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Relato de uma pioneira no tratamento do Câncer da mama

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 14/10/2015 - Data de atualização: 04/02/2016


Aproveitando o Outubro Rosa, o mês da conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico do câncer, convidei uma das figuras mais importantes do mundo na área para falar das inovações que ela promoveu nos estudos sobre atividade física e câncer de mama.

A Dra. Roanne Segal é uma renomada pesquisadora, doutora em medicina oncológica, professora associada de Medicina da Universidade de Ottawa, Canadá. Foi responsável pela publicação, em 2001, de um dos mais importantes estudos científicos sobre os efeitos do exercício em pacientes com câncer de mama, considerado um marco na área, pois até a sua publicação este tipo de intervenção levantava muitas dúvidas sobre a sua eficácia e segurança. O estudo contou com um grande número de pacientes treinados, foi publicado em uma das revistas científicas mais importantes na área de oncologia e seus resultados foram irrefutáveis: sim, é possível treinar durante o tratamento! Além de ser viável, o exercício promove inúmeros benefícios!

Apresento na íntegra a tradução do texto que a Dra. Roanne escreveu com exclusividade para esta coluna sobre a sua experiência com este estudo e as barreiras encontradas na época.

"O câncer de mama é um dos tipos de câncer mais comuns entre as mulheres em todo o mundo. A detecção precoce e a melhoria nos tratamentos resultaram em aumento nas taxas de sobrevida; atualmente em 80% dos casos estima-se uma sobrevivência relativa de cinco anos. Essas melhorias vieram com o custo das sequelas múltiplas resultantes de terapias que associam cirurgia, radioterapia, quimioterapia sistêmica e/ou tratamento hormonal. Além do padrão de toxicidade destes tratamentos, também existem reduções adicionais significativas em muitos aspectos de qualidade de vida, na força e no condicionamento cardiovascular.

Tanto durante quanto após a conclusão destas terapias, as mulheres queixavam-se de cansaço e o que se seguia era a resposta médica tradicional: descansar. Vindo de um histórico ligado à Fisioterapia, esta recomendação parecia ser contraintuitiva. Tínhamos também um crescente corpo de literatura, tanto para o envelhecimento em uma população adulta saudável, bem como nos sintomas daqueles que viviam com doenças crônicas e que a atividade física poderia melhorá-los. Era necessária uma pesquisa objetiva que comprovasse os benefícios do exercício em mulheres que viviam com câncer de mama.

Inicialmente foram encontradas muitas barreiras, incluindo a resistência de comitês de ética científica, bem como de colegas da oncologia. As preocupações incluíam: não seria seguro para estas mulheres se exercitarem enquanto elas estavam recebendo a sua quimioterapia;  as próprias mulheres não iriam querer participar destes programas, e se de fato o fizessem, elas seriam incapazes, por estarem cansadas, de realizar qualquer dos exercícios propostos.

Finalmente, foram expressas graves preocupações sobre a resposta cardíaca aguda ao esforço, assim de como seria o padrão de atendimento para as mulheres que utilizavam drogas que poderiam apresentar cardiotoxicidade a curto e em longo prazo.

À época, este foi um dos primeiros estudos que se ariscou a fazer esta pergunta e provou que o exercício não só é seguro, mas relevante para essas mulheres. Temos agora revisões sistemáticas e diretrizes comprovando que o exercício é uma intervenção eficaz para melhorar a qualidade de vida, a aptidão cardiorrespiratória, funcionamento físico e fadiga.”

Dra. Roanne Segal

Confira a versão original do relato (Em inglês).

Agradeço a Dra. Roanne por este magnífico relato e é com ele que eu gostaria de prestar homenagem às pessoas que foram e ainda são importantes para a evolução do tratamento do câncer de mama. Pesquisadores que contrariaram as normas da época e, por causa de suas atitudes ousadas, inspiraram a ciência, permitindo aos pacientes com diagnóstico de câncer de mama viver cada vez mais e melhor.

Referência:

  • Segal, Roanne, et al. "Structured exercise improves physical functioning in women with stages I and II breast cancer: results of a randomized controlled trial." Journal of Clinical Oncology 19.3 (2001): 657-665.

Até a próxima...
Rodrigo Ferraz



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