ArreDORES

Finalizando setembro, muitos movimentos tiveram neste período... viagem, aniversário do filho, palestra e as dores na lombar têm se acentuado. Não há um dia de vida que eu não durma com dificuldades, onde cada virada na cama é um tormento e que eu me levante a noite gemendo de dor. Sim, me foi prescrita a velha e boa dipirona de 1g em uso contínuo ou, em caso de muita dor, tylex. Mas, como eu sou teimosa e só tomo remédio para dor quando está insuportável, tenho me limitado a medicação. E, assim a dor se fez parte de mim...

Críticas à parte, sentada aqui nesta mesa de computador e sentindo a lombar doer, me reporto aquela primeira dor persistente que eu sentia, há 3 anos atrás, achando que ela seria reflexo da vida corrida que estava tendo após o término do tratamento do câncer primário, da morte do meu pai e a avalanche que se sucedeu depois, o que eu menos queria era ter a cabeça vazia... já diz o ditado “cabeça vazia, oficina do diabo”. Aí era um tal de correr pra escola, depois para a escola dos meninos, arrumar a casa antes de sair pro trabalho, colocar a roupa na máquina no intervalo do almoço e estender após a jornada na escola. Naqueles meses de setembro e outubro, cada chamado na escola para atender pais de alunos, estudantes, de passar nas salas de aula, levantar-me da cadeira era um processo gradativo: primeiro, levantava, saía caminhando semiereta até conseguir me posicionar direito. E, sim, uma dor que achava que seria devido a correria já era a metástase óssea se “amostrando”.

E, por que falar disso tudo? Porque mesmo com a minha armadura do sorriso largo e da força do batom vermelho eu tenho sentido dor. Uns dias mais, outros menos, mas sempre com dor. Tenho buscado ajuda nos remédios, no descanso, na fisioterapia, nas caminhadas leves. E, muitas de nós têm vivido suas dores, muitas vezes em segredo. Não somente as dores da alma, em carregar um diagnóstico que ainda nos amedronta, diante das lutas travadas junto aos planos de saúde e junto ao SUS, para garantia de um tratamento de qualidade, que nos permitam o mínimo para sobreviver é, porque não basta ter câncer, tem que todo dia lutar pelo direito básico a saúde ainda temos que lidar com as dores físicas, que diversas vezes nos impossibilita de levantar da cama, com as dores no esôfago para se alimentar, com o empachamento no estômago, devido ao inchaço abdominal, com as dores abdominais e o desarranjo intestinal, com crises fortes de enxaqueca e ainda, porque não, o aparecimento de outras comorbidades, enfim... “Não basta ter câncer, tem que infernizar”, ironia minha com a famosa frase de comercial de TV da Gelol “Não basta ser pai, tem que participar”.

E, como a grande maioria de nós continua sobrevivendo, as vezes bem, outras nem tanto, carregando sequelas, cicatrizes, dores, não falando somente das metastáticas, mas para aquelas que hoje estão curadas, não existe vida normal, sempre haverá sequelas. E, como insistimos em viver, sorrindo, viajando, frequentando os espaços das pessoas “normais”, acredita-se que a nossa vida é só ir fazer medicação, fazer consulta de acompanhamento e “tá tudo bem”. Não, não está tudo bem, mas no mundo virtual, muitas vezes não temos lugar para este momento reflexivo, porque o que é vendável são corpos bonitos, baladinha, dancinha e felicidade ao extremo.

Sem pessimismo, para quem ainda está por aí lindo e radiante, cuide de sua saúde, ouça seu corpo, faça exames regularmente. Sei que o mantra é chato, mas precisa ser repetido, para que você não passe pela dor física, psicológica que não só eu, mas tantos outros têm vivido.

“Eu ando pelo mundo, prestando atenção em cores”, já diz Adriana Calcanhoto. 

Sigamos...

Marta Maria da Silva

(Sagitariana, a “divertida do rolê” que não perde a oportunidade de lançar uma real, moradora de Andorinha-Bahia, membro do Comitê de Pacientes do Instituto Oncoguia)

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