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O câncer já se foi. Mas e eu, para onde devo ir?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 31/03/2016 - Data de atualização: 31/03/2016


Respiração ofegante. Conto e reconto por diversas vezes antes de segurar novamente o telefone, já com o numero e a foto dele frente a tela principal do celular. Fecho a tela, libero um enorme suspiro. "Não, preciso falar... Mas calma, será que devo? E se ele me achar uma doida, desesperada... E se ele já não se importa mais comigo?". Abro novamente a tela e antes que minha consciência resolva dominar mais uma vez o jogo, disco e espero ansiosamente os primeiros e intermináveis toques.

Não, essa não é uma história de amor. Conta a nova saga de uma vida pós câncer entre uma paciente por vezes impaciente e seu - futuro não mais - médico oncologista. Aquele tipo de relação que no fundo, a gente sabe que jamais terá um fim... O que, de certa forma é ótimo, tendo em vista que meu oncologista é um dos caras mais incríveis desse mundo.

Então, dentro desse contexto meio que sem pé nem cabeça (assim como receber um diagnostico de câncer de mama aos 23 anos), é nessa parte da história em que me apresento e antes disso, preciso agradecer a minha casa Oncoguia pelo convite e oportunidade. "Minha", pois é aqui que trabalho. Foi aqui onde nasceu dentro de mim a decisão de conviver e assumir o meu próprio diagnóstico para ajudar a clarear pelo menos um pouco do universo escuro em que ele se encontra.  A gente sabe que dentro do câncer nem tudo são flores, mas também sabemos que - como em qualquer situação do nosso dia a dia - podemos podar uma porção de espinhos.

Foi aqui no Oncoguia que pude compreender e assim aceitar cada etapa de um processo oncológico e foi aqui onde também recebi, assim como alguns de vocês, todo apoio, amor e acolhimento nos bons e não tão bons momentos. Pois é, tem gente que acha que não, mas aqui a gente treina o contato com o paciente na prática todo o santo dia...hehehe

Bom, então eu sou a Evelin. Voz de Mickey Mouse e corpo tão de criança que tem gente que até não me leva a sério. Porém, tenho uma coisa que espero que vocês se identifiquem: Cicatrizes! Não, não essa marquinha externa que a gente teima em por vezes esconder com medo do preconceito que - me desculpem- criamos e também por vezes culpamos a sociedade. Me refiro a cicatriz de olhar para o céu todos os dias e poder agradecer pelo privilegio de ter uma segunda chance, de poder enxergar a vida de outra maneira. É lindo, mas conviver com a marca do câncer nem sempre nos deixa assim tão pra cima, transbordando fé e com a certeza de que tudo dará certo. As vezes chega o momento dos exames de controle, de uma bela saída para piscina com os amigos (quem tem ou teve câncer de mama e precisou de uma mastectomia sabe)... Ou então, chega o momento em que precisamos de algo que parece simples, mas dói, dói um bocado: O de olhar para a sua nova vida e ter que aceitar que temos simplesmente que virar a página. Orrevuá, câncer! Sem medos ou inseguranças e até com um certo sentimento de gratidão.

E é aqui, exatamente nesse momento da vida, tudo desce um tanto quanto quadrado.

Afinal, como posso virar a página para uma simples palavra que me acompanhará em cada novo tema, cada novo capítulo e até o último dia da minha vida? Como posso dizer que não sou mais uma paciente oncológica, enquanto tomo tamoxifeno todos os dias ao invés de uma boa taça de vinho e sou a única entre as minhas amigas que anda com um leque na bolsa para lidar com os efeitos colaterais da menopausa? Então é o tal de virar a página, pero no mucho, certo? O papel de um ex futuro paciente exemplar é o de conseguir caminhar entre a linha tênue de saber que o câncer não está mais dentro do seu organismo (Uhu!) e que somos o que muitos chamam (e que eu particularmente não gosto) "sobreviventes" e ter que aceitar que não ter mais câncer não representa que ele nunca mais voltará - E que por isso, nossa rotina com diagnóstico até diminui, mas nunca terminará de fato.
 
Então pois é, aqui estou eu! Para tentar encontrar um termo descente e conseguir me definir para a sociedade (Oi mundo!) e também para contar os desafios de uma futura ex-paciente doida para começar um novo capítulo, ainda repleta de boas histórias para contar. A próxima, por exemplo, será sobre o meu diagnóstico... Que tal? Ta vendo como não da para ser tão ex-paciente assim?!

Até daqui a pouco e um beijo,
Evelin



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