Vivendo com câncer de tireoide
Para alguns pacientes com câncer de tireoide, o tratamento pode remover ou destruir o câncer, mas chegar ao fim do tratamento pode ser estressante. Ao mesmo tempo em que o paciente se sente aliviado com o término do tratamento, fica a preocupação de uma recidiva ou metástase. Este é um sentimento muito comum para a maioria dos pacientes que tiveram câncer de tireoide.
Em outros pacientes, o câncer pode não desaparecer completamente e eles continuarão realizando tratamentos regulares para tentar manter a doença sob controle. A vida após o câncer significa voltar a realizar suas atividades e também fazer novas escolhas.
Cuidados no acompanhamento
Mesmo quando o tratamento terminar, sua equipe médica ainda irá lhe acompanhar de perto por alguns anos. Por isso, é muito importante comparecer a todas as consultas de acompanhamento. Nessas consultas, o médico sempre o examinará, conversará com você sobre qualquer sintoma que tenha apresentado e poderá pedir alguns exames de laboratório ou de imagem para checar se há algum sinal de recidiva ou se sua doença continua sob controle.
Além disso, quase todos os tratamentos para o câncer podem apresentar efeitos colaterais. Alguns podem durar apenas alguns dias ou semanas, mas outros podem durar mais tempo. Alguns efeitos colaterais podem não aparecer até mesmo anos após o término do tratamento. Por isso, suas visitas ao médico são um bom momento para fazer perguntas e falar sobre quaisquer alterações ou problemas que você perceba ou preocupações que você possa apresentar.
É importante informar seu médico sobre quaisquer novos sintomas ou problemas, pois eles podem ser provocados pela recidiva do câncer, por uma nova doença ou por um segundo câncer.
Gerenciando os efeitos colaterais
Quase todos os tratamentos contra o câncer podem ter efeitos colaterais. Alguns podem durar alguns dias ou semanas, mas outros podem durar mais tempo. Se for necessário o uso de determinados medicamentos, como hormônio tireoidiano, os efeitos colaterais podem ser permanentes.
Entretanto, alguns efeitos colaterais podem nem aparecer até anos após o término do tratamento.
Acompanhamento clínico
O cronograma do acompanhamento clínico dependerá do tipo específico de câncer de tireoide inicial, do tipo de tratamento realizado e outros fatores.
Câncer papilífero ou folicular
O acompanhamento dependerá em grande parte do tipo de tratamento realizado. Além de exames físicos regulares, provavelmente serão, também realizados outros exames.
Se a glândula tireoide foi completamente removida (tireoidectomia) e o paciente fez tratamento com iodo radioativo, provavelmente fará uma cintilografia com iodo radioativo, especialmente se houver risco de recidiva.
Isso geralmente é feito cerca de 6 a 12 meses após a cirurgia. Se o resultado for negativo, o paciente não necessitará verificações futuras, a menos que apresente algum sintoma ou os exames realizados mostrem alguma alteração.
Se o paciente fez uma tireoidectomia sem o tratamento de iodo radioativo posterior ou se fez uma lobectomia (remoção de um lobo da tireoide), então não será necessária a cintilografia com iodo radioativo.
Independentemente do tipo de tratamento inicial, devem ser realizados exame de ultrassom regular, geralmente 6 a 12 meses após o término do tratamento. Exames de sangue, como TSH e tireoglobulina também devem ser realizados periodicamente.
Câncer medular da tireoide
Para pacientes com câncer medular da tireoide serão solicitados exames de sangue para determinar valores de calcitonina e antígeno carcinoembrionário (CEA). Se os níveis desses exames começarem a aumentar, exames de imagem, como ultrassom do pescoço, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons, podem ser realizados para verificar se há sinais de recidiva da doença.
Registros médicos
Por mais que você queira deixar a experiência para trás ao fim do tratamento, é também muito importante que você mantenha arquivados os exames complementares e outros dados da sua jornada com o câncer.
Mantenha sempre cópias dos seguintes documentos: laudo de patologia e de qualquer biópsia ou cirurgia; relatório de alta hospitalar; relatório do tratamento radioterápico; relatórios dos tratamentos com quimioterapia, hormonioterapia, iodoterapia e terapia-alvo incluindo medicamentos utilizados, doses e tempo do tratamento; e exames de imagem. Eles podem ser úteis para novas consultas de acompanhamento ou para que você busque seus direitos.
Como diminuir o risco de o câncer progredir ou recidivar?
Se você tem (ou já teve) câncer de tireoide, provavelmente quer saber se existe algo que possa fazer para diminuir o risco de uma recidiva ou um novo câncer. Felizmente, pesquisas mostraram que existem algumas coisas que podem ser feitas para diminuir esse risco.
É importante adotar comportamentos saudáveis, como não fumar, praticar atividade física regular e manter um peso saudável. Sabe-se que esses tipos de alterações podem ter efeitos positivos na sua saúde, que podem ajudá-lo a reduzir o risco da recidiva e a protegê-lo de outros problemas de saúde.
Suplementos dietéticos
Até o momento, nenhum suplemento dietético mostrou diminuir o risco da progressão ou recidiva do câncer de tireoide. Isso não significa que nenhum suplemento ajudará, até porque pode ser necessário caso você esteja com deficiência em algum nutriente. Mas é importante saber que nenhum suplemento para tratamento ou prevenção do câncer.
Se você está pensando em tomar qualquer tipo de suplemento nutricional, converse antes com o seu médico para decidir quais você pode usar com segurança, evitando aqueles que podem ser prejudiciais.
Se o câncer voltar?
Se o câncer de tireoide recidivar em algum momento, suas opções de tratamento dependerão da localização da recidiva, de quais tratamentos já foram realizados e de seu estado geral de saúde. As opções de tratamento podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo ou alguma combinação dessas terapias.
Risco de um segundo câncer após o tratamento
Os pacientes que tiveram câncer de tireoide podem ser afetados por uma série de problemas de saúde. Mas, muitas vezes a sua maior preocupação é enfrentar o câncer novamente.
Se um câncer volta após o tratamento é chamado de recidiva. Mas alguns pacientes podem desenvolver um novo câncer, o que é chamado de segundo câncer primário. Não importa o tipo de câncer que teve, ainda é possível ter outro (novo) câncer, mesmo depois de sobreviver ao primeiro.
Infelizmente, ter passado por um câncer não significa que você não pode ter um novo câncer. Na verdade, certos tipos de tratamentos contra o câncer até são associados a um maior risco de um segundo câncer. Pacientes de câncer de rim podem ter um risco aumentado para:
- Câncer de mama (em mulheres).
- Câncer de próstata (em homens).
- Câncer de rim.
- Câncer de glândula adrenal.
O risco de câncer de glândula adrenal é especialmente alto em pacientes que tiveram câncer de tireoide medular. Os pacientes tratados com iodo radioativo, também, têm um risco aumentado de leucemia linfoide aguda, câncer de estômago e câncer de glândula salivar.
Posso diminuir o risco de ter um segundo câncer?
Existem medidas que você pode tomar para reduzir o risco e permanecer o mais saudável possível. Por exemplo, as pessoas que tiveram câncer de tireoide devem evitar fumar. O tabagismo pode aumentar ainda mais o risco de alguns tipos de câncer que são mais comuns após o câncer de tireoide.
Para ajudar a manter a boa saúde, os pacientes também devem:
- Atingir e manter um peso saudável.
- Adotar um estilo de vida fisicamente ativo.
- Consumir uma dieta saudável, com ênfase em alimentos de origem vegetal.
- Limitar o consumo de álcool.
Essas ações também podem reduzir o risco de alguns outros problemas de saúde.
Suporte emocional
Algo que ajuda muito o paciente com câncer de tireoide a enfrentar a doença é o apoio e a força que ele recebe. Independentemente de como, o importante é que você encontre em algo ou em alguém essa ajuda, seja nos familiares, nos amigos, em ex-pacientes, em sites sobre a doença, ou até em sua própria fé. Você não precisa passar por tudo isso sozinho, seus familiares e amigos podem e querem ajudar você. Não se feche na doença, esteja disposto a ouvir o que os outros têm a lhe dizer.
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 24/08/2024, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia para pacientes e familiares brasileiros.