Car-T: pacientes que lutam contra o câncer há anos passam por terapia promissora e resultados impressionam; veja
Foto: TV Globo/Reprodução
O Fantástico deste domingo (25) destacou um estudo promissor no tratamento contra o câncer no Brasil. Foram seis meses de trabalho acompanhando duas pacientes que passaram por esse tratamento.
São histórias de pessoas que já enfrentam o câncer há anos e passaram por procedimentos mais tradicionais, como quimioterapia, radioterapia e até mesmo transplante de medula. Veja no vídeo acima.
Essa terapia nova é rápida, dura cerca de 30 minutos e promete eliminar a doença com o uso de células de defesa do próprio paciente, modificadas geneticamente.
Marico e Vânia: histórias de resiliência
A empresária Marico Utiyama Egashira descobriu a leucemia em 2020, passou por quimioterapia e transplante de medula, mas a doença ressurgiu. Segundo os médicos, ela continuaria fazendo tratamentos apenas para controlar a doença. "Eu ficava pensando, será que aqui é o meu limite", desabafa Marico.
A aposentada Vânia Lucia Alves Teixeira, de João Pessoa, passava por uma situação semelhante, no Hospital A.C.Camargo, em São Paulo. Ela enfrentou um linfoma que retornou mesmo após quimioterapia e radioterapia.
"A gente percebeu que ela não respondia mais aos tratamentos convencionais, principalmente à base de quimioterapia, que é o que costuma tratar a doença dela", diz Jair Schmidt Filho, médico do Centro de Referência em Neoplastias Hematológicas do A.C. Camargo.
Car-T: terapia genética e revolucionária
Tanto a Vânia quanto a Marico, foram orientadas por seus médicos a tentar uma última opção, a terapia genética CAR-T. O tratamento funciona assim:
- Começa com a coleta de sangue do paciente para obter as células de defesa - os linfócitos T, ou células T;
- Elas são enviadas a um laboratório e passam por uma modificação genética para poder identificar as células cancerígenas;
- Chamadas agora de células CAR-T, elas são devolvidas para o paciente por uma infusão;
- No corpo do paciente, as novas células se multiplicam e começam a eliminar o câncer.
A tecnologia foi criada nos Estados Unidos. Em 2017 a terapia foi aprovada pela agência reguladora de saúde americana.
Até o momento, o tratamento com as células CAR-T só pode ser feito em pacientes com 3 tipos de câncer: leucemia linfóide aguda, a da Marico, linfoma não Hodgkin, como o da Vânia e mieloma.
Tratamento
No Brasil, existem 2 maneiras de se fazer esse tratamento: enviando as células para laboratórios, nos Estados Unidos e na Europa, que custa, pelo menos, R$ 2 milhões ou participando dos estudos clínicos, como do Hospital Albert Einstein ou do Hemocentro de Ribeirão Pret.
Marico é a paciente número 17 a receber o tratamento aqui. Mas a expectativa é aumentar esse número.
"A gente pretende, num estudo clínico, fazer para 81 pessoas com linfoma ou leucemia. Hoje a gente tem uma unidade fabril aqui, uma fábrica desenvolvida e construída aqui no hemocentro que tem capacidade de produzir até 300 casos por ano com esse produto. Então a gente espera escalar isso aqui para muito mais pessoas. Tudo pelo SUS, sem custos", explica Diego Villa Clé, coordenador médico do Hemocentro de Ribeirão Preto .
Vânia fez o tratamento particular e o plano de saúde dela cobriu os custos depois que ela entrou na Justiça. As células foram enviadas para um laboratório nos Estados Unidos.
Resultados
Conforme explica o médico Jair Schmidt Filho, a primeira avaliação acontece 30 dias após o tratamento.
"A primeira avaliação dela, com 30 dias. Mas a gente conversa bem e fala, olha, nós vamos fazer agora com 30 dias, 90 dias, a gente vai repetir de novo e depois com 6 meses a gente vai repetir novamente. Se o seu paciente conseguiu alcançar a resposta completa com 6 meses, é quando a gente realmente tem a expectativa que ele entre naquilo que a gente fala, que é o platô de sobrevida, aquela curva que realmente mostra que a probabilidade da doença voltar reduz de maneira significativa", diz .
O médico fala sobre o percentual de sucesso do procedimento: "Ela fica em torno de 40, 45%, ou seja, quase metade dos casos. Mas a gente, está falando de uma expectativa de vida nesses pacientes que até então era de 6 meses ou menos", diz.
A equipe encontrou Marico pouco mais de 1 mês depois dela ter recebido o tratamento e ela compartilhou como estava sendo sua recuperação até aquele momento.
"Foi muito bem. Não deu reações que a gente estava esperando... Nos exames que foram feitos, está tudo com remissão e não tem leucemia", diz Marico.
No caso da leucemia, não há um exame de imagem que mostre se há doença ou não. Então, a resposta do tratamento é avaliada pelo exame de sangue.
Depois da infusão, a Vânia teve episódios de febre e ficou internada por mais tempo que o previsto em São Paulo. Só depois de 50 dias ela pode voltar pra casa em João Pessoa.
"A gente pode dizer que ela está em resposta completa. Claro que o termo cura, a gente vai dizer com o acompanhamento dela daqui para frente, mas em termos de expectativa de cura, com certeza esse é o melhor tratamento que a gente poderia oferecer na situação da doença dela", diz o médico do A.C. Camargo.
Na semana passada a Marico se sentiu mal, passou por exames e foram detectadas algumas células cancerígenas, indicando que a leucemia voltou. Os médicos estão avaliando o caso dela. Vânia continua em remissão, sem a doença.
Cerca de 50% dos pacientes permanecem sem a doença depois de cinco anos do tratamento e são considerados curados.
Caso Paulo Peregrino
Paulo Peregrino, de 62 anos, virou notícia no mundo depois de ter feito o Car-T. No caso dele, durante 13 anos, o câncer foi tratado e voltou três vezes, antes de passar pelo procedimento no hospital das Clínicas de São Paulo.
Paulo recebeu as células modificadas no dia 24 de março de 2023. No caso dele, a infusão durou 45 minutos. Depois do primeiro resultado excelente dos exames, Paulo voltou para casa e continuou fazendo exames a cada três meses.
O Fantástico acompanhou o Paulo na consulta depois dos seis meses do tratamento. O novo exame confirmou que ele continua em remissão completa.
Fonte: Fantástico/g1

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