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Os desafios da inovação no tratamento do câncer

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 02/06/2015 - Data de atualização: 04/02/2016


É com muito orgulho e satisfação que escrevo o meu primeiro texto como colunista do Oncoguia, e não teria o menor sentido se o seu conteúdo não contasse um pouco da minha trajetória atendendo pacientes oncológicos.

Lembro-me, como se fosse ontem, o dia em que o Dr. Marcelo Aisen, médico oncologista, entrou pela porta da clínica onde eu trabalhava, observou atentamente o local e me perguntou:

- Tenho pacientes que estão terminando a quimioterapia e estão precisando de exercícios. Tem alguém aqui capacitado e que consiga atendê-los?

O ano era 2007, eu acabara de assumir a gestão da área de reabilitação avançada numa clínica na qual a especialidade era ortopedia. Tinha experiência em traumas e patologias ligadas a parte musculoesquelética, não fazia a menor ideia do que era o câncer, muito menos de seu tratamento e efeitos.

Uma luz acendeu em minha cabeça e decidi prolongar um pouco mais a minha conversa com o Dr. Marcelo, afinal de contas, o normal seria responder que o perfil dos pacientes dele não era o perfil dos pacientes atendidos na clínica e terminar o assunto. Fiquei curioso, queria saber mais. Ele me contou que chegara há dias de um congresso Internacional sobre câncer e que teve contato com dados de pesquisas recém-publicadas que mostravam os benefícios da realização de exercícios em pacientes que estavam em tratamento do câncer e ele queria proporcionar esta experiência aos seus pacientes. Fui surpreendido, afinal de contas, o pouco que eu sabia sobre a patologia era que o paciente deveria "guardar” suas energias para enfrentar tratamento, e que, assim sendo o exercício poderia debilita-lo ainda mais. A voz corrente entre os médicos na época era que o paciente tinha a obrigação de descansar. Não conhecia nenhum lugar ou pessoa capacitada na área de atividade física capaz de realizar o trabalho descrito pelo Dr. Marcelo. Portanto, prometi que iria me atualizar sobre o assunto e que em algumas semanas o procuraria.

Em minha pesquisa, encontrei artigos muito interessantes de dois pesquisadores que foram os pioneiros em explorar esta possibilidade: Dr. Kerry S. Courneya, da Universidade de Alberta, Canadá, e o Dr. Fernando Carlos Dimeo, do Hospital Universitário Benjamin Franklin de Berlim, Alemanha (este último eu tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente no Congresso Europeu de Ciências do Esporte realizado na Turquia, em 2010). Ambos os autores mostravam em seus artigos resultados surpreendentes na redução da fadiga, na melhora da funcionalidade, força e qualidade de vida em pacientes que realizaram um programa de atividade física durante a quimioterapia. A partir destas leituras, fiquei maravilhado com as possibilidades que existiam nesta área. Era um mundo novo e pouco explorado! Decidi então que chegara a hora de atender os pacientes com câncer.  A sorte estava lançada...

A primeira paciente do Dr. Marcelo que eu atendi, para preservar seu nome a chamarei de Sra. Primeira, tinha terminado o ciclo de quimioterapia adjuvante para câncer de mama e encontrava-se em um quadro de fadiga crônica e em depressão. Muito debilitada pela terapia, ela não tinha forças para realizar os mais rotineiros e básicos afazeres domésticos.

Estudei o caso dela com muito carinho e procurei montar uma estratégia bem conservadora de treinamento. Durante a primeira sessão de exercícios, busquei ser o mais zeloso possível. A Sra. Primeira era muito simpática e comunicativa, ela acabou sendo a responsável em me tranquilizar, falando a todo momento que estava tudo ótimo e que ela não estava ficando muito cansada, os papéis se inverteram.

Tudo transcorreu maravilhosamente bem durante a sessão e ao final a Sra. Primeira dirigiu-se ao vestiário para se trocar, passados cinco minutos de espera ela sai chorando. Assustado com a situação penso: Exagerei na dose! Ela deve estar com muita dor muscular e cansaço! Meu Deus e agora! A Sra. Primeira caminha em minha direção, me abraça forte e muito emocionada diz:

- Desde o começo do tratamento do câncer, esta é a primeira vez que consigo terminar uma tarefa! Você não tem noção como isto é importante para mim! – Segurei o meu choro, pois não queria que aquela situação virasse uma cena de novela mexicana. Abraçamo-nos.

Dois dias depois a Sra. Primeira volta a clínica esbanjando felicidade, otimismo e, o mais importante, sem dores e pronta para mais uma sessão de treinamento. Seguimos o treinamento por mais alguns meses com relativo sucesso, e é claro que o número de pacientes atendidos foi aumentando, juntamente com as incríveis experiências pessoais que eles compartilharam comigo. Assim surgiu a minha vontade incansável de cada vez mais proporcionar situações como a da Sra. Primeira aos pacientes em tratamento e de mostrar a todos que é possível uma pessoa com câncer treinar durante o seu tratamento!

Nestes oito anos que se seguiram, fundei o Oncofitness, estudei a fundo o câncer, publicamos dados coletados destes mesmos pacientes em congressos internacionais, realizei o meu mestrado, tive dois casos curados na família e a morte de um grande amigo por esta doença. Fatos que me fortaleceram ainda mais nesta cruzada.

Pretendo nesta coluna mensal, compartilhar experiências e mostrar de forma concisa e clara o que a literatura científica diz a respeito dos efeitos terapêuticos do exercício durante e após o seu tratamento.

A todos os pacientes por mim atendidos, especialmente ao amigo Ponzini, suas lutas não foram em vão!

Sejam bem vindos ao Paciente em Forma!

Rodrigo Ferraz

Mestre em Ciências, EEFE/USP



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