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Lições de otimismo

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/05/2013 - Data de atualização: 15/05/2013


Ela acordou com a sensação de que estava fazendo xixi. Cinco horas antes, tinha feito um lindo parto natural e, agora, tudo indicava que havia chegado sua própria hora de trazer a filha ao mundo. Antes de mergulhar na aventura de ver o rebento nascer, ela ainda passou na maternidade para conferir como estava a paciente da madrugada anterior e marcou um horário com a manicure: "Não posso segurar minha filha com as unhas assim", disse a mãe de primeira viagem ao marido.

Esther se mexia sem parar dentro da barriga da mãe, mas o trabalho de parto só engatou à noite. A menina veio ao mundo de face e Quésia agradeceu a Deus por isso. No hospital, fizeram tudo exatamente como ela queria e previa o plano de parto.

Quando a pequena nasceu, a enfermeira a secou, colocou a touquinha e a entregou para a mãe. Ela estava viva! Espirrou algumas vezes e segurou o dedo da mãe. Segundos depois, a família entrou no quarto para conhecer Esther. Alguns sorrindo, outros chorando. Foi tudo rápido e intenso. Foi só o tempo de a mãe ter sua menina nos braços por 40 minutos, até que o cordão umbilical parou de pulsar.

O pai cortou o cordão e a pequena, que havia acabado de chegar, como um anjo, se foi. "Lembro do Arthur (o pai), chorando e a beijando. Lembro dos sorrisos dele cada vez que ela espirrou. E lembro de ouvi-lo dizer várias vezes: Ela é linda, meu bem! Ela é perfeita!", conta Quésia Villanil, de 31 anos, a mãe da pequena Esther.

A menina nasceu no dia 29 de junho, com 36 semanas de gestação. Foi uma filha planejada e amada. Quatro meses antes de ela nascer, quando fez o primeiro ultrassom, a mãe descobriu o sexo do bebê e, com o diagnóstico de anencefalia, a sentença de que ela pouco viveria.

Quésia ficou triste e naquele mesmo dia, em vez de planejar o enxoval da menina, começou a se preparar para o momento da despedida. Ela poderia ter feito aborto, mas não quis. Decidiu levar a gestação até o fim. E pensou: "Se a gravidez é a vida dela, vou fazer de tudo para que ela fique bem aqui dentro enquanto quiser e puder ficar".

Os relatos da gestação, do parto e dos momentos de vida de Esther estão agora registrados no livro Os últimos quatro meses, diário da gravidez de um bebê com anencefalia, que Quésia pretende publicar pela Editora Folium, em março do ano que vem.

Se alguém imagina que ela ficou desiludida ou mesmo enfraquecida com a experiência, ela logo antecipa que não. Pelo contrário. Quésia afirma que sofreu, mas viveu o luto com intensidade. Mais que isso, com a certeza de que tudo foi perfeito. "Não abortar foi uma maneira de não fugir, de viver tudo o que estava reservado para mim. Foi a chance de ver o rosto da minha filha, que tinha tudo para ser feia mas, para mim, era o bebê mais lindo do mundo."

No fim, tudo serviu para que Quésia se transformasse numa pessoa melhor e mais forte. No exercício de sua profissão de obstetra e incentivadora do parto natural, sua história serviu para que ganhasse mais ainda a admiração e confiança das pacientes. Planos para o futuro? Ela está cheia deles. "Quero logo engravidar, porque a maternidade é um sonho. Pode dar errado? Pode. Mas prefiro lidar com a perspectiva de que tudo vai correr bem", enfatiza.

Histórias de superação, como a de Quésia, servem de exemplo e são a prova de que é possível sair de uma situação adversa com otimismo e perseverança. São histórias das pessoas ditas resilientes que, de tanto aprender com a vida, também têm muito para ensinar.

Capacidade de Mudança

Amor, carinho e dedicação ajudam as pessoas que viveram maus momentos a dar a volta por cima. Psicóloga recomenda que pais ensinem aos filhos características como superação e perseverança

 Considerado um dos países mais felizes do mundo, de acordo com pesquisas feitas pelo GFK National Opinion Polls (GFKNOP), um instituto britânico de pesquisa de mercado, o Brasil também está entre as nações que mais se valem da capacidade humana de superar e de se recuperar, de ser imune psicologicamente quando é submetido a estresse, catástrofes e adversidades. "Somos um povo resiliente", segundo a psiquiatra Fátima Vasconcellos, coordenadora do Departamento de Psicoterapia da Associação Brasileira de Psiquiatria, estudiosa do assunto.

 Para ela, de maneira geral, os brasileiros sempre encontram meios de dar a volta por cima, de não sucumbir. A palavra resiliência não é sinônimo de felicidade, mas "significa o potencial humano de se sair bem no enfrentamento das dificuldades. Estudos indicam que os indivíduos altamente resilientes têm forte senso de autonomia e de autoestima", explica.

 Criatividade e sensibilidade, sentimento de aceitação incondicional, humor e habilidades sociais desenvolvidas também são características atribuídas aos resilientes. Tudo o que a vendedora Mardeli Maria Resende Ferreira de Almeida, de 36 anos, tem de sobra, mesmo depois de sofrer o impacto de conviver com uma doença grave na família.

 Para os especialistas, Mardeli é um exemplo de pessoa que supera as adversidades e se torna vitoriosa. Quando recebeu, há 11 anos, a sentença de que a filha recém-nascida não chegaria a completar um ano de vida, devido ao diagnóstico de uma doença rara, a síndrome de Wolf, ela se desesperou. A vendedora conta que foi difícil aceitar a condição da menina e admite que a primeira reação foi um misto de pânico e desconsolo.

 Mas foi na batalha para garantir que a menina tivesse qualidade de vida que ela acabou ganhando, a cada dia, mais força. Mesmo com todos os desafios, idas e vindas intermináveis aos hospitais e diante de toda a dificuldade de criar uma criança que não se comunica, não anda, tem dificuldades para comer e que não interage com o meio em que vive, ela não sucumbiu. Ao contrário, reuniu todas as suas reservas de determinação e alegria, de disposição para viver e deu o melhor de si para cuidar de quem chama de "anjo da família".

LONGEVIDADE

 Mardeli tem a convicção de que foram ingredientes como amor, carinho e dedicação que permitiram que Marcele chegasse até onde chegou. Hoje, ela não vive mais assombrada pensando em quanto tempo de vida a filha ainda tem. "Só me preocupo em melhorar a existência dela, em garantir longevidade e bem-estar. Todo dia, eu e ela celebramos mais uma vitória. Se eu sou forte, ela é mais ainda, porque mesmo enfrentando tudo isso, é uma menina feliz. Amo minha filha como ela é e a reposta que ela nos dá é a grande recompensa por tudo o que investimos nela ."

 O alto grau de resiliência de Mardeli é o que a faz prosseguir. Segundo Fátima, cada pessoa tem um grau de resiliência. Embora seja um potencial individual, os especialistas acreditam que a resiliência possa ser desenvolvida e a infância é a melhor época para ensinar os estímulos que vão fazer do indivíduo uma pessoa resiliente.

 Na infância, crianças que se sentem amadas e aceitas, que têm a chance de desenvolver sua criatividade e sensibilidade, que se saem bem nas relações sociais, que têm humor e autoestima acabam reunindo os ingredientes para se tornarem resilientes. Por isso é preciso começar a pensar no assunto desde cedo. É possível promover a resiliência individual, na família, na escola, na sociedade. "Isso pode acontecer em qualquer idade, mas, se for na infância, melhores serão os resultados ao longo da vida", garante Fátima.

Responsabilidade por Nossas Escolhas

Ás vezes, presenciar um acidente de trânsito é situação limite para uns, enquanto outras pessoas passam até por campos de concentração e se tornam grandes humanistas, superando as dificuldades vividas (ou para superar essas dificuldades). Para Gilda Paoliello, o que define o comportamento positivo diante de uma situação limite é não nos subjugarmos às contingências, transformando a adversidade em fator de crescimento.

Existe uma definição para as chamadas situações limite?

O termo foi definido pelo filósofo e psiquiatra alemão Karl Jaspers (1883 - 1969), como situações extremas, que nos colocam diante dos fatos mais inelutáveis da existência humana: o sofrimento, o acaso e a morte. Dessa forma, diversas situações que ocorrem durante nossa existência podem ser consideradas situações limite e, ao nos depararmos com elas, temos de fazer nossas escolhas.

O que define um comportamento mais positivo diante de uma situação limite e depois dela?

O conceito de situação limite é bastante subjetivo, isto é, o que é limite para um pode estar bem aquém ou além do limite de outro. As pessoas enfrentam as dificuldades de formas muito distintas. O que define um comportamento positivo diante de uma situação limite é não nos subjugarmos às contingências, transformando a adversidade em fator de crescimento. Esses são pontos fundamentais também em um processo de análise, que tem como objetivo o rompimento com as repetições e alienação subjetiva, ou seja, abandonarmos a tendência de delegar aos outros a responsabilidade por nossas escolhas.

Que fatores vão determinar a postura de uma pessoa diante de uma adversidade?

A postura vai ser determinada pelos fatores estruturantes do psiquismo da pessoa: sua carga genética e os fatores adquiridos desde a época mais precoce.

É possível, ao longo da vida, ser treinado para enfrentar as adversidades? Como isso deve ser feito?

Sempre é possível investir nisso. Os rituais de iniciação praticados em determinadas culturas têm justamente como objetivo colocar o iniciado frente a situações limite para ensiná-lo a ultrapassá-las. Também os treinamentos em instituições como Exército e religiões têm este objetivo. Na educação infantil, a criança aprenderá a alcançar um limiar amplo para situações limite, se introjetar segurança e autoconfiança. Sentir-se amada e querida. Uma educação com superproteção caminhará no sentido oposto.

Os pais servem de exemplo para os filhos também nesse quesito?

Exemplos de vida são a mais coerente forma de ensinarmos aos filhos. De uma forma geral, o "faça o que eu falo mas não o que eu faço" não funciona. Mas se os pais constatam que erraram, podem e devem mostrar aos filhos sua capacidade de mudança, retificação e superação. Esse aprendizado deve ser passado aos filhos desde sempre. Aliás, o próprio nascimento é uma superação de adversidade, já que o feto tinha no útero todas as necessidades supridas. Cada etapa do crescimento é uma superação, com perdas e novos ganhos. A criança que não aceita essas perdas ou que recua frente às necessidades de novas conquistas permanecerá imatura e terá mais dificuldades com as vicissitudes da vida.

Registro de vivências

 Receber o diagnóstico de uma doença grave não é fácil para ninguém. Essa situação limite gera reflexões profundas sobre a vida e torna-se uma fonte valiosa de sabedoria, que merece ser compartilhada. Foi pensando nisso que Luiz Fernando Brandão, da consultoria In Futuro, criou o projeto Doadores de Sabedoria. Viabilizada por Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, e por Karen Worcman, diretora do Museu da Pessoa, a ideia é reunir no site do Doadores de Sabedoria histórias, experiências e aprendizados que nos ensinam a valorizar cada momento da vida. "Nosso propósito é entrevistar pacientes nessa situação e eternizar este aprendizado, compartilhando-o e disseminando-o pelas redes sociais", explica Luiz.

A oportunidade de registrar tais vivências, além de dar um sentido maior à intensa experiência individual, poderá beneficiar muitas outras pessoas, estimulando mais cuidados com a saúde física, mental e espiritual. O projeto foi lançado recentemente em São Paulo, mas o objetivo é reunir depoimentos de pessoas em todo o país e até no mundo. Para isso, os idealizadores estão atrás de novos parceiros e patrocinadores.

Inicialmente, o projeto ouviu pacientes com câncer ou familiares de alguém na mesma condição. No site, as experiências são contadas por meio do programa Conte sua História, do Museu da Pessoa (espaço expositivo e estúdio aberto, para que toda e qualquer pessoa possa gravar sua história ou indicar alguém), e ficarão disponíveis no site dos Doadores de Sabedoria, do Instituto Oncoguia, da In Futuro e na página do museu. "Hoje o câncer não é uma sentença de morte. É uma doença que pode ser curada", conta a empresária Ivani Rossi, de 65 anos, em seu depoimento aos Doadores de Sabedoria.

Os depoimentos também serão divulgados nas mídias sociais, Twitter e Facebook, além de sites e blogs, por meio de pílulas de sabedoria, trechos das declarações que serão disseminados na internet para provocar o envio de novas histórias e para mobilizar os internautas a favor da causa.

Depois de vencer a batalha contra um grave linfoma, Ivani foi uma das primeiras a registrar suas experiências no site. Ela conta que tudo começou depois de uma profunda depressão por causa de um relacionamento desfeito.

Logo vieram outros problemas de saúde, provavelmente ligados a questões emocionais. Investigando uma desses sintomas foi que ela recebeu o diagnóstico e daí para a primeira sessão de quimioterapia foram apenas 10 dias.

Assim que se descobriu com câncer, por incrível que pareça, a postura de Ivani diante da vida mudou. A doença acabou se transformando no melhor remédio contra a depressão que a abatia, porque ela resolveu lutar e se desfazer das questões mal resolvidas do passado e do término do relacionamento.

 Mesmo com uma classificação quatro, numa escala de zero a cinco de gravidade, ela sempre acreditou que ia se curar. "Foi como se ganhasse um novo ânimo para continuar vivendo. O apoio da família e dos amigos foi fundamental. Passei a fazer relatórios diários para eles, contando absolutamente tudo o que sentia e o que acontecia comigo."

 Os relatos enviados por e-mail durante 80 dias estão sendo editados e se transformarão num livro sobre como encarar o câncer violento de um jeito leve e bem-humorado. A cada vez que enviava as mensagens, Ivani tinha a chance de refletir sobre seu problema e sobre as coisas que queria deletar de sua nova vida, quando se curasse do linfoma.

 Ela fez um exercício de selecionar o que queria para sua existência. E decidiu que não queria mais gastar a energia vital com questões sem importância. "Agradeço ao câncer, que mudou todas as minhas perspectivas e me ensinou a usufruir dos relacionamentos e das oportunidades. Jamais me revoltei contra a doença, porque me transformei numa pessoa muito melhor", afirma.

 Novo jeito de pensar

Dois episódios de câncer, um de próstata e outro de intestino, todos descobertos em exames de rotina, fizeram o professor de física José Domingos Teixeira Vasconcelos, de 61, se sentir traído pelo próprio corpo. Como não esperava ter que conviver com um surpresa tão desagradável, teve que se munir de armas especiais para enfrentar o que considera a maior batalha da sua vida. As complicações da cirurgia de intestino, quase o levaram à morte. Foram 10 meses entre idas e vindas ao hospital. Dez meses de incertezas e de superação.

 O câncer exigiu do professor cuidados intensos com a saúde e um novo jeito de pensar em prevenção. Além de acompanhamento rigoroso, passou a investir também em acupuntura, fisioterapia e, principalmente, na alimentação. Ele evita carnes vermelhas, frango cheios de hormônio, alimentos com glúten a impregnação de agrotóxicos provenientes de frutas, legumes e verduras. Todas medidas elementares mas que, segundo ele, surtem grandes efeitos positivos no organismo. "É difícil para uma pessoa urbana, se desvencilhar de todos os agentes que podem interferir no surgimento de um câncer. Estou fazendo tudo o que posso para evitar que um terceiro episódio apareça. Se ele aparecer, não vou ficar bravo porque seu que fiz a minha parte", pondera.

O fato de ter quase morrido também o fez rever questões de vida, dando a ela um valor que não precisa ser místico ou religioso. "A vida é muito misteriosa e é só uma que a gente tem. Se tiver outra, vai ser a maior surpresa e vou gostar pra caramba."

 Pessoas comuns contam como conseguiram superar situações adversas e transformá-las em histórias de vida e esperança. 

Fonte: ABP / ONLINE


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