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Quais são os benefícios dos exercícios nos pacientes em tratamento

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 02/06/2015 - Data de atualização: 04/02/2016


Quais são os Benefícios dos Exercícios nos Pacientes em Tratamento

É seguro e eu posso treinar? Como e onde fazê-lo? Quais são os benefícios dos exercícios? Estas são as perguntas mais frequentes que ouço desde que resolvi me dedicar ao estudo e atendimento de pacientes com câncer. Pensando nelas, escreverei três textos, um para cada questão, com o objetivo de elucida-las e revelar o "estado da arte” da ciência e a minha experiência prática nos respectivos temas.

Neste meu primeiro texto, o tema é: "Quais são os benefícios dos exercícios nos pacientes em tratamento”. Porém antes de menciona-los, é preciso voltar ao final dos anos 1980 e entender como tudo começou.

Os pioneiros Drs. Winningham e MacVicar, dois enfermeiros da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, realizaram em 1988 um estudo que investigou a eficácia de 10 semanas de treinamento aeróbio sobre a capacidade funcional, composição corporal e incidência de náuseas em 45 mulheres que recebiam quimioterapia adjuvante convencional para o câncer de mama operável. A justificativa para tal julgamento era que este tipo de tratamento provoca a inatividade física (descondicionamento) que, por sua vez, resulta na piora de vários, senão em todos os componentes orgânicos do sistema cardiovascular, levando a sintomas clínicos e condições evidentes. Em contraste, com base nos benefícios estabelecidos em populações saudáveis, o treinamento físico aeróbio poderia ser uma estratégia eficaz para prevenir o surgimento destes sintomas/condições clínicas associados ao sedentarismo em pacientes com câncer. Atualmente, um julgamento dessa natureza seria considerado relativamente simples. No entanto, na época, testar a eficácia do treinamento físico foi uma ideia radical, contrastando diretamente com a recomendação padrão para pacientes submetidos a terapia citotóxica - para descansar e evitar o exercício. Este julgamento, no entanto, demonstrou que o treinamento aeróbio não só era viável, seguro e aceitável, uma importante descoberta em si mesmo, mas que também causou melhorias significativas na capacidade aeróbia, composição corporal, e nas náuseas relatadas pelas pacientes.

Após a publicação deste estudo, estava aberta a estrada. Porém, o interesse na área de exercício e oncologia permaneceu limitado e poucos estudos foram realizados nos anos que se seguiram. Apenas em 1997, o Dr. Fernando Dimeo publicou o primeiro estudo realizado na Europa (Alemanha). Neste estudo, a realização de 30 minutos diários de exercícios aeróbios durante a internação resultou em atenuação do descondicionamento físico, da dor, diarreia e diminuiu o tempo de internação de pacientes que realizaram quimioterapia em esquema de alta dosagem. Contudo, o real reconhecimento da comunidade científica só é conquistado em 2001 com a publicação de um grande e bem controlado estudo realizado pelo Dr. Segal em uma revista cientifica de grande impacto no meio médico (Journal of Clinical Oncology). Os resultados encontrados foram similares aos achados pelos Drs. Winningham e MacVicar, mas o que realmente provocou tamanho reconhecimento foi o número de pacientes treinados: 121 mulheres em quimioterapia adjuvante para câncer de mama. A partir de então, o interesse na área aumentou significativamente juntamente com o número de publicações.

Os estudos, em sua grande maioria, procuraram mostrar a efetividade de diversos protocolos de treinamentos, variando em intensidade, volume e modalidade, nas variáveis relacionadas aos efeitos colaterais dos tratamentos de diversos tipos de câncer. Também evidenciaram a importância do exercício antes, durante e após estes tratamentos. De forma resumida, podemos citar os principais benefícios que já possuem eficácia comprovada:

Melhora – Função cardiovascular, concentração de hemoglobina (glóbulos vermelhos), sensibilidade à insulina, HDL (colesterol "bom”), força, potência, resistência, funcionalidade e massa muscular, densidade óssea, amplitude de movimento (flexibilidade) e sistema imunológico.

Redução – Fadiga crônica, ansiedade (depressão), distúrbios do sono, LDL (colesterol "ruim”) e gordura corporal.

O próximo passo nas pesquisas será compreender melhor todos os mecanismos envolvidos e de que maneira o exercício pode potencializar os resultados dos tratamentos.

Atualmente, a aplicação de protocolos de atividade física em pacientes durante o tratamento é amplamente aceita no meio médico, sendo considerada por muitos como parte integrante do tratamento do câncer.

Para quem gostou e quer saber mais sobre o assunto, duas sugestões de leitura (em Inglês):

  • Jones, Lee W., and Catherine M. Alfano. "Exercise-oncology research: past, present, and future."Acta oncologica 52.2 (2013): 195-215.
  • Spence, Rosalind R., Kristiann C. Heesch, and Wendy J. Brown. "Exercise and cancer rehabilitation: a systematic review."Cancer treatment reviews 36.2 (2010): 185-194.

Até a próxima...
Rodrigo Ferraz



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