Fatores de risco do câncer de vesícula biliar
Um fator de risco é algo que afeta sua chance de contrair uma doença como o câncer. Diferentes tipos de câncer apresentam diferentes fatores de risco. Alguns como fumar, por exemplo, podem ser controlados. Outros não, como idade e histórico familiar.
É importante ressaltar que ter um fator de risco, ou mesmo vários, não significa que você vai ter a doença. Muitas pessoas com a enfermidade podem não estar sujeitas a nenhum fator de risco conhecido.
Quando falamos de câncer de vesícula biliar, os fatores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver a doença são:
- Cálculos biliares. Os cálculos biliares são o fator de risco mais frequente para o câncer de vesícula biliar. Os cálculos biliares são acúmulos de colesterol e outras substâncias que se formam na vesícula biliar e podem causar inflamação crônica. Em torno de 80% das pessoas com câncer de vesícula apresentam cálculos biliares ao serem diagnosticadas. Os cálculos biliares são uma condição muito comum, mas o câncer de vesícula biliar é muito raro. E importante mencionar que a maioria das pessoas com cálculos biliares nunca desenvolverá câncer de vesícula biliar.
- Vesícula biliar de porcelana. É uma condição na qual a parede da vesícula biliar fica coberta com depósitos de cálcio. Ocorre após longos períodos de inflamação da vesícula biliar. Pessoas com essa condição podem ter um risco maior de desenvolver câncer de vesícula biliar, possivelmente porque tanto os cálculos quanto a vesícula de porcelana provocam inflamação.
- Cistos biliares. Os cistos biliares, anteriormente denominados cistos de colédoco são saquinhos com conteúdo biliar alojados no ducto biliar, conduto que transporta a bile do fígado e da vesícula biliar para o intestino delgado. As células que revestem o cisto muitas vezes contêm áreas com alterações pré-cancerígenas que aumentam o risco de uma pessoa desenvolver câncer de vesícula biliar.
- Anomalias nos ductos biliares. O pâncreas é outro órgão que secreta substâncias pelos ductos pancreáticos, o principal ducto pancreático, também conhecido como ducto de Wirsung, se une ao ducto biliar comum, formando o ducto hepatopancreático (ampola de Vater) que desemboca no duodeno (intestino delgado) para ajudar na digestão. Algumas pessoas têm um defeito na junção desses ductos o que produz refluxo biliar para os ductos biliares. Esse fluxo inverso também impede que a bile drene dos ductos biliares tão rapidamente quanto deveria. Pessoas com essa anormalidade têm um risco aumentado de câncer de vesícula biliar. Os pesquisadores ainda não identificaram se esse risco é devido a danos provocados pelo suco pancreático ou porque a bile não flui adequadamente pelos ductos, causando lesões pelas substâncias contidas na própria bile.
- Pólipos da vesícula biliar. Alguns pólipos formados na parede da vesícula biliar podem ser pequenos tumores (benignos ou malignos) ou podem ser causados por uma reação inflamatória. Os pólipos maiores têm maior probabilidade de serem malignos, nesses casos, é indicada a retirada da vesícula biliar.
- Colangite esclerosante primária. Nessa condição existe inflamação e cicatrização dos ductos biliares. Pacientes com essa doença têm um risco aumentado de câncer da vesícula biliar e dos ductos biliares.
- Infecções. Pessoas cronicamente infectadas por salmonella e Helicobacter pylori são mais propensas a desenvolver câncer de vesícula biliar do que as não infectadas.
- Gênero. O câncer de vesícula biliar ocorre com mais frequência em mulheres. Os cálculos biliares e a inflamação da vesícula biliar são fatores de risco importantes para o câncer de vesícula biliar e também são mais frequentes nas mulheres do que nos homens.
- Obesidade. A obesidade é um fator de risco para cálculos biliares.
- Idoso. O câncer de vesícula biliar pode ocorrer em pessoas mais jovens, mas é diagnosticado principalmente em pessoas mais velhas. A idade média dos pacientes quando diagnosticados é de 72 anos.
- Exposição a toxinas. Estudos mostraram que a exposição a determinadas toxinas pode aumentar o risco de câncer de vesícula biliar. Essas toxinas incluem produtos químicos usados em cigarros, radônio e possivelmente aflatoxinas (substâncias tóxicas produzidas por certos tipos de fungos, principalmente do gênero Aspergillus, que podem contaminar alimentos como milho e amendoim). Entretanto, mais pesquisas são necessárias para entender melhor essas associações.
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 16/05/2025, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia para pacientes e familiares brasileiros.