Novidades no tratamento do câncer de pele melanoma
Muitas pesquisas sobre melanoma estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços sobre causas, prevenção, diagnóstico e tratamentos. Confira alguns deles.
Causas e prevenção
- Luz solar e radiação ultravioleta
Algumas pesquisas sugerem que existem duas formas principais pelas quais a exposição à radiação ultravioleta está relacionada ao melanoma, mas é provável que haja algum tipo de sobreposição.
A primeira é a exposição ao sol enquanto criança e adolescente. Os pacientes com melanoma geralmente têm um histórico pessoal de queimaduras solares ou outras exposições solares intensas. Essa exposição precoce ao sol pode causar alterações nas células da pele (melanócitos), que anos depois podem se tornar células de melanoma. Isso pode explicar por que os melanomas ocorrem frequentemente nas pernas e tronco, áreas que geralmente não são expostas ao sol na fase adulta.
A segunda teoria é para melanomas que ocorrem nos braços, rosto e pescoço. Essas áreas estão cronicamente expostas ao sol.
Os pesquisadores estão estudando se os melanomas que se desenvolvem a partir desses tipos de exposição aos raios ultravioleta (UV) provocam alterações genéticas diferentes, de modo a exigir que sejam tratados de forma diferente.
- Educação
A maioria dos casos de câncer de pele pode ser prevenida. A melhor maneira de reduzir o número de casos de câncer de pele é educar a população, especialmente os pais, sobre os fatores de risco e sinais de alerta. É importante que os profissionais de saúde e ex-pacientes lembrem a todos sobre os perigos do excesso de exposição aos raios ultravioleta, provenientes do sol e de fontes artificiais, e sobre as maneiras de proteger a pele à radiação ultravioleta.
O melanoma deve ser diagnosticado no início, quando as chances de cura são maiores. O autoexame da pele mensalmente e a conscientização sobre os sinais de alerta são importantes para diagnosticar a maioria dos melanomas em estágio inicial, quando eles são curáveis.
- Pesquisa genética do melanoma
Os pesquisadores já têm um melhor entendimento de como algumas alterações no DNA modificam as células normais da pele tornando-as cancerígenas.
Algumas pessoas podem herdam uma mutação genética que aumenta o risco de desenvolver melanoma. Por exemplo, alterações no gene CDKN2A (p16) provocam melanomas em determinadas famílias. As pessoas que têm um forte histórico familiar de melanoma devem conversar com um médico para discutir os possíveis benefícios, limitações e desvantagens dos exames para a detecção de alterações nesse gene, que podem aumentar o risco de melanoma.
Os pesquisadores também estão avaliando outras alterações genéticas, ou mesmo padrões de alterações genéticas, em células de melanoma para entender como elas se desenvolvem e a melhor forma de tratá-las. Por exemplo:
- Células de melanoma com certas alterações genéticas podem ter maior probabilidade de se disseminar e, portanto, podem precisar de testes ou tratamento mais intensivos.
- Algumas alterações genéticas aumentam a probabilidade de o câncer responder a determinados tratamentos, como terapias-alvo ou imunoterapia.
Diagnóstico
- Detecção precoce
O melanoma geralmente pode ser diagnosticado precocemente, quando existe maior probabilidade de cura. Autoexames mensais da pele e a conscientização sobre os possíveis sinais de alerta podem ser úteis para o diagnóstico da maioria dos melanomas em um estágio inicial e curável.
- Aplicativos para celulares
Recentemente, muitos aplicativos para celulares foram desenvolvidos com a promessa de identificar tumores de pele, incluindo melanomas. Os avanços recentes da inteligência artificial (IA) tornaram esses aplicativos mais eficazes na identificação de áreas preocupantes da pele que precisam ser examinadas por um médico.
Embora essas ferramentas possam eventualmente serem úteis, ainda não está claro o quão precisas elas são, portanto, mais pesquisas são necessárias antes que seja recomendada na prática por especialistas. Por enquanto, é melhor que qualquer área suspeita da pele seja examinada por um médico.
- Exames de laboratório para determinação do prognóstico
A maioria dos melanomas diagnosticados em estágio inicial pode ser curada cirurgicamente. Mas, uma pequena porcentagem desses cânceres eventualmente se dissemina para outras partes do corpo, onde pode ser mais difícil de ser tratado.
Um estudo mostrou que determinados padrões de expressão gênica em células de melanoma podem mostrar se melanomas, em estágio inicial têm probabilidade de se disseminar ou recidivar após o tratamento. Um exame de laboratório, com base nesse estudo, conhecido como DecisionDx-Melanoma, já está disponível. O exame divide os melanomas em três grupos com base em seus padrões genéticos:
- Melanomas de classe 1A têm menor risco de disseminação ou recidiva.
- Melanomas classe 1B ou 2A têm risco intermediário de disseminação ou recidiva.
- Melanomas de classe 2B tem maior risco de disseminação ou recidiva.
Esse exame ajuda a dizer se determinado paciente com melanoma estágio inicial deve realizar uma biópsia ou fazer tratamento adicional ou se precisa ser acompanhado clinicamente após o tratamento para procurar possíveis sinais de recidiva.
Atualmente, também estão sendo estudados testes de outros genes e padrões genéticos.
Tratamento
- Imunoterapia
Esse tipo de tratamento ajuda o sistema imunológico a atacar as células de melanoma de forma eficaz. Algumas formas de imunoterapia já estão em uso no tratamento de alguns melanomas.
Inibidores do controle imunológico. Medicamentos mais recentes bloqueiam as proteínas do ponto de controle, que normalmente suprimem a resposta imunológica das células T contra as células do melanoma. Esses medicamentos são atualmente um dos principais pilares do tratamento para melanomas avançados. No momento, os pesquisadores estão buscando novas formas de usarem esses medicamentos, para obterem maiores benefícios de sua eficácia. Uma maneira de fazer isso pode ser combinando-os com outros tratamentos, como outros tipos de imunoterapia ou terapias-alvo.
Os pesquisadores também estão estudando se esses medicamentos podem ser úteis para melanomas em estágio inicial, como tratamento adjuvante após a cirurgia. Alguns medicamentos já mostraram serem úteis após a cirurgia para melanomas que atingiram os linfonodos, reduzindo a chance de recidiva. Atualmente, os pesquisadores estão avaliando se esses medicamentos podem também serem eficazes para melanomas em estágio inicial ou se podem ser úteis se usados antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante) em alguns pacientes.
Novos inibidores de ponto de controle imunológico com alvos ligeiramente diferentes estão também em fase de estudo.
Terapia celular adotiva com linfócitos infiltrantes de tumor (TILs). Alguns estudos mostraram que o tratamento de melanomas avançados com TILs pode reduzir o tamanho dos tumores e possivelmente aumentar a sobrevida, sendo uma opção para pacientes com melanoma avançado, que não estejam respondendo a outros tratamentos. Essa abordagem parece promissora em estudos iniciais.
Vacinas. As vacinas para tratamento do melanoma estão sendo avaliadas em pesquisas clínicas. Essas vacinas são, em alguns aspectos, semelhantes às vacinas utilizadas para prevenir doenças como poliomielite, sarampo e caxumba que são causadas por vírus. Essas vacinas geralmente contêm vírus enfraquecidos ou partes de um vírus que não podem causar a doença. A vacina estimula o sistema imunológico do corpo para destruir o tipo mais nocivo de vírus. Da mesma forma, destroem as células de melanoma ou partes delas (antígenos), podem ser injetadas no paciente como uma vacina, numa tentativa de estimular o sistema imunológico a destruir outras células de melanoma no corpo. Geralmente, as células ou antígenos são misturados com outras substâncias que ajudam a estimular o sistema imunológico como um todo. Mas ao contrário das vacinas que se destinam à prevenção das infecções, essas vacinas são destinadas a tratar a doença já existente. Produzir uma vacina eficaz contra o melanoma pode ser mais difícil do que uma vacina para combater um vírus. Até o momento, os resultados dos estudos com vacinas para o tratamento de melanoma têm sido mistos. Mas, muitas vacinas novas já estão sendo avaliadas e podem ter resultados promissores.
Outras imunoterapias. Outras formas de imunoterapia também estão em estudo. Além disso, muitos estudos estão avaliando como combinar diferentes tipos de imunoterapia, que possam ser mais eficazes do que qualquer tratamento isolado para melanoma avançado.
- Terapia-alvo
Essas terapias têm como alvo alterações genéticas nas células de melanoma que as tornam diferentes das células normais. Esses medicamentos alvo atuam de forma diferente dos quimioterápicos convencionais, além de terem menos efeitos colaterais.
Medicamentos que têm como alvo alterações no gene BRAF. Cerca de metade dos casos de melanomas apresentam alterações no gene BRAF, que ajuda as células a crescerem. Os medicamentos que têm como alvo a proteína BRAF ou as proteínas MEK relacionadas reduzem o tamanho desses tumores, principalmente quando os inibidores BRAF e MEK são combinados.
Medicamentos que têm como alvo as células que alteram o gene C-KIT. Uma pequena porcentagem de melanomas apresenta alterações no gene C-KIT. Isso inclui os melanomas que começam nas palmas das mãos, plantas dos pés, sob as unhas, e alguns outros locais específicos. Os medicamentos que têm como alvo células com alterações no C-KIT são úteis no tratamento desses melanomas.
Medicamentos que têm como alvo outros genes ou proteínas. Vários medicamentos que têm como alvo outros genes ou proteínas anormais também estão sendo testados em estudos clínicos.
Os pesquisadores também estão avaliando combinações desses medicamentos com outros tipos de tratamentos, como quimioterapia ou imunoterapia.
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 21/02/2024, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia.