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Quimioterapia para leucemia linfoide aguda (LLA)

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 03/07/2015 - Data de atualização: 08/09/2022


A quimioterapia utiliza medicamentos anticancerígenos para destruir as células tumorais. Por ser um tratamento sistêmico, a quimioterapia atinge não somente as células cancerígenas senão também as células sadias do organismo. De forma geral, a quimioterapia é administrada por via venosa, embora alguns quimioterápicos possam ser administrados por via oral.
 
A quimioterapia é o principal tratamento para quase todos os pacientes com leucemia linfoide aguda. Devido aos seus potenciais efeitos colaterais, a quimioterapia pode não ser indicada para pacientes com problemas de saúde, mas a idade avançada por si só não é uma barreira para o tratamento quimioterápico.
 
A quimioterapia para leucemia linfoide aguda é geralmente dividida em 3 fases:

  • Indução, que é curta e intensa, geralmente dura cerca de um mês.
  • Consolidação (intensificação), que também é intensiva, normalmente dura alguns meses.
  • Manutenção (pós-consolidação), que é menos intensiva, geralmente dura cerca de dois anos.

A quimioterapia é administrada em ciclos, com cada período de tratamento seguido por um período de descanso, para permitir que o corpo possa se recuperar. Cada ciclo de quimioterapia dura em geral algumas semanas.
 
A maioria dos tratamentos quimioterápicos não atinge as áreas do cérebro e medula, por isso pode ser necessário injetá-la diretamente no líquido cefalorraquidiano (quimioterapia intratecal) para matar células cancerígenas nessa área. A quimioterapia intratecal pode ser administrada durante uma punção lombar ou usando um cateter especial (reservatório Ommaya).
 
Os medicamentos quimioterápicos mais frequentemente usados no tratamento da leucemia linfoide aguda incluem:

  • Vincristina.
  • Daunorubicina ou  doxorrubicina.
  • Citarabina.
  • L-asparaginase ou PEG-L-asparaginase.
  • 6-mercaptopurina.
  • Metotrexato.
  • Ciclofosfamida.
  • Prednisona.
  • Dexametasona.
  • Nelarabine.

Possíveis efeitos colaterais
 
Os quimioterápicos não só atacam as células cancerígenas, mas também células normais (tratamento sistémico), o que pode levar a efeitos colaterais. Os efeitos colaterais dependem do tipo de medicamento, da dose administrada e da duração do tratamento. Os efeitos colaterais frequentes à maioria das drogas quimioterápicas podem incluir:

  • Perda de cabelo.
  • Inflamações na boca.
  • Perda de apetite.
  • Náuseas e vômitos.
  • Diarreia ou constipação.
  • Infecções, devido a diminuição dos glóbulos brancos.
  • Hematomas ou hemorragias, devido a diminuição das plaquetas.
  • Fadiga e falta de ar, devido a diminuição dos glóbulos vermelhos.

Esses efeitos são geralmente de curto prazo e tendem a desaparecer ao término do tratamento. No entanto, mantenha o médico informado sobre qualquer sintoma, pois a maioria desses efeitos pode ser manejada de forma eficaz.
 
Diminuição dos glóbulos brancos. Alguns dos efeitos colaterais mais importantes da quimioterapia são provocados pela diminuição dos glóbulos brancos do sangue. Muitas vezes precisam ser administrados antibióticos e medicamentos para prevenir infecções fúngicas e virais antes que o paciente apresente sinais de infecção ou ao primeiro sinal de que uma infecção possa estar se desenvolvendo, como uma febre. Também podem ser administrados medicamentos conhecidos como fatores de crescimento, como filgrastim, pegfilgrastim e sargramostim, para ajudar na recuperação dos glóbulos brancos e reduzir a possibilidade de infecção.
 
Diminuição das plaquetas. No caso em que a contagem de plaquetas se mostre muito baixa pode ser necessária a realização de transfusões de plaquetas para ajudar a proteger contra sangramentos.
 
Diminuição dos glóbulos vermelhos. A falta de ar e fadiga causada pela anemia pode ser tratada com medicamentos ou com transfusões de sangue.
 
Efeitos colaterais específicos. Determinados medicamentos podem causar efeitos colaterais específicos, como, por exemplo:

  • Citarabina. Especialmente quando administrada em altas doses, pode causar secura nos olhos e afetar certas partes do cérebro, o que pode levar a problemas de coordenação e equilíbrio.
  • Vincristina. Pode provocar neuropatia, o que pode levar a dormência, formigamento ou fraqueza nas mãos ou pés.
  • Antraciclinas. Pode provocar problemas cardíacos, portanto, a dose total precisa ser observada de perto, e esses medicamentos não podem ser administrados em pacientes com problemas no coração.

Segundo tipo de câncer. Um dos efeitos colaterais mais importantes é o risco de contrair leucemia mieloide aguda mais tarde. Isso ocorre em uma pequena porcentagem de pacientes após terem recebido certos medicamentos quimioterápicos. Com menos frequência, alguns pacientes podem desenvolver mais tarde linfoma não Hodgkin ou outros tipos de câncer. Entretanto, o risco de contrair esses segundos tipos de câncer deve ser equilibrado com o benefício óbvio de tratar uma doença com risco de morte, como a leucemia com quimioterapia.
 
Síndrome de lise tumoral. Esse efeito colateral é mais frequente em pacientes que têm um grande número de células leucêmicas no organismo, por isso é visto com mais frequência na fase de indução do tratamento. Quando a quimioterapia destrói as células leucêmicas, elas se abrem e liberam seu conteúdo na corrente sanguínea, o que pode sobrecarregar os rins, que não conseguem se livrar de todas essas substâncias. Quantidades excessivas de determinados minerais podem afetar o coração e o sistema nervoso. Isso muitas vezes pode ser evitado com a administração de líquidos extras durante o tratamento e da administração de determinados medicamentos, como bicarbonato, alopurinol e rasburicase, para ajudar o organismo a eliminar essas substâncias.
 
Para saber mais, consulte nosso conteúdo sobre Quimioterapia.
 
Para saber se o medicamento que você está usando está aprovado pela ANVISA acesse nosso conteúdo sobre Medicamentos ANVISA.
 
Para saber mais sobre alguns dos efeitos colaterais listados aqui e como gerenciá-los, consulte nosso conteúdo Efeitos Colaterais do Tratamento.
 
Texto originalmente publicado no site da American Cancer Society, em 22/10/2018, livremente traduzido e adaptado pela Equipe do Instituto Oncoguia.



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