Painel de Políticas Públicas do Câncer
Voltar[ARTIGO] Pesquisa clínica à disposição de pacientes com câncer
Políticas Públicas Relacionadas ao CâncerCaros pacientes, seus parentes e amigos,
Vale a pena saber o que é pesquisa clínica, pois ela abre as portas para o que existe de melhor em termos de tratamento do câncer. Como somente nos últimos 10-20 anos é que se conseguiu entender melhor o câncer, o desenvolvimento de novas drogas vem se acelerando, e levando muitas doenças previamente fatais em meses a ter um prognóstico infinitamente melhor. No desenvolvimento de novas drogas, são necessárias comparações com o que há de melhor já estabelecido, e assim surgem os estudos clínicos de fase III, amplamente disponíveis no Brasil em diversos centros. Basicamente sorteiam-se os pacientes para receber a droga padrão no mundo (que muitas vezes ainda nem está disponível para a maioria da população no sistema público brasileiro) ou para receber a droga nova, supostamente ainda melhor que a droga padrão. Este tratamento é feito sob estrito seguimento médico, já que a comparação tem de levar em conta não só os efeitos bons, mas também os efeitos colaterais. No Brasil, inúmeros centros de pesquisa dispõem de estudos de fase III, e cabe ao paciente se informar na sua região se algum centro tem estudos para a doença em questão. Estudos novos são iniciados com frequência, de modo que o paciente deve procurar continuamente pelas melhores opções. Posso dizer que em São Paulo e Santo André há ao menos 5 grandes centros de pesquisa clínica em oncologia, com literalmente dezenas de protocolos de pesquisa abertos para inclusão de pacientes.
Vale a pena esclarecer que o medo de alguns pacientes de serem "usados como cobaias” não corresponde à realidade. Para que um novo medicamento seja oferecido em grandes estudos fase III, ele já tem de ter passado por estudos para achar a dose eficaz, mas não excessivamente tóxica, depois por estudos para comprovar que é segura em um grupo maior de doentes, e só então é oferecido comparativamente ao tratamento padrão. Sem dúvida, toxicidade pode ocorrer e até ser severa, assim como a toxicidade de qualquer outro medicamento já aprovado. Além disso, para que o estudo seja disponibilizado no Brasil ele tem de ser aprovado por comitês de ética e mesmo por um conselho nacional ligado ao Ministério da Saúde.
A grande discussão hoje em dia está relacionada à pesquisa clínica com pacientes menores de idade. Esta ainda é uma questão em aberto no Brasil e outros países. Também se discute muito o que fazer se uma determinada droga nova beneficiar um grupo de pacientes, se os outros (que estão recebendo a droga "antiga”) também não deveriam receber a droga nova, e por quanto tempo esta deveria ser disponibilizada pela empresa patrocinadora do estudo para todos estes pacientes.
De qualquer maneira, em nosso meio a pesquisa clínica não serve só para trazer tratamentos inovadores de maneira gratuita para o paciente, mas também para trazer tratamentos que são padrão no mundo desenvolvido e que passa a ser disponibilizado para a população que depende do sistema público de saúde, e cuja alternativa seria um tratamento já ultrapassado.


