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Pacientes reclamam de demora no resultado de biópsia, que atrasa início do tratamento do câncer em Mogi

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 06/06/2019 - Data de atualização: 06/06/2019


Pacientes e até funcionários do Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, denunciam a demora no resultado de biópsias para o tratamento do câncer. O hospital é referência na região no atendimento oncológico, mas sem os laudos das biópsias concluídos, o tratamento não começa ou fica interrompido e o especialista nada pode fazer.

A produção do Diário TV recebeu imagens de uma sala do hospital. Dentro de sacos plásticos e frascos estão amostras biológicas. São fragmentos de tumores e até órgãos do corpo com câncer que passam pela análise microscópica, que dá o resultado da biópsia.

Um funcionário do hospital que viu a situação aceitou dar entrevista, sem ser identificado. Segundo ele, o acúmulo de materiais é por causa da demora pra realizar os exames.

“Ali tem tudo: peça cirúrgica, paciente que foi operado com câncer de mama, câncer de estômago, câncer do intestino, fígado, enfim. Ele opera, o material fica naquele canto, aguardando, para ser processado e assim o paciente espera sem saber o que realmente acontece frente à demora. Eu acho que guardar peça cirúrgica no chão, no saco plástico é desumano, a mama jogada lá num canto qualquer aguardando é questão de humanidade, de respeito, de cuidado com a vida humana.”

O material orgânico segue para um laboratório terceirizado na capital e o funcionário também denuncia a lentidão para os laudos ficarem prontos. "Tem alguns exames que já chegou a demorar até 4 meses, de paciente com linfoma, câncer de pele. Tinha um paciente na UTI com linfoma, com dor, esperou e acabou levando à óbito. Ele precisava daquele resultado para poder tratar o câncer e lutar contra o câncer".

A biópsia é o primeiro passo para tratar o câncer. Sem ela o oncologista não pode iniciar nenhum tipo de procedimento. Com um nódulo no seio, Taís da Silva Rocha teve que esperar meses pelo resultado e pelo exame complementar, chamado himunostoquímico.

"Depois da primeira mamografia eu fui pro AME passar pelo primeiro mastologista. Aí lá pediram outros exames: ultrassonografia e a biópsia. Então colhi o material para biópsia em fevereiro de 2018 e ele só ficou pronto em maio de 2018. Muito tempo para quem está com câncer invasivo.”

Depois de meses de quimioterapia, ela retirou a mama e precisava de uma nova biópsia para começar outra etapa no tratamento. Taís conta que foram mais três meses de espera. "Inclusive o médico ficou nervoso. Ele mesmo foi solicitar pessoalmente no laboratório o resultado do exame. Ele saiu da sala, se levantou e foi lá até o laboratório pessoalmente cobrar porque que não tinha saído ainda, já com quase 90 dias", conta.

O linfoma de Antônio Pereira Leite recuou, mas ele recebe remédios do Grupo de Apoio à Pessoa com Câncer (GAPC) e encontrou apoio na pior fase da doença, quando ainda esperava pelo resultado da biópsia em 2018. “Demorou três meses e cinco dias. Foram 95 dias para sair o resultado e para eu dar entrada e começar a me tratar. Dor e mais dor e eu tinha que esperar.”

O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Sérgio Simon, não se conformou quando soube do tempo de espera de três meses para o resultado de biópsias no Hospital Luzia de Pinho Melo.

"Esse tempo é absolutamente inaceitável. O tumor está em crescimento constante, três meses podem fazer bastante diferença no tratamento e na chance de cura do paciente. Um prazo bastante razoável para se conseguir uma biópsia completa com complemento de imunohistoquímica é de 15 dias, 3 meses não é aceitável".

O oncologista afirma que na rede particular a biópsia fica pronta em três ou quatro dias e explica a importância do exame chamado imunoistoquímico. "Sem ele a gente não consegue definir o tratamento por vários fatores, então, por exemplo, um câncer de mama, eu não estou autorizado a iniciar nenhum tratamento sem que a biópsia com a imunoistoquímico defina que tipo de tratamento essa paciente vai precisar. Então é fundamental que esse exame seja completo e ele seja terminado num prazo razoável, dentro de até 15 dias.”

Uma pesquisa inédita feita pelo Ibope a pedido de uma ONG mostra que o câncer está presente na vida de muitos brasileiros. O levantamento apontou que 81% dos entrevistados afirmaram que têm contato direto com alguma pessoa com a doença. Entre vários aspectos a pesquisa também quis saber quais são os maiores obstáculos para o tratamento e 30% responderam que é justamente a dificuldade em conseguir fazer uma biópsia em pouco tempo.

A ONG Oncoguia, que encomendou a pesquisa fica na capital e recebe ligações do país inteiro. Dos mais de 3 mil atendimentos até hoje, 40% foram de reclamações no primeiro atendimento. "Hoje a gente vê um paciente jogado num labirinto escuro e que ele se sente completamente inseguro, com medo. Ele não sabe qual é o próximo passo, ele não tem informação disponível e, infelizmente, ele demora muito para conseguir sair", explica a presidente da ONG Luciana Holtz.

Desde 2012 uma lei federal determina que todo paciente com câncer no país tenha acesso ao tratamento contra o câncer em até 60 dias. O problema está no ponto de partida deste prazo que passa quando o laudo patológico, ou seja, a biópsia, ficar pronto.

A presidente da Oncoguia é psico-oncologista, especialista nas consequências emocionais do câncer, e ela afirma: a demora até o diagnóstico pode causar sérios abalos psicológicos. “Se ela não realmente tiver uma força de vontade, um cuidado, uma família ali ajudando adequadamente, uma rede de apoio, a chance de ela ficar deprimida e ter um impacto muito grande no emocional é muito grande".

Foi o que quase aconteceu com Taís. "Você sabe que tem o tratamento, sabe que pode se tratar e a coisa não sai por questões burocráticas. É deprimente, é terrível isso. É uma fase, que se eu não tivesse muita fé em Deus, eu teria entrado em depressão antes de começar a me tratar.”

Em nota, a Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo disse que a região do Alto Tietê conta com um centro oncológico amplo e moderno no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo e que a unidade integra a Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer e oferece atendimento integral ao paciente com câncer, permitindo o acompanhamento a partir do diagnóstico até a última fase do tratamento, dispondo de quimioterapia, hormonoterapia, radioterapia, atendimento multiprofissional, atendimento médico e cirurgias oncológicas.

A secretaria ainda acrescentou que a maior parte das biópsias feitas na unidade leva 15 dias para o resultado, período que pode variar conforme a complexidade do caso e que todo o diagnóstico é realizado pelo sistema único de saúde e os casos mais graves e urgentes são priorizados, seguindo também as diretrizes do SUS.

Para quem quiser ajudar o GAPC, o telefone para informações é o 4726-6575. Já o contato da Oncoguia, de São Paulo, é o 0800-773-1666.

Matéria publicada pelo portal G1 em 05/06/2019. 



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