Câncer no testículo, como de Jean Pyerre, requer retirada do órgão, mas tem alto índice de cura

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 07/02/2022 - Data de atualização: 07/02/2022

Após chegar como jogador emprestado no Girensunspor, da Turquia, Jean Pyerre, 23, ex-meia do Grêmio, foi diagnosticado com câncer no testículo.

O problema foi detectado durante exames requisitados pelo clube de futebol e, de acordo com anúncio feito em seu Instagram, o atleta voltará ao Brasil para fazer o tratamento com médicos de sua confiança em Porto Alegre.

De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o tumor de testículo corresponde a 5% do total de casos de câncer entre os homens e sua incidência é maior naqueles em idade produtiva - entre 15 ao 35 anos.

É facilmente curado quando detectado precocemente e apresenta baixo índice de mortalidade - estima-se que até 95% das pessoas diagnosticadas consigam a remissão do câncer. Para o tratamento, é necessário retirar todo o testículo.

"Depois que um ultrassom confirma o quadro, não é feita a biópsia pelo risco de disseminar o tumor. Como a biópsia é necessária para definir o tratamento mais adequado, opta-se pela retirada do testículo inteiro, e não só da lesão", aponta Michel Vitor Haddad, urologista do Hospital Japonês Santa Cruz (SP).

Apesar disso, explica o médico, a falta de um dos testículos não interfere na questão hormonal ou sexual, já que um testículo só é capaz de produzir toda a testosterona que um homem precisa para manter o organismo funcionando normalmente.

Diagnóstico e sintomas do câncer de testículo

O tumor costuma ser silencioso e muitas vezes é descoberto de forma acidental. "Muitos homens acham a lesão por exames de rotina, por sentirem o nódulo ou por prestarem mais atenção na área após tomar uma bolada, por exemplo", diz Haddad, reforçando que chutes pancadas na região não têm nenhuma relação causal com o aparecimento do câncer.

Pessoas com histórico familiar do problema são as mais acometidas, por carregarem mutações hereditárias. Entre os sinais mais comuns, estão:

· Inchaço no testículo;

· Nódulo duro, geralmente indolor, aproximadamente do tamanho de uma ervilha;

· Dor imprecisa na parte inferior do abdômen;

Como é o tratamento?

O tratamento do câncer de testículo depende do estágio e do tipo doença.

Após a retirada do testículo, a biópsia é feita para que os médicos descubram o subtipo do tumor, que pode ser seminoma - que tende a se espalhar mais lentamente, ou não-seminoma - mais agressivos, mas também um pouco menos frequentes. No caso do atleta Jean Pyerre, não foram divulgadas características específicas sobre o quadro.

Se o tratamento requerer apenas a retirada do testículo e não necessitar de outros tratamentos, a pessoa pode retornar às atividades normais após um período entre um a dois meses, o que não deve impactar em prejuízos grandes para a carreira do atleta.

"Já se o tumor se espalha para o saindo do testículo para o retroperitônio, espaço localizado atrás da cavidade abdominal, ou ainda para outros órgãos como fígado e pulmão, terapias complementares como quimioterapia são necessárias", indica Roni Fernandes, vice-presidente da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).

Para diminuir o impacto estético da cirurgia, Fernandes explica que é possível colocar uma prótese.

E se o paciente tem uma evolução gradual para um quadro mais graves, há a alternativa de retirar seu sêmen enquanto ainda está fértil para que ele seja capaz de gerar filhos no futuro.

Homens tendem a cuidar menos da saúde

Uma pesquisa recente da SBU mostrou que apenas 33% dos homens relatam ir regularmente ao urologista. A análise foi feita em 22 estados, mas especialistas apontam que a porcentagem tende a ser menor fora das grandes capitais e em determinados estados.

Dados do Ministério da Saúde sobre a queda do exame de biópsia da próstata, usado para detectar câncer de próstata, ilustram essa realidade. Entre 2019 e 2020 a redução do teste foi bastante representativa no Acre (90%), Mato Grosso (69%) e Rio Grande do Norte (50%).

Por isso, aponta Roni Fernandes, o debate sobre o tema é tão importante e deve ser incentivado. "As chances de cura são muito maiores quando o tumor é descoberto precocemente. No caso do câncer de testículo, os jovens devem se acostumar a fazer o autoexame, apalpando os testículos durante o banho. Se encontrarem alguma nodulação, é urgente procurar um urologista, assim como se deve fazer ao notarem qualquer alteração anormal na região."

Fonte: BBC Brasil 






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