A importância do pós-tratamento no processo de cura do câncer de mama
Após a cura do câncer de mama, muitas pacientes se perguntam: "E agora? Isso é suficiente?". Embora tenham superado a doença, essas mulheres frequentemente enfrentam o medo persistente da recidiva do tumor, convivendo com sequelas, dores crônicas, abalos na saúde mental e uma qualidade de vida muitas vezes prejudicada. Esses desafios, tanto durante quanto após o tratamento, foram temas centrais do segundo painel do CB.Debate Câncer de Mama: Uma Rede de Cuidados, realizado ontem pelo Correio Braziliense.
Na roda de conversa participaram Karimi Amaral, médica mastologista e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia; Cristiano Resende, médico oncologista do Grupo Oncoclínicas, com área de atuação no câncer de mama; e Carolina Seabra, psicóloga, professora e especialista em psico-oncologia.
Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres, em todas as regiões, e a primeira causa de morte em pessoas do sexo feminino no país. De acordo com o órgão, a incidência e a mortalidade por câncer de mama tendem a crescer progressivamente a partir dos 50 anos. Apesar do número alarmante, a taxa de cura da doença em estágio inicial é de 92% a 97%. Em estágio avançado, de 80% a 40%.
Por esse motivo, os médicos alertam para o diagnóstico precoce. Karimi Amaral ressalta que, embora a doença atinja um alto percentual de mulheres, cada caso é único e o tratamento deve ser adequado para cada tipo de paciente. "O tumor pode até ter o mesmo tamanho e ser idêntico, mas lidamos com pessoas de idades e metabolismos diferentes. Uma vez dado o diagnóstico, identificamos o tipo do tumor e iniciamos o tratamento por meio da cirurgia ou remédios. Atualmente, temos técnicas menos agressivas do que tínhamos antes. E, hoje, é necessário entender que, mesmo que um tumor seja pequeno, ele pode ser muito mais agressivo que um maior", enfatizou.
Acompanhamento
Descoberta a doença, feito o tratamento e curada, a mulher, na maioria das vezes, sente-se desamparada. Sem uma rede de apoio pessoal e profissional, ela acredita que viver uma vida desprovida do bem-estar é a única alternativa. Hipótese essa repudiada pelos profissionais de saúde durante o debate. Na avaliação dos médicos, a cura vai além da retirada do tumor. "Operamos mulheres com 40, 50 anos, que têm uma demanda alta do dia a dia, com trabalho, com filhos e casamento. Se eu entrego essa mulher menos mutilada, isso é muito importante", avaliou.
"Com o avanço dos tratamentos, as mulheres estão sobrevivendo, mas o que podemos fazer para essa reabilitação? Ela tem o direito de ter uma qualidade de vida, de ter uma vida a dois satisfatória. Pegar essa mulher e tratar em equipe é fundamental", frisou a médica.
A psicóloga Carolina Seabra lida com situações desse tipo diariamente. Ela explica que as mudanças corporais e estéticas na paciente podem desencadear graves problemas emocionais. "Haverá uma mudança na forma como ela vai se ver. Em um lar onde a mulher é o pilar, quando abalado, se desestrutura e, quando não há um suporte, fica difícil se adaptar à nova realidade. Então, é necessário ter esse olhar profissional e com cuidado para auxiliá-la no ajuste dessa rotina."
Durante o período de cuidados oncológicos, são normais as alterações no estilo de vida, seja no afastamento do trabalho, emocional prejudicado e até o comprometimento do funcionamento físico e hormonal. "O apoio vem para ajudar nessa reorganização, em ajustar essas reações, regular as emoções para beneficiar o tratamento durante a doença", garante a psicóloga.
Inovação e saúde
O oncologista Cristiano Resende destacou os avanços significativos no tratamento do câncer nos últimos anos. "Agora, contamos com imunoterapia, drogas combinadas com endocrinoterapia e inibidores específicos das células cancerígenas, que aumentam consideravelmente as chances de cura. A evolução na medicina também nos permite evitar tratamentos desnecessariamente tóxicos através de assinaturas genômicas, poupando pacientes da quimioterapia sem comprometer a eficácia do tratamento", explicou.
Cristiano também enfatizou que, embora a quimioterapia seja um tratamento difícil, com efeitos colaterais desagradáveis, ela não deve ser evitada a todo custo. "Apesar de ser temida, a quimioterapia não pode ser 'vilanizada', pois é crucial em alguns casos para aumentar as chances de cura". Ele lembrou que o tratamento pode trazer efeitos colaterais desagradáveis, mas que já existem estratégias preventivas e intervenções farmacológicas e não farmacológicas para amenizar esses sintomas.
Após o tratamento, o acompanhamento contínuo é fundamental, especialmente no que se refere ao estilo de vida da paciente. Fatores como obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool estão diretamente relacionados ao risco de recidiva. "Alterações nesses hábitos são essenciais para melhorar a qualidade e a expectativa de vida", ressaltou o médico. A prática de atividades físicas também foi apontada como um elemento-chave para prevenir a recorrência do câncer e combater os efeitos colaterais da quimioterapia. "Exercícios físicos reduzem em quase 40% o risco de retorno do câncer de mama, além de melhorarem a fadiga e a disposição das pacientes", afirmou.
Segundo o médico, também é necessário realizar a mamografia na frequência adequada pois "detecções de lesões cancerígenas em estágios iniciais aumentam significativamente as chances de cura com menos necessidade de tratamentos invasivos e isso só é possível com a mamografia", diz. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, o exame como forma de rastreamento do câncer é indicado para mulheres acima dos 40 anos, anualmente.
"Uma das inovações é o uso do teste genético para identificar pacientes com predisposição hereditária ao câncer de mama, o que não só orienta as decisões cirúrgicas e familiares, mas também oferece novas abordagens terapêuticas. Por exemplo, para pacientes de alto risco, existe um medicamento, o olaparib, que pode reduzir em até 40% o risco de recidiva do câncer e 30% a mortalidade relacionada."
Além disso, a acessibilidade aos testes genéticos melhorou, o que tem ajudado a ampliar as opções de tratamento e prevenção. A paciente Angelina Jolie foi um marco na popularização e desmistificação do teste BRCA, tornando-o mais comum e acessível.
Dados da rede pública
— 176 unidades básicas de saúde (porta de entrada para a detecção da doença);
— 10 mamógrafos;
— 16.138 mMamografias foram realizadas de janeiro a agosto de 2024;
— 2 mil é a média de mamografias realizadas mensalmente;
— 917 mulheres estão direcionadas para a mamografia;
— 14 mulheres estão na fila de espera para a cirurgia do câncer de mama;
— 4 dos casos para cirurgia são críticos.
Fonte: Correio Braziliense

- Câncer de pele: Uma doença que cresce no Brasil
- Carreta de Mamografia oferece 700 exames gratuitos para mulheres atendidas pelo SUS; saiba como agendar
- Conheça a protonterapia, a novíssima forma de radioterapia contra o câncer
- Mulheres com câncer de mama avançado acumulam dívidas e desafios no tratamento
- Câncer de pâncreas: mais comum que antes, entenda por que ele é desafiador
- Biópsia líquida avalia eficácia de tratamento em câncer de mama
- Por que homens podem desenvolver subtipo mais grave de câncer de sangue
- Os sinais discretos que podem esconder câncer de intestino
- Como a oncologia avançou em 2025 e o que podemos esperar para 2026
- Vape e câncer de pulmão: o que a ciência já sabe da relação
- Guia orienta sobre mudança no rastreamento do câncer de colo do útero
- Carretas de Mamografia iniciam 2026 com ampliação da faixa etária para rastreio do câncer de mama
- O que muda no corpo com sol excessivo e exageros
- IA brasileira analisa câncer de mama em tempo real durante cirurgia
- Brasil é protagonista mundial em cirurgia do câncer
- Alta de câncer de pele em áreas esquecidas do corpo acende alerta
- Biópsia líquida avança como ferramenta para detectar mutações em câncer de pulmão
- Câncer de bexiga: Unicamp descobre pistas em tumores que podem explicar por que tratamento falha em metade dos casos
- Hospital das Clínicas de São Paulo promove campanha de prevenção ao câncer de pele
- Com o verão chegando, esses são os cuidados mais importante com a sua saúde
- Verão intensifica exposição ao sol e aumenta alerta para o câncer de pele
- Câncer de pele: confira orientações, sintomas e mitos sobre a doença
- Acesso à fisioterapia após cirurgia para câncer de mama vira lei; saiba por que isso é essencial
- Dezembro Laranja: 5 informações importantes sobre o câncer de pele
- Medicamento de alta precisão para câncer de mama chega ao SUS
- Dezembro Laranja no ICS: prevenção e cuidado integral no combate ao câncer de pele
- Por que millenials estão tendo câncer cada vez mais cedo?
- Inovações ampliam arsenal no cuidado com o câncer de próstata
- Mais de 60% dos casos de câncer colorretal no Brasil são diagnosticados em estágios avançados, diz novo estudo
- Estado nutricional ajuda a prolongar vida de pacientes com câncer: Revela estudo nos casos de câncer de cabeça e pescoço
- Espiritualidade ajuda no bem-estar de mulheres durante tratamento de câncer de mama
- Colesterol além do coração: estudo mostra impacto direto no avanço do câncer de mama e resistência ao tratamento
- Por que os casos de câncer de tireoide estão aumentando em todo o mundo?
- Nova IA cruza imagens e dados clínicos para detectar câncer com 94,5% de precisão
- Inca ganha primeiro centro de treinamento em cirurgia robótica do SUS
- Genética e prevenção: ampliar o olhar sobre o câncer de próstata
- Saúde da próstata: conheça mitos e verdades sobre o câncer no órgão
- Dispositivo científico pode aprimorar o rastreamento do câncer de pulmão
- Por que a incidência de câncer entre jovens adultos está aumentando?
- Novembro Azul: campanha de prevenção ao câncer de próstata estimula olhar geral para a saúde masculina
- Câncer de próstata entra em nova era: robôs, testes genéticos e novas drogas mudam o tratamento e minimizam chance de impotência
- Câncer de próstata: atendimento aumenta 32% em homens com até 49 anos
- 5 coisas que seu médico gostaria que você soubesse sobre câncer de próstata
- Novembro Azul: prevenção é essencial para a saúde do homem
- Entenda como o imposto do tabaco pode financiar o cuidado em câncer de pulmão
- Sírio-Libanês anuncia protocolo rápido de ressonância para câncer de mama
- Diagnóstico precoce reduz em três vezes o custo para tratar câncer de mama
- Novas terapias apresentam dados positivos para tratamento de câncer de pulmão
- Diferença na sobrevida por câncer de mama chega a 16 pontos entre SUS e rede privada
- Câncer de bexiga: novo exame permite personalizar melhor o tratamento
- Outubro Rosa além do câncer de mama: por que prevenir HPV é tão importante
- Câncer de mama não é tudo igual: entenda os subtipos
- No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, Ministério das Mulheres reforça medidas de prevenção e detecção precoce
- Agora Tem Especialistas lança novas carretas da saúde da mulher com oferta de exames e diagnóstico de câncer para quatro estados
- Outubro rosa: câncer de mama se manifesta em mulheres cada vez mais jovens
- Outubro rosa: as 7 frases que você deve evitar falar para uma pessoa com câncer de mama, segundo psicanalista
- Novo remédio para câncer de mama chega no SUS
- Câncer de mama: mamografia é o principal exame?
- Outubro Rosa: mulheres pedem mais prevenção e tratamento contra câncer de mama
- Apenas 29% das brasileiras têm informações suficientes para prevenção do câncer de mama
- Combinação de computação quântica e clássica apoia diagnóstico precoce de câncer de mama
- Câncer: conheça a inovação em radioterapia que precisa chegar ao SUS
- Câncer de mama não é tudo igual: mastologista explica as diferenças
- Sou oncologista. Aqui estão alguns sintomas comuns de câncer que você precisa conhecer
- Ministério da Saúde passa a recomendar mamografia a partir dos 40 anos
- ANVISA aprova mirvetuximabe soravtansina para o tratamento de câncer de ovário resistente à platina em pacientes que receberam de uma a três terapias sistêmicas anteriores
- Câncer de pâncreas: fator-chave no estilo de vida está ligado à doença, diz novo estudo
- Agosto Branco vira lei e terá ações anuais contra o câncer de pulmão
- Pacientes do SUS esperam, em média, mais de um mês além do prazo para diagnóstico e tratamento do câncer
- O discurso emocionante de Jessie J sobre tratamento de câncer no The Town
- Avanços no tratamento ampliam perspectivas para pacientes com câncer de pulmão
- Exame inovador para câncer de colo de útero começa a ser adotado em Ribeirão Preto em parceria com a USP
- Aprovado projeto que inclui testes genéticos contra câncer no SUS
- Pesquisa brasileira descobre por que alguns tipos de câncer de mama não respondem a tratamentos
- Setembro Verde: Síndrome de Lynch aumenta o risco de desenvolver câncer colorretal
- Mais qualidade de vida: o que promete remédio aprovado para câncer cerebral
- Comissão aprova prioridade de telemedicina para pessoas com câncer
- Exercícios físicos reduzem crescimento de células de câncer de mama após uma única sessão
- Câncer de pulmão: 15% dos casos acontecem em não fumantes
- Câncer renal deve crescer quase 80% no Brasil e na América Latina até 2050
- O tratamento mais inovador contra o câncer de bexiga
- SUS começa a oferecer teste que prevê risco de câncer do colo do útero
- Projeto em Goiás reduz pela metade os diagnósticos graves de câncer de mama
- Pesquisadora estuda DNA das brasileiras para compreender câncer de mama
- Câncer de intestino cresce entre jovens adultos e acende alerta global
- Entenda o tratamento de jovem com câncer provocado por vape aos 27
- Apesar de aprovado, tratamento do câncer de mama metastático continua inacessível no SUS
- Pesquisas clínicas para câncer: o que são e como participar
- Câncer colorretal em jovens e idosos: o mesmo nome para duas doenças?
- Poluição pode causar câncer de pulmão?
- Vacinas contra câncer: veja quais estão sendo testadas e o que esperar
- Estudo confirma que rastrear câncer de pulmão no Brasil é possível
- Terapia neoadjuvante em pacientes com câncer de pulmão operável: como conduzir o tratamento
- Câncer colorretal, como o de Preta Gil, cresce entre pessoas com menos de 50 anos; conheça sintomas
- Julho Roxo: alerta para o câncer de bexiga
- Terapia celular contra câncer, que Padilha quer no SUS, pode custar R$ 3 milhões a um único paciente
- O que é câncer de pâncreas, que acometeu Edu Guedes; conheça sintomas e tratamentos
- Brasil registra 39 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano
- Poluição do ar contribui para câncer de pulmão mesmo em quem nunca fumou
- Por que os casos de câncer aumentam entre os mais jovens