Como a atividade física pode ajudar no enfrentamento ao câncer de mama?
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Para cada ano do triênio 2023-2025 foram estimados 73.610 casos novos, o que representa uma taxa ajustada de incidência de 41,89 casos por 100.000 mulheres (INCA, 2022). Embora o diagnóstico precoce e os avanços nos tratamentos tenham contribuído para o aumento das taxas de sobrevida, o câncer de mama ainda representa uma preocupação significativa para a saúde pública.
Nos últimos anos, a relação entre a atividade física e o risco de desenvolver câncer de mama tem sido amplamente estudada, e as evidências apontam que o exercício regular pode desempenhar um papel crucial tanto na prevenção quanto no tratamento do câncer de mama. Este texto aborda os benefícios da atividade física para a prevenção, controle e recuperação do câncer de mama.
A Atividade Física como Fator de Prevenção
A atividade física regular é reconhecida como um fator de proteção importante contra várias doenças crônicas, incluindo o câncer de mama. Vários estudos epidemiológicos indicam que as mulheres que praticam atividades físicas de maneira regular têm um risco reduzido de desenvolver câncer de mama em comparação com aquelas que são sedentárias. Estima-se que o risco pode ser reduzido em cerca de 20% a 40%, dependendo da intensidade e da regularidade do exercício.
Os mecanismos pelos quais a atividade física contribui para a prevenção do câncer de mama não são completamente compreendidos, mas vários fatores são sugeridos:
- Controle do Peso Corporal: O excesso de gordura corporal, especialmente após a menopausa, está associado a um aumento no risco de câncer de mama. A gordura corporal é uma fonte de estrogênios, hormônios que podem estimular o crescimento de células mamárias e aumentar o risco de desenvolver tumores malignos. A atividade física ajuda a controlar o peso, reduzindo, assim, os níveis de estrogênios circulantes no corpo.
- Regulação Hormonal: Além de ajudar a reduzir a gordura corporal, o exercício físico também pode influenciar diretamente os níveis hormonais. Ele pode diminuir os níveis de estrogênio e outros hormônios relacionados ao crescimento de células mamárias, como a insulina e o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1), ambos associados ao desenvolvimento do câncer.
- Redução da Inflamação Sistêmica: A atividade física está associada à redução de marcadores inflamatórios no corpo. A inflamação crônica tem sido identificada como um fator de risco para o câncer, incluindo o de mama, uma vez que pode promover o crescimento de células cancerosas. O exercício regular ajuda a diminuir essa inflamação, melhorando a saúde geral do organismo.
- Aprimoramento da Função Imune: O sistema imunológico desempenha um papel fundamental na detecção e eliminação de células cancerosas. O exercício regular tem sido associado à melhoria da função imunológica, ajudando o corpo a combater mais efetivamente o desenvolvimento de células anormais.
Atividade Física Durante e Após o Tratamento do Câncer de Mama
Para pacientes que já foram diagnosticadas com câncer de mama, a atividade física também pode desempenhar um papel importante durante e após o tratamento. Historicamente, acreditava-se que pacientes com câncer deveriam reduzir suas atividades e descansar mais, mas pesquisas recentes indicam que o exercício pode trazer muitos benefícios, desde que seja realizado de maneira segura e adaptada à condição do paciente.
Benefícios Durante o Tratamento
- Redução da Fadiga: A fadiga relacionada ao câncer é um dos efeitos colaterais mais comuns experimentados por pacientes em tratamento. Paradoxalmente, o exercício físico regular, quando bem dosado, pode ajudar a reduzir a fadiga, melhorando os níveis de energia e a qualidade de vida das pacientes.
- Manutenção da Massa Muscular e Saúde Óssea: Tratamentos como a quimioterapia e a terapia hormonal podem levar à perda de massa muscular e à diminuição da densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas. A prática de exercícios, especialmente os de resistência, pode ajudar a minimizar essas perdas, fortalecendo os músculos e os ossos.
- Controle de Efeitos Colaterais: A atividade física pode ajudar a controlar outros efeitos colaterais do tratamento do câncer de mama, como náuseas, dor, insônia e alterações no humor. Pacientes que se mantêm ativas durante o tratamento costumam relatar melhoras na saúde mental e emocional, com uma redução dos sintomas de ansiedade e depressão.
- Melhora da Qualidade de Vida: A atividade física está associada a uma melhor qualidade de vida geral para pacientes em tratamento de câncer. Isso inclui melhorias no sono, na autoestima e na capacidade funcional. A socialização envolvida em atividades físicas em grupo também pode ter um efeito positivo, promovendo apoio emocional.
Benefícios Após o Tratamento
Para as pacientes em remissão, a atividade física continua a ser essencial, pois pode reduzir o risco de recorrência da doença e melhorar a recuperação geral. Entre os benefícios específicos estão:
- Redução do Risco de Recorrência: Estudos indicam que mulheres que se mantêm fisicamente ativas após o tratamento têm um risco menor de recorrência do câncer de mama. Acredita-se que isso se deva à manutenção de um peso saudável, controle hormonal e melhora do sistema imunológico.
- Recuperação da Função Física: Muitos tratamentos para o câncer de mama, como a cirurgia, podem resultar em perda de mobilidade e força na região dos ombros e braços. Programas de reabilitação física que incluam exercícios de fortalecimento e alongamento são fundamentais para recuperar a mobilidade e a força dessas áreas.
- Saúde Mental e Emocional: Após o tratamento, muitas mulheres enfrentam desafios psicológicos relacionados ao medo de recorrência, alterações corporais e a reintegração à vida cotidiana. O exercício físico, além dos benefícios fisiológicos, tem um efeito terapêutico sobre a saúde mental, ajudando a reduzir o estresse e melhorar o humor.
Recomendações de Atividade Física para Mulheres com Câncer de Mama
As diretrizes para a prática de atividade física em mulheres com câncer de mama variam de acordo com o estágio da doença, o tipo de tratamento recebido e a condição geral de saúde da paciente. No entanto, recomendações gerais incluem:
- Atividade Aeróbica: Caminhadas, natação, ciclismo e outras atividades aeróbicas de intensidade moderada são recomendadas por pelo menos 150 minutos por semana. Isso pode ser dividido em sessões de 30 minutos em cinco dias da semana.
- Exercícios de Resistência: A inclusão de exercícios de fortalecimento muscular, como levantamento de peso ou exercícios com faixas elásticas, é importante duas a três vezes por semana. Esses exercícios ajudam a preservar a massa muscular e a melhorar a força.
- Alongamento e Mobilidade: Para pacientes que passaram por cirurgias, como mastectomia ou cirurgia conservadora da mama, é essencial incluir exercícios de alongamento para recuperar a amplitude de movimento nos braços e ombros.
- Adaptação Individualizada: Cada paciente é única, e o plano de exercícios deve ser adaptado às necessidades específicas, levando em consideração o estágio do câncer, o tipo de tratamento e possíveis limitações físicas.
A atividade física desempenha um papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento e recuperação do câncer de mama. Seja para reduzir o risco de desenvolver a doença ou para melhorar a qualidade de vida durante e após o tratamento, o exercício regular oferece inúmeros benefícios. Por isso, incentivar a prática de atividade física entre mulheres de todas as idades é uma estratégia importante na luta contra o câncer de mama.
Fonte: G1 Globo

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