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Qual deve ser a intensidade dos exercícios aeróbios no paciente com câncer?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 18/12/2015 - Data de atualização: 04/02/2016


Uma das maiores dúvidas enfrentadas na prescrição de exercícios físicos para pacientes oncológicos é a sua intensidade. Ela representa o quanto de esforço é necessário para executar uma determinada tarefa, quanto mais esforço se faz para realizar o exercício, maior é a sua intensidade. Sabemos que o tratamento anticâncer (radio+quimioterapia) provoca alterações fisiológicas (diminuição da capacidade cardíaca, pulmonar e do sistema vascular, redução da concentração de hemoglobina e diminuição da capacidade oxidativa do músculo) que podem limitar consideravelmente a capacidade física do paciente.

Entretanto, na tentativa de retardar estes efeitos e melhorar a qualidade de vida, a Ciência é categórica em afirmar que, durante e após o tratamento, o paciente deve realizar exercícios. A questão é: qual é a intensidade adequada para promover benefícios sem esforçar demais o paciente?

No sentido de elucidar esta questão, em 2010, pesquisadores do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM – American College of Sports Medicine) se reuniram com o objetivo de escrever um guia para prescrição de atividade física em pacientes sobreviventes de câncer. Após analise de inúmeros artigos científicos publicados, chegaram ao consenso que, para exercícios aeróbios (ex. caminhada/corrida, bicicleta, natação, etc.) a recomendação é de 150 minutos por semana para intensidades moderadas ou 75 minutos por semana para exercícios intensos (vigorosos). Os parâmetros fisiológicos de intensidade usados nesta prescrição devem ser os mesmos da tabela de prescrição para indivíduos saudáveis da ACSM. Segundo esta tabela, intensidade moderada equivale a valores entre 64 a 76% da frequência cardíaca máxima (FCmáx) e intensidade vigorosa equivale a 77 – 95 %FCmáx.

Os valores da FCmáx e do VO2máx são obtidos a partir de teste de aptidão cardiorrespiratória (ergoespirométrico). Além de fornecer estes valores, o teste também serve para avaliação da função cardiovascular frente ao esforço físico, importante na liberação para a prática de exercícios, principalmente aos pacientes que estão em terapia cardiotóxica. A partir da fórmula de Karvonen (FCmáx = 220 – idade) também é possível estimar a FCmáx. Entretanto, embora amplamente aceito, este cálculo pode ser impreciso e não deve substituir a realização do teste.

Sabendo dos efeitos deletérios do tratamento, pesquisadores alemães do Departamento de Oncologia Médica do Hospital Universitário de Heidelberg, na Alemanha, realizaram estudo comparando os valores de intensidade obtidos a partir de teste ergoespirométrico em 52 pacientes que tinham acabado de completar o primeiro ciclo de quimioterapia adjuvante para câncer de mama com os valores preditos pelo ACSM. De fato, os valores obtidos apontam uma redução da condição cardiorrespiratória das pacientes em 17% - valores referentes ao volume máximo de oxigênio consumido (VO2máx) - quando comparados ao grupo saudável. Contudo, a FCmáx foi o único parâmetro, dentre os analisados, que parece estar de acordo com a tabela da ACSM.

Do ponto de vista prático, isto significa que, em pacientes com câncer de mama:

  • As alterações fisiológicas provocadas pelo tratamento realmente influenciam na capacidade cardiorrespiratória.

  • Estas debilidades devem ser ponderadas na prescrição do exercício e a sensação do paciente frente ao esforço precisa ser considerada para ajustes de intensidade.

  • Podemos utilizar as recomendações do ACSM, principalmente quando usamos a Frequência Cardíaca Máxima como parâmetro de esforço.

Diante do exposto, fica claro que, a individualização da prescrição do exercício é a melhor estratégia para obter os melhores resultados com segurança.

Ressalto que quem deve liberar o paciente para a prática de exercícios é o médico responsável pelo tratamento, que os ajustes propostos acima se referem a uma amostra específica e que, como estratégia inicial de treinamento, a intensidade moderada pode ser a mais adequada e tolerável.

Quer saber mais sobre os artigos citados no texto?

  • PANEL, EXPERT. "American College of Sports Medicine roundtable on exercise guidelines for cancer survivors." (2010): 1409-1426.

  • Garber, Carol Ewing, et al. "American College of Sports Medicine position stand. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise." Medicine and science in sports and exercise 43.7 (2011): 1334-1359.

  • Scharhag-Rosenberger, Friederike, et al. "Exercise training intensity prescription in breast cancer survivors: validity of current practice and specific recommendations." Journal of Cancer Survivorship (2015): 1-8.

Bons treinos e até a próxima...
Rodrigo Ferraz



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