Novidades no tratamento do câncer de testículo
Muitas pesquisas sobre câncer de testículo estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços nas causas da doença, como preveni-la precocemente e como aprimorar o tratamento. Confira alguns deles.
- Biomarcadores para detecção precoce
Os médicos utilizam os exames de sangue para diagnosticar o câncer de testículo, mas os marcadores usuais (AFP, HCG, LDH) nem sempre respondem satisfatoriamente. Dessa forma, os pesquisadores estão avaliando novos biomarcadores para tornar o diagnóstico mais preciso. Um dos mais promissores é o microRNA-371a-3p (miR-371a-3p), uma pequena molécula no sangue que pode ser mais eficaz na detecção do câncer. Os pesquisadores também estão estudando o DNA tumoral circulante (ctDNA) e os exossomos (pequenas partículas liberadas pelas células) para verificar se eles podem detectar a doença precocemente e monitorar a progressão do tratamento.
- Pesquisa genômica
O câncer de testículo ocorre quando determinados genes sofrem mutação e fazem com que as células cresçam descontroladamente. Os pesquisadores já detectaram que as alterações genéticas no KIT e no KRAS ajudam os tumores a crescer. E que alterações no TP53 e CCND1 podem dificultar o tratamento do câncer. Muitos tumores de testículos têm cópias extras do cromossomo 12p, que desempenha um papel importante no crescimento do câncer. Os pesquisadores também estão estudando as células-tronco cancerígenas que podem ajudar os tumores a sobreviver à quimioterapia. Uma melhor compreensão sobre essas células pode levar a melhores tratamentos e a um menor risco de recidiva da doença.
- Imunoterapia e terapia-alvo
Para o câncer de testículo que não responde ao tratamento ou recidiva, os pesquisadores estão avaliando os inibidores de ponto de controle imunológico, os inibidores de PD-1/PD-L1, que são medicamentos que ajudam o sistema imunológico a combater o câncer. Outro tratamento possível é a terapia com células CAR-T, que altera as próprias células imunológicas do paciente para atacar as células cancerígenas. Essa abordagem ainda está em fase inicial de pesquisa, mas pode oferecer uma nova esperança para os casos difíceis de serem tratados.
- Quimioterapia
Os pesquisadores estão trabalhando para tornar a quimioterapia mais segura, mantendo-a eficaz. O tratamento com cisplatina responde bem, mas pode provocar efeitos colaterais importantes, como perda auditiva e problemas renais. Dessa forma, os pesquisadores estão avaliando novas combinações de medicamentos para reduzir esses riscos. Os médicos também estão estudando una terapia escalonada, ou seja, o uso de doses mais baixas de quimioterapia para verificar se é possível curar a doença e reduzir os problemas de saúde a longo prazo.
- Fertilidade
Como os tratamentos para o câncer de testículo podem afetar a fertilidade, recomenda-se a coleta de esperma antes de iniciar o tratamento. Os pesquisadores também estão avaliando a terapia com células-tronco para verificar se ela pode ser útil na fertilidade no futuro.
- Sobrevida
Após o tratamento, alguns pacientes enfrentam desafios de saúde, como problemas cardíacos, cânceres secundários ou problemas de saúde mental. Existem pesquisas em andamento focadas em ajudar os pacientes a terem uma maior sobrevida e saudáveis.
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 10/08/2025, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia para pacientes e familiares brasileiros.