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Robustez Física: o que é e como pode ajudar no combate ao câncer

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 17/10/2016 - Data de atualização: 17/10/2016


O conceito da "robustez física”, conjecturado pelos pesquisadores desde o final da década de 80, foi apresentado em 2007 e relaciona o sucesso do tratamento anticâncer ao nível de aptidão física (aptidão cardiorrespiratória e de força) do paciente.

Há dez anos, pesquisadores de Copenhagen (Dinamarca) realizaram um grande estudo retrospectivo que analisou o nível de fadiga enfrentado por mulheres com câncer de mama durante o tratamento. Após a análise dos dados de 1588 pacientes, chegaram à conclusão que quanto menor a fadiga sofrida, maior foi a sobrevida e menor a chance de recidivas. Os autores, para explicar este achado, apresentam o conceito da robustez física e mental: as pacientes mais bem preparadas física e emocionalmente apresentaram menor suscetibilidade aos efeitos colaterais do tratamento, no caso, a fadiga. Como consequência, alterou-se menos a rotina farmacológica – aumento da eficácia terapêutica.

Passados três anos, na primeira revisão específica sobre o assunto, este conceito ganha a sua real importância. É encontrada uma clara relação inversa entre quantidade de exercícios realizada durante o tratamento e a mortalidade dos pacientes. Sua relevância está em indicar que não é só possível aumentar a aptidão física dos pacientes durante o tratamento, mas também que esta resposta é suficiente para melhorar a eficácia do tratamento. Mesmo um paciente sedentário que começar a treinar após o diagnóstico pode melhorar suas capacidades físicas e se beneficiar destes resultados.

Pouco tempo depois, à luz destes achados, o pesquisador brasileiro Cláudio Battaglini, juntamente com sua equipe na Universidade da Carolina do Norte (E.U.A.), avaliaram a aptidão cardiorrespiratória de 32 pacientes com câncer hematológico antes de realizarem o transplante de medula óssea. Constataram que os pacientes com baixa capacidade aeróbica (VO2pico ≤16 ml/kg/min) foram os que, após este procedimento,  sofreram com maior carga de sintomas, pior qualidade de vida e maior probabilidade de morte. A sugestão dos autores foi que pacientes com baixa robustez física deviam participar de um programa de exercícios físicos antes do transplante, com o propósito de aumentar o sucesso do tratamento. Para mostrar a viabilidade desta proposta, um novo estudo foi realizado em que 40 pacientes pré-transplante treinaram durante 6 semanas (30’ 3x semana com intensidade progressiva). A aptidão cardiorrespiratória foi avaliada antes e depois da intervenção e os resultados, recém publicados, mostraram um significante aumento no VO2pico de 3,7 ml/kg/min. Por ser um estudo muito recente, ainda faltam os desfechos relacionados aos efeitos colaterais do tratamento e sobrevida destes pacientes.

Corroborando estes resultados e fortalecendo o conceito da robustez física, pesquisadores da Universidade de Nagoya (Japão), constataram que pacientes pré-cirurgia de câncer de fígado e pancreático com baixo desempenho no teste de caminhada de 6 minutos (≤400mts.) também foram os que tinham maior chance que desenvolver complicações após a cirurgia e baixa sobrevida.

O mais importante é entender que a realização de exercícios é viável, segura e produz resultados positivos durante o tratamento e, que o aumento das capacidades físicas pode ser a garantia de êxito no tratamento. Em um país como o Brasil, onde cirurgias demoram meses para ser realizadas, imagine o quanto os pacientes poderiam ganhar realizando treinamento físico enquanto esperam a sua vez. Poderíamos ter um quadro muito mais favorável no índice de qualidade de vida dos pacientes e no de cura do câncer. Enquanto esperamos por uma política de saúde pública mais eficaz, vamos treinar e melhorar a nossa robustez física!

Artigos citados:

  • Groenvold, Mogens, et al. "Psychological distress and fatigue predicted recurrence and survival in primary breast cancer patients." Breast cancer research and treatment 105.2 (2007): 209-219
  • Barbaric, Mary, et al. "Effects of physical activity on cancer survival: a systematic review." Physiotherapy Canada 62.1 (2010): 25-34
  • Wood, William Allen, et al. "Cardiopulmonary fitness in patients undergoing hematopoietic SCT: a pilot study." Bone marrow transplantation 48.10 (2013): 1342-1349
  • Wood, W. A., et al. "Personalized home-based interval exercise training may improve cardiorespiratory fitness in cancer patients preparing to undergo hematopoietic cell transplantation." Bone marrow transplantation (2016)
  • Hayashi, Kazuhiro, et al. "Preoperative 6-minute walk distance accurately predicts postoperative complications after operations for hepato-pancreato-biliary cancer." Surgery (2016)

Até a próxima...
Rodrigo Ferraz



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