Tiago Leifert conta detalhes do diagnóstico de retinoblastoma da filha Lua, de 1 ano e 3 meses: 'Conheci a escuridão'

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 31/01/2022 - Data de atualização: 31/01/2022

A revelação de que a filha de Tiago Leifert e Daiana Garbin está com um câncer raro nos olhos comoveu o Brasil no último sábado (29). O ex-apresentador do BBB e sua mulher divulgaram um vídeo nas redes sociais contando do diagnóstico de retinoblastoma em Lua, de 1 ano e 3 meses, e disseram que a missão de suas vidas passou a ser alertar outros pais para os perigos desta doença e primeiros sinais que podem procurar em seus filhos. Veja a entrevista completa no vídeo acima.

Eu tinha ido para o Rio para gravar 10 dias do The Voice Brasil. Quando voltei, morrendo de saudades, peguei ela no berço para brincar e vi que ela não olhou no meu olho, olhou meio de lado. Ela estava olhando para mim, mas olhando meio para lá... E falei: 'Dai, ela não olhou no meu olho.' Ela gelou.

O retinoblastoma

Leifert e Daiana levaram Lua a um oftalmologista para investigar do que se tratava. O diagnóstico foi retinoblastoma, um tipo raro de câncer que atinge principalmente crianças. O tumor se origina dentro do olho, na retina, que é uma camada muito importante do globo ocular, rica em fotorreceptores. A função dessas células é captar a luz e enviar a informação ao cérebro, gerando a visão.

O Fantástico conversou com os médicos que acompanham o tratamento de Lua e eles explicaram mais sobre o retinoblastoma.

O retinoblastoma corresponde, aproximadamente, a 3% de todos os cânceres pediátricos. Estamos falando de uma doença extremamente grave e rara. O retinoblastoma se origina nas células embrionárias da retina, dentro do olho, então é uma doença de crianças pequenas. A gente tem 95% dos casos em crianças menores do que 5 anos, que pode acontecer em um ou nos dois olhos.
— Carla Macedo, oncologista pediátrica

Os médicos ressaltam que esta doença necessita de um diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o tumor é encontrado, além da cura, aumentam as chances de se salvar o globo ocular.

Como a família recebeu a doença

A saída de Tiago Leifert da Globo foi no mesmo período que descobriu a doença da filha e iniciou os tratamentos. Ele precisou interromper as gravações do The Voice Brasil.

"Eu descobri na véspera da gravação da segunda fase. E eu ia embarcar com a Lua e Daiana no dia seguinte pra gente ir gravar e eu falei pro meu chefe, o Boninho: 'deu um problema aqui'. Contei na mesma hora e ele falou 'pelo amor de Deus, fica aí que vou dar um jeito aqui'... Eu não tenho a menor condição de fazer nada", disse Leifert. Ele destacou que apesar de ser uma pessoa alegre, enfrentou tempos difíceis.

Tiago Leifert e Daiana Garbin recebem mensagens de apoio após revelarem câncer da filha

Eu não sou uma pessoa triste, vocês me conhecem. Sou alegre, animado, mas naqueles dias conheci a escuridão.

— Tiago Leifert, sobre os primeiros dias após descobrir o câncer da filha
Leifert acrescenta: "Eu não tinha a menor condição de trabalhar, a Dai também não." Ela concorda:

"Você não consegue pensar em absolutamente mais nada. É uma dor dilacerante", diz.

Primeiros sinais da doença

Tiago Leifert conta que o que chama atenção no retinoblastoma é que os olhos da criança lembram o reflexo do brilho nos olhos de gatos. Algo que também se assemelha ao reflexo de um flash de fotografia nos olhos.

Outro sinal é o estrabismo, ou seja, os olhos desviados ou tortos. Alguns movimentos irregulares nos olhos das crianças também pode ser um indicativo.

Ao notar algum desses sinais nos olhos de crianças pequenas, médicos aconselham que ela seja levada a um oftalmologista. Eles são equivalentes a até 80% das queixas dos pais que levam os filhos aos médicos. O retinoblastoma atinge de 200 a 300 crianças no Brasil.

As causas da doença, no entanto, ainda são misteriosas. Os médicos explicam que ainda não foi descoberto se há fatores externos que podem atuar no desenvolvimento desse câncer. Mas a ciência já sabe que a doença é resultado de mutações, que levam a um crescimento descontrolado das células da retina.

Há 5 classificações da gravidade do caso de retinoblastoma. De A até E. Lua foi diagnosticada com o nível E da doença, o mais grave.

Tratamento

O tratamento para o retinoblastoma pode ser feito de várias formas. Quimioterapia, laser e até crioterapia, que é uma espécie de congelamento do tumor. Leifert lembra que já conhecia o trabalho do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graac), o que foi fundamental para começar imediatamente o tratamento na filha.

"No espaço de três e quatro dias, a gente fez tudo o que tinha que fazer", conta Leifert.

"A gente teve o diagnóstico numa quarta. Na quinta já fizemos um exame de fundo de olho no Graac, retinoblastoma bilateral nos dois olhinhos, e no dia seguinte a gente já fez uma ressonância para identificar a possibilidade de metástase", diz Daiana.

A opção pelo tratamento de Lua foi da quimioterapia.

"A gente já fez quatro sessões de quimioterapia, a quimio intra-arterial, como se fosse uma cirurgia, um cateterismo. Os médicos levaram o remédio até o olhinho. Por isso que não tem tantos efeitos colaterais. Não sabemos quantas sessões vão ser necessárias. O tratamento é um passo por vez, mas a gente está muito confiante, tem muita fé e tem certeza total da cura da nossa filha", afirma Daiana.

Fonte: G1






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