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Oscar de quarentena

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/05/2020 - Data de atualização: 15/05/2020


Isolado na confortável casa em Alphaville, interior de São Paulo, Oscar Schmidt divide a quarentena com a esposa Maria Cristina, e uma funcionária que reside com eles. O ídolo do basquete, que já disputou vaga no Senado em 1998, se diz indignado com a política atual, fala de vida e morte em época de pandemia, do tratamento contra o câncer, e que ainda precisa trabalhar muito para não "morrer de fome".

Muito à vontade na sala da casa, vestindo um moletom e chinelos de dedo, Oscar Schmidt, 62, atendeu a reportagem para uma entrevista via Skype. Com os olhos atentos na tela do computador e um sorriso no rosto, o ídolo do esporte e palestrante motivacional começa contando como tem sido os 90 dias de isolamento social por conta da covid-19.

É minha obrigação ficar em casa. Esse vírus é perigoso e mata. Estou trancado há três meses, deixando de ganhar dinheiro com eventos, palestras e publicidade por um bem maior que é minha saúde e o Brasil. Sou um soldado do meu país, e se preciso for, entro na guerra também.

Há nove anos, o ex-jogador descobriu um tumor cerebral e desde então trava uma batalha contra o câncer — que ele vem vencendo, como mostra a foto acima, de 2017, quando foi um dos convidados do All Star Weekend da NBA. As quimioterapias mensais, por cinco dias consecutivos, ainda ajudam a controlar o avanço da doença que se encontra hoje no estágio três (são quatro os estágios de malignidade).

Oscar, que já passou por duas cirurgias para controlar e retirar um tumor de oito centímetros, é um paciente de alto risco e conta que faz tudo o que pode para se proteger durante a pandemia, que já matou mais de 13 mil brasileiros. Além da cirurgia no cérebro, já passou por um procedimento no coração para corrigir uma arritmia cardíaca — por pouco não foi submetido a um transplante em 2014.

"Já abri minha cabeça, de orelha a orelha, duas vezes. A vida é uma só. É muito bom viver, não quero morrer. Eu tinha muito medo da morte, o câncer me fez perder esse pavor. Mas pra isso sigo regras. Se eu sair de casa, posso me infectar com esse vírus maldito e morrer. Faço meu isolamento, uso máscara, e realizo todos os procedimentos de desinfecção."

Ele faz exames periódicos para controlar o câncer e comemora mais uma temporada de combate ao tumor cerebral. A vitória não envaidece Oscar, que prefere manter os cuidados necessários na quarentena. A forma de lidar com a situação não reflete somente uma cautela com a própria saúde, mas por reconhecer que suas ações podem ser inspiração.

Fiz uma nova ressonância, e meu médico falou que tá tudo lindo, e por hoje, estou curado. Fico indignado quando vejo alguém que deveria ser exemplo a ser seguido fazendo tudo diferente, fazendo tudo errado

Neste momento, o ex-atleta respira mais profundamente, faz uma pausa na fala, e leva a mão na cabeça. Alguns segundos em silêncio, aguardo o momento certo para continuar a entrevista. Ele retoma a fala, e permite a continuação da nossa conversa. A indignação é com a política brasileira, e a fala desta vez vem em um tom acima do comum mantido no diálogo.

Oscar fixa o olhar para a câmera do computador, talvez como se olhasse para os milhares de brasileiros que acompanham seu trabalho, e mostra o arrependimento em ter votado no então candidato Jair Bolsonaro para presidente da República.

"Eu votei no Bolsonaro, tinha um otimismo danado nele, muito mais que a maioria das pessoas. Mas todos os dias o cara dá chance pro azar. Eu achei que seria diferente. Confiei e me arrependi. Ele tem mostrado ser outra pessoa, com um despreparo danado para ocupar um posto tão importante. É muito triste durante uma pandemia a gente ainda ter que se preocupar com política. Esse vírus não tem partido, ele pode matar qualquer um. E pra quem ainda chama isso de gripezinha, isso me deixa louco".

Oscar, para quem não sabe, já participou de uma eleição. Em 1998, o então jogador de basquete ficou em segundo lugar na disputa pelo Senado por São Paulo (na foto acima, em campanha com Paulo Maluf). Na época, obteve 5.752.202 votos. De lá para cá, não se engajou partidariamente, mas sempre buscou se posicionar, principalmente agora, quando a atenção com a saúde tem que ser redobrada. Mais uma vez, condena o presidente Bolsonaro pela conduta diante da crise ocasionada pela pandemia do novo coronavírus.

"Eu acho que falta humildade dos políticos brasileiros. Falta humildade porque tem gente morrendo e eles querem discutir posições ideológicas. Como o presidente vai a pé do Planalto até o Supremo, fala para mim? Como ele se enfia no meio de uma manifestação? Ninguém aprova isso. Você é exemplo, tem que ser exemplo, meu amigo. Usa a máscara, troca a roupa, deixa o sapato fora de casa. Meu ídolo é o Moro. Como você tira ele do Governo, me diz?", desabafa.

Nas ruas, muita gente sem máscara. Claro, né? Se a população ouve o presidente dizendo que não precisa de máscaras, pra que usar?

Ao ser questionado o que tem feito durante o isolamento social, ele esclarece que atualmente tem se dedicado totalmente a elaboração de cursos on-line e palestras pelo país. Desde que se aposentou, em 2003, já atendeu mais de 500 empresas com palestras motivacionais para multidões. Em sua nova carreira, já foi reconhecido com cinco prêmios Top of Mind de RH de palestrante motivacional. Orgulhoso pelo reconhecimento, conta que sua atividade é uma forma de agregar renda à aposentadoria.

"Não trabalho porque eu quero, não. Sou aposentado e preciso trabalhar senão eu morro de fome. Eu não fiquei rico, longe disso. Na minha época de jogador, ganhava um dinheiro suado. Se fosse reverter nos dias de hoje, seriam migalhas. Só na Europa fui descobrir o que era ganhar um dinheirinho a mais [Oscar jogou oito temporadas no Juvecaserta e três pelo Pavia, da Itália], foi aí que comprei minha casa aqui, uma sala ali, alguns imóveis que me trazem uma renda mensal".

Fé e aprendizado

Perto de finalizar a entrevista, que por sinal se alongou porque Oscar declarou gostar de um bom papo para se distrair no isolamento, ele fala de reflexões e de que forma a pandemia pode transformar a humanidade. Emocionado, Oscar, católico, enfatiza sua fé em Deus e a alegria de ter recebido uma benção papal; durante a passagem do pontífice no Brasil em 2013.

Tive a honra do papa Francisco colocar a mão na minha cabeça. Eu saí de lá certo que estava curado do tumor na minha cabeça. Tem que existir algo superior no comando, temos quer ter algo pra gente seguir. Acredito muito em Deus. Essa pandemia chegou para colocar o mundo em ordem. E para passarmos por tudo isso juntos, a palavra chave é: humildade e fé.

Fonte: UOL Esporte

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