar se esses padrões ajudam a prever o risco. Outros estudos estão analisando biomarcadores individuais. Por exemplo, algumas pesquisas mostraram que o câncer de pele espinocelular parece ter maior probabilidade de se disseminar se as células apresentarem níveis mais altos da proteína PD-L1 ou níveis mais baixos da proteína INPP5A.
Tratamento
- Tratamentos locais
Os tratamentos locais atuais, como cirurgia e radioterapia, respondem bem para a maioria dos cânceres de pele basocelular e espinocelular. Ainda assim, alguns cânceres pequenos podem ser difíceis de tratar se estiverem localizados em áreas de difícil acesso. Novas formas de tratamento não cirúrgicas, como novos medicamentos tópicos, terapia fotodinâmica e cirurgia a laser podem reduzir cicatrizes e outros possíveis efeitos colaterais do tratamento.
- Tratamento da doença avançada
A maioria dos cânceres de pele é diagnosticada e tratada em estágio inicial, quando há mais probabilidade de cura, mas alguns podem se disseminar para outros órgãos. Esses tumores podem ser difíceis de serem tratados com as terapias atuais, como radioterapia e quimioterapia.
Câncer espinocelular. Vários estudos estão testando novas terapias-alvo para câncer de pele espinocelular avançado. Por exemplo, as células cancerígenas, muitas vezes, têm em sua superfície a proteína EGFR, que pode ajudá-las a crescer. Os medicamentos que têm como alvo essa proteína, como o cetuximabe, estão em fase de testes em estudos clínicos, tanto isoladamente quanto em combinação com outros tratamentos.
Imunoterapia. É outra abordagem recente para o tratamento de alguns cânceres espinocelulares avançados. Os inibidores do controle imunológico são uma opção para o tratamento para alguns desses tipos de câncer.
Câncer basocelular. É muito raro os cânceres basocelulares alcançarem um estágio avançado, mas quando o fazem, esses cânceres podem ser difíceis de serem tratados. O vismodegibe e o sonidegibe, medicamentos que têm como alvo a via Hedgehog, podem ajudar alguns pacientes. Outros medicamentos que atuam nessa via também estão sendo estudados.
Os medicamentos imunoterápicos, denominados inibidores do ponto de controle imunológico, também, são uma opção para o tratamento desses tipos de câncer.
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 31/10/2023, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia.