BRCA e maternidade

Posso ter filhos depois de descobrir a mutação?
Sim. Você pode ter filhos mesmo após descobrir a mutação BRCA. O diagnóstico não impede a gravidez, mas é importante planejá-la com acompanhamento médico, considerando medidas preventivas e possíveis intervenções futuras.

Com que idade meus filhos poderão/deverão ser testados?
O teste genético é geralmente indicado para maiores de 18 anos, quando os resultados podem influenciar decisões de saúde. Em casos específicos, como histórico familiar de câncer precoce, o teste pode ser considerado mais cedo, mas sempre com orientação de um oncogeneticista.

Pensando no cenário de reprodução assistida, consigo testar os embriões para assim escolher/selecionar os que não são portadores da mutação genética?
Sim. O diagnóstico genético pré-implantacional para alterações genéticas (PGT-M) pode ser realizado durante a fertilização in vitro. Esse procedimento analisa os embriões e permite a seleção daqueles que não possuem a mutação BRCA antes da implantação no útero.

Se não quiser fazer essa testagem nos embriões, existe outro caminho para evitar que filhos mutados?
Não há métodos naturais para evitar a transmissão da mutação. Nesse caso, é importante aceitar a possibilidade de que o filho possa herdar a mutação e garantir acompanhamento médico preventivo ao longo da vida. O risco de transmitir a mutação é de 50%.

Como lidar com a ansiedade de passar a mutação para meus filhos?
A ansiedade é compreensível, mas lembre-se de que ter a mutação não significa que o câncer vai se desenvolver. Buscar apoio psicológico, conversar com médicos e participar de grupos de apoio podem ajudar a reduzir o impacto emocional. Planejar a saúde da família com informações claras é um grande passo.

Posso ser mãe depois de retirar os ovários preventivamente?
Após a retirada dos ovários (ooforectomia), a gravidez natural não é mais possível, mas você pode considerar congelar óvulos ou embriões antes da cirurgia. Após a cirurgia, você recorrerá a técnicas de reprodução assistida, como fertilização in vitro, usando óvulos/embriões previamente congelados ou doados.

Posso amamentar mesmo após a retirada das mamas?
Após uma mastectomia total (preventiva ou terapêutica), não será possível amamentar, pois o tecido mamário responsável pela produção de leite é removido. Em casos de cirurgias parciais, pode haver a possibilidade, dependendo da extensão de tecido mamário retirado. Entretanto, existe a técnica de relactação, que é uma alternativa à amamentação direta e que, além de poder estimular a produção de leite, proporciona um contato direto do bebê com a mãe. Ela é indicada quando a mãe não consegue amamentar naturalmente ou quando o bebê tem dificuldades para sugar. 

O que preciso considerar nas escolhas de maternidade uma vez que tenho a mutação genética de BRCA?
Algumas questões importantes incluem:

  • Planejar a gravidez antes de cirurgias preventivas, como ooforectomia ou mastectomia.
  • Considerar a preservação da fertilidade (como congelamento de óvulos) antes de tratamentos preventivos ou oncológicos.
  • Avaliar as opções de reprodução assistida, incluindo o diagnóstico genético pré-implantacional.
  • Garantir o acompanhamento médico contínuo durante a gravidez, especialmente para monitorar a saúde da mãe.
  • Buscar suporte emocional e psicológico para lidar com as decisões e desafios relacionados à maternidade.

Tenho/tive câncer de mama com receptores hormonais positivos. O tratamento de reprodução assistida tem alguma interferência no tratamento oncológico? E o fato do meu tipo de câncer ser hormonal?
É natural o receio de pacientes com histórico de tumores com receptores hormonais, quando se fala de qualquer tratamento que envolva aplicação ou elevação de estrogênio ou progesterona.
Existem protocolos específicos para estimulação do ovário em pacientes portadoras ou com histórico prévio de câncer de mama. Diversos estudos já demonstraram que esse é um protocolo seguro, independentemente do tumor ter receptores hormonais ou da paciente ser mutada para BRCA

Como paciente portadora da mutação e em tratamento oncológico, qual seria o momento ideal para fazer o tratamento de reprodução assistida?
O ideal é que você procure o quanto antes. Para fazermos os tratamentos de reprodução assistida com foco na preservação da fertilidade, a estimulação para coleta dos óvulos deve acontecer antes do início da quimioterapia.
Caso já tenha iniciado o tratamento quimioterápico, é possível realizar uma avaliação seis meses após o término do tratamento.   

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