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O dia em que eu desisti!

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 20/06/2017 - Data de atualização: 20/06/2017


Sumi!

Mas não ache que foi algo pessoal... amo escrever por aqui. Amo escrever. Mas a verdade é que nos últimos meses eu não tive inspiração nem pra legenda de foto. Minha batata tava assando e a cabeça a milhão. Precisei de uma pausa.

Essa nada mole vida de câncer metastático é assim, um dia você tá lá na boa, em remissão, vivendo tranquilamente e aí do nada (do nada mesmo) aparece uma pipoca nova no corpo ou a de sempre resolve voltar à atividade. E aí é aquela correria de exames, marcadores, junta médica, novo protocolo, incertezas, efeitos colaterais. A vida vira de cabeça pra baixo e por mais tranquilo que você seja e entenda que isso faz parte da rotina do câncer metastático é difícil manter 100% o equilíbrio mental.

Mas AnaMi, você escreveu um manual sobre câncer metastático, sabe de cor o funcionamento da coisa toda... logo você resolveu pirar???

Sim, logo eu! Uma coisa é a teoria, a outra é a prática. E por isso, hoje me sinto muito mais preparada para falar sobre esse assunto. Não tem nada mais doloroso do que enfrentar uma progressão de doença.

Em janeiro de 2016 meu PET indicava uma remissão completa. Eu estava zerada e o protocolo de manutenção funcionando perfeitamente. Vida normal. Voltei ao trabalho, à rotina, às atividades, aos planos para o futuro. Aí, em maio, o hemograma apontou um aumento discreto do marcador tumoral e o novo pet acusou a volta da atividade do tumor hepático. O protocolo falhou depois de 6 meses e eu estava pela primeira vez no temido status: progressão de doença.

É assustador começar uma medicação nova pois você não sabe se vai funcionar e o tumor tá lá vivão te comendo. No meu caso, o protocolo novo não fez nem cócegas e o tumor dobrou de tamanho. Aí senti como se a vida estivesse escorrendo pelas minhas mãos embora clinicamente eu estivesse ótima, a ponto de passar 20 dias de férias na Europa, fingindo que esse papo de progressão não era comigo.

O médico optou por tentar uma quimioterapia dessas modernas e inteligentes, que não tem muitos efeitos colaterais e adivinha só??? Também não deu certo. Marcador nas alturas e tumor crescendo, crescendo.  É uma sensação horrível a de pensar que "nada está dando certo, está fora de controle, estou  morrendo”.  E aí o Doutor vem com a temida notícia: vamos ter que voltar pra quimio convencional. É um balde de água gelada na cabeça. Me senti no fim da linha e bateu aquele desespero de "e se não der certo já era?”.

Recomecei a saga da quimioterapia em fevereiro desse ano. Nunca havia passado por nada parecido. Eram tantos efeitos colaterais que parecia que eu não era mais dona do meu corpo. Estava tudo fora do lugar. Principalmente minha cabeça.
Cheguei em um ponto extremo da dor e desespero por não conseguir comer sem vomitar que um dia, pela primeira vez nesses 6 anos convivendo com o câncer,  joguei a toalha: "Não aguento mais, desisto!”

É sobre isso o post de hoje.

Muitas vezes falei sobre o quanto era absurdo as pessoas que desistiam de tudo, que se entregavam aos efeitos colaterais das medicações, que viviam apenas o drama da doença. Pra mim, era falta de força, de vontade de lutar. Não é! É cansaço mesmo, simples assim. No segundo em que eu "desisti” talvez tenha finalmente entendido exatamente a dor psicológica que o câncer nos causa.

Foi ali naquele choro sofrido de quem "desiste” que eu pensei em tudo o que tinha vivido até aquele momento, buscando os porquês, os praquês e tentando entender se fazia algum sentido continuar com todo aquele sofrimento.

Acredite, as lágrimas de quem não tem mais nada a perder são as mais sinceras e carregadas de uma clareza de sentimentos tão grande que parecem colocar tudo em ordem novamente :

"Posso até morrer, mas vai ser lutando”
 
O poeta Mario Quintana escreveu que "a felicidade bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas”. Talvez, as dores que já enfrentei apesar da minha pouca idade, tenham me trazido uma maturidade forçada ao longo desses 6 anos. Mas, nada se compara com o encontro real que tive com minha própria fragilidade. Chegar ao limite abre novas possibilidades, uma visão diferente da vida. Foi desistindo que percebi o quanto eu realmente queria viver, com ou sem dor, com ou sem enjoo, na remissão e na progressão...  até que o fim chegue naturalmente.
 
Em 30 de maio fiz a 46ª sessão de quimioterapia da minha vida e junto com ela veio a notícia de que a resposta foi surpreendente...  Estou, novamente, em remissão.

Não sei  o que o futuro me reserva, quantas quimioterapias, cirurgias, noites mal dormidas, idas desesperadas ao pronto socorro, progressões, estabilidades, novos medicamentos... não sei!

O futuro é incerto para todos.

O que sei é que encontrei uma mola no fundo do poço.
Não tem nada no mundo que eu queira mais do que viver. Não é uma vida fácil, não vem com a felicidade bestializada do Facebook, mas ainda assim, sou grata por cada dia e momento.

Desejo que no seu dia mais difícil você encontre lá no fundo da sua alma a motivação certa para lutar! Sofrer não é vergonha para ninguém... permita-se o surto! O sofrimento existe para que a felicidade faça sentido.
 
E eu continuo por aqui.
Da luta não me retiro!

Bjs
AnaMi

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