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Miss, que sobreviveu ao câncer de mama, fala sobre inclusão na moda: Da boca para fora

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 16/08/2019 - Data de atualização: 16/08/2019


Com o título de Miss Acre 2003 no currículo, Gi Charaba era um dos rostos mais conhecidos do mundo da moda e da propaganda, em meados dos anos 2010. Dublê do corpo de Ivete Sangalo em vídeoclipes e modelo de lingerie do programa da apresentadora Luciana Gimenez, estava no auge da carreira quando descobriu um câncer de mama. Com 33,4 mil seguidores no Instagram, curada e querendo voltar à ativa, bateu um papo com a Marie Claire sobre a como venceu a batalha contra a doença, relembrou como foram os anos convivendo com o câncer e do preconceito que sentiu ao tentar retornar ao trabalho como modelo. 

Começo da carreira

"Costumo dizer que já nasci modelando, pois comecei a trabalhar muito cedo, no interior de São Paulo. Minha infância foi bastante complicada: perdi minha mãe aos 9 anos e foi um baque. Fiz terapia enquanto lidava com o luto, trabalhava como modelo infantil e ainda estudava. Aos 17 anos, resolvi tentar a carreira de modelo na capital paulista, após a morte do meu pai. Assim que meu corpo ganhou proporções para desfilar com moda praia, peguei muitos trabalhos: desde participações semanais no programa da apresentada Luciana Gimenez até dublê de Ivete Sangalo".

Descoberta do câncer

"Estava no auge da carreira, conseguindo a tão sonhada independência financeira e pensando em dar entrada em um apartamento. O câncer chegou de uma maneira muito rápida. Meu namorado na época sentiu uma bolinha no meu seio esquerdo e, logo depois, a bolinha escureceu, como se fosse um chupão. Sempre me cuidei muito bem, mas não tinha plano de saúde. Tentando descobrir, recorri ao Google, pois as pessoas notaram e passaram a me perguntar sobre o que era aquilo. Como não dava para esperar no Sistema Único de Saúde (SUS), fui no particular. Foi aí que ficou comprovado que se tratava de um câncer de mama. Ao ouvir o diagnóstico, eu morri, pela primeira vez".

"Pesquisei ainda mais e tinha até pensado em não me tratar, com medo de não ter dinheiro para o tratamento e não conseguir me curar. Até que soube da filantropia do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, especializada em câncer de mama. O mastologista disse que tiraria meu seio e que o bico seria reconstituído. Imagina como me senti ao ouvir isso... Se para uma mulher, que não trabalha como a imagem, já é difícil de ouvir... Imagina para mim que trabalhava com o corpo? Meu mundo caiu".

"Fazendo os exames preparatórios para a retirada da mama esquerda, os médicos descobriram um segundo tumor, agora no osso esterno, e maior do que o do seio. Pronto, morri de novo. Tiveram que mudar o protocolo de tratamento. Se antes eu já ia operar, agora teria que fazer quimioterapia para tentar diminuir os tumores e a cirurgia não ser tão complicada. E assim começaram os piores dias da minha vida".

Modelo fazendo quimioterapia

"Aquilo mexeu não apenas com minha autoestima, mas também com o emocional, profissional e visual. A minha imagem mudou. Eu ainda consegui trabalhar mais um pouco de modelo: quando os fios começaram a cair e não queria me ver careca, colava uma peruca na cabeça, me maquiava e, pronto. Tudo certo. Porém não era bem assim: muitas das empresas passaram a não me dar trabalho, passei e ainda passo por perrengue financeiro. Os médicos, meus amigos, meu guru de luz e meus seguidores no Instagram me ajudaram a superar o lado emocional".

"Aliás, foi no Instagram (@gicharaba) que percebi o quanto a rede social pode ser boa: encontrei vários seguidores que passaram pela batalha contra o câncer. Vi que podia ser curada e mentalizava todos os dias que seria uma dessas pessoas".

"Além da tristeza de ver meu cabelo caindo com as sessões de quimioteria, as minhas veias sumiram por causa do tratamento. Aí vinham os efeitos colateriais do tratamento. Eles eram tão fortes, que minha irmã sempre checava se eu estava respirando, com medo de que tivesse morrido".

"Foram 12 sessões de quimioterapia. Vinte dias após a última sessão realizei a cirurgia. Depois ainda fiz 33 sessões de radioterapia, finalizando este tratamento em setembro de 2017".

Cirurgia nada convencional

"Meu corpo respondeu bem à quimioterapia e os tumores diminuíram. Pensando em minha cura e que eu dependia do corpo para trabalhar, me sugeriram ressecar o osso esterno, tirá-lo, mas com isso, eles tirariam 74% do meu osso. Mais uma vez, morri de novo, porém aceitei. Foi assim que aceitei fazer a cirurgia de retirada do esterno, de um quadrante da mama esquerda, nove linfonodos esquerdos e uma rotação do grande dorçal esquerdo".

"Foram 14 horas de cirurgia, mais dois dias na UTI e 11 dias de internação no hospital. Saí de lá andando, com três drenos, um corte de 30 cm nas costas e um retalho de pele no meio do seio, bem próximo ao decote".

Dando a volta por cima

"Com o pós-operatório, tive que dar um tempo nos trabalhos. Estava verde, desnutrida. Não dava para fazer nada. Tinha que fazer fisioterapia, reorganizar minha vida e tentar planejar o futuro, o que foi o pior momento".

"Os médicos foram excelentes. Tiveram o cuidado de fazer a cicatriz do seio em um lugar que o sutiã esconde. Meu cabelo foi crescendo e fui ajeitando como dava. Às vezes, usava peruca, outras um acessório diferente...".

Preconceito do mundo da moda

"Consegui poucos trabalhos, ainda existe um preconceito enrustido, algo velado. Aos poucos, venho tentando desmestificar isso. As pessoas acham lindo minha aceitação, minha falta de 'vergonha' em mostrar as cicatrizes, porém na hora de contratar, acabam escolhendo a modelo 'perfeita'. Só que ninguém é perfeito. A diversidade e inclusão são palavras lindas, mas no meu caso, não funciona. Funciona só da boca para fora"."Sou modelo, trabalhei a vida inteira com isso e agora? Vou morrer de fome? Agarro os trabalhos no laço, tentando ir em eventos para que as pessoas me notem e vejam que estou ótima, 100% curada. Estou dando bastante palestras sobre motivação, inspiração, autoaceitação e, principalmente, sobre humanização".

Fonte: Revista Marie Claire

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