Combinação de cigarro e álcool aumenta risco de câncer

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 17/07/2019 - Data de atualização: 17/07/2019

A probabilidade de cura em tumores precoces pode chegar a 90%. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) aponta que seis a cada dez pacientes com câncer de cabeça e pescoço atendidos no Icesp já foram diagnosticados em estado avançado da doença. Isso significa chances de cura em torno de 40%, enquanto a probabilidade em tumores precoces pode chegar a 90%. A unidade é ligada à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e à Faculdade de Medicina (FM) da USP. Os tumores considerados de cabeça e pescoço são aqueles localizados na boca, faringe, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal e da tireoide. O tabagismo e o etilismo são fatores de risco para o surgimento da doença.

“Durante o Julho Verde alertamos as pessoas. Caso você tenha uma ferida, uma afta na boca, que dura mais de quinze dias. Principalmente, se você for do sexo masculino e ingeri bebida alcoólica . Até que se prove o contrário, pode ser um câncer de língua”, alerta Marco Aurélio Kulcsar, médico e chefe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Icesp. O aviso serve também àqueles com rouquidão que se prolonga por mais de duas semanas, ou tenham alguma dificuldade para engolir.

Vistos esses sintomas é importante buscar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. “O cidadão tem de exigir o direito a exame específico para se certificar. Deve procurar atendimento e dizer: ‘tenho tal desconforto, há mais de quinze dias. Eu fumo e bebo. Quero um exame.’ Se não tem naquela UBS, ele deve procurar a Assistência Médica Ambulatorial (AMA) mais próxima”, afirma Kulcsar.

A combinação entre bebidas alcoólicas e cigarro aumenta a chance de câncer em 20 vezes. E não só o cigarro industrial é problemático. Maconha e narguilé também causam calor e liberam substâncias tóxicas. A má higiene bucal ao longo prazo também é preocupante. “Colônias de bactérias liberam aldeídos, também produtos da combustão do tabaco”, indica o especialista.

O médico diz que o diagnóstico precoce, além de aumentar a chance cura, barateia o tratamento e aumenta a qualidade da vida após o procedimento operatório. “Em casos mais graves, deve-se tirar toda a língua do paciente. Pense na dificuldade para falar e comer dessa pessoa. Encontrado cedo o tumor, extrai-se aquela lesãozinha de um centímetro sem maiores sequelas. A terapia não acaba na sala de cirurgia. Existe um acompanhamento feito por equipe multidisciplinar. O enfermo tem de ser reinserido na sociedade”, esclarece. 

“Em casos de tumor na laringe, o avanço do quadro pode ocasionar em uma laringectomia total. Ou seja, a remoção completa das cordas vocais”, explica o especialista. A medidas são drásticas, pois a metástase (propagação do câncer) destas categorias de tumor é rápida. Os tratamentos indicados são quimioterapia, radioterapia e cirurgias localizadas. A necessidade básica é o acompanhamento por profissionais especializados.

Mais raro, existe o câncer nas cavidades nasais. Também relacionado ao tabagismo e etilismo (consumo de cigarro e álcool), seus sinais são sangramentos, e secreções fétidas pelo nariz, normalmente acompanhado por sensação de obstrução das vias aéreas.

Menos grave é o câncer de tireoide. Sua taxa de mortalidade está abaixo de 5%. Pode ser diagnosticado em um exame clínico simples, segundo Kulcsar. “O médico pede ao paciente para beber um copo d’água, e procura algum nódulo que sobe e desce durante o ato. É um quadro comum em mulheres com mais de 50 anos. Porém, há muitas mulheres jovens submetidas a exames de ultrassom sem sequer uma análise prévia, sendo que são tumores menos agressivos. Mesmo em casos avançados, a sobrevida do paciente é quase sempre assegurada”, descreve.

Fonte: Jornal da USP

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