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Gravidez e câncer de colo de útero, e agora?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 04/03/2021 - Data de atualização: 04/03/2021


Descobrir um câncer não é fácil, imagina receber a notícia durante a gravidez? O impacto é ainda maior, pois além da preocupação com a própria saúde, vem também o receio quanto a vida do bebê. Nesse cenário, o medo de ter que interromper a gestação também se torna real.

“A descoberta de um câncer em grávidas tem grande impacto emocional, pois essas mulheres precisam lidar com duas crises ao mesmo tempo, o câncer (ameaça de morte) e a gravidez (gestar uma vida). Em geral, o diagnóstico de câncer é vivenciado tanto pelo paciente quanto pela família como um momento de intensa angústia, na qual a possibilidade de mutilação e morte se fazem presentes. Por isso, elas podem ter dificuldade em lidar com o diagnóstico e ter frustrações pela gravidez não ter ocorrido da forma idealizada.”

É o que explica a psicóloga da Clínica Oncomed Renata Ribeiro. E a consultora de moda Tayane Rodrigues, de 26 anos, sentiu isso na pele. Aos quatro meses de gestação, ela descobriu um tumor maligno no colo do útero. “Descobri o câncer no primeiro exame de pré-natal. No primeiro momento, foi um baque para mim e para a minha família, até porque eu já estava processando a gravidez do meu primeiro filho. Com essa notícia, foi bem difícil, até porque as primeiras consultas oncológicas foram muito decepcionantes.”

“Um dos primeiros médicos que fui, me tirou a esperança total até mesmo da minha vida. A opção que ele me deu foi retirar o feto e o tumor com cirurgia, mas com riscos de vida por eu estar grávida e imunodepressiva. Foi muito difícil de lidar com o desespero dessa notícia. Mas eu não desisti e decidi procurar outros médicos, que me disseram que eu poderia sim fazer o tratamento e levar a gestação até as 36 semanas quando o feto estaria mais maduro, fazer uma cesárea e operar após o parto”, conta.

Ainda na gravidez, conforme relatos de Tayane Rodrigues, ela se submeteu ao tratamento de quimioterapia, assim como foi indicado pelos médicos responsáveis pelo seu caso. E isso levando em conta critérios específicos, conforme alertado pelo oncologista e um dos especialistas encarregados do quadro da gestante Amândio Soares, da Oncomed e Instituto Orizonti.

“A melhor conduta terapêutica de mulheres grávidas com diagnóstico de câncer deve levar em consideração, além de fatores médicos, parâmetros éticos, psicológicos, religiosos e legais. Sendo diagnosticado um tumor no colo do útero durante a gravidez, a conduta depende de diferentes fatores, incluindo o estágio da doença, o tempo de gestação e o desejo da mulher de procriar. Assim, é necessário um plano de tratamento individualizado para cada paciente”, pontua.

Nesse cenário, Amândio Soares exemplifica: “No caso de uma paciente no final da gravidez com um tumor em estágio inicial, a melhor conduta pode ser aguardar o nascimento da criança, sem qualquer prejuízo para a saúde da mãe. Na eventualidade de um tumor avançado, com o feto já formado, podemos indicar quimioterapia, com o tratamento definitivo após o parto. Outras vezes pode estar indicado o tratamento cirúrgico local, menos invasivo, com a preservação da gravidez”.

A gravidez, na coexistência do câncer, sempre deve ser considerada de alto risco, risco para o feto e para a mãe. Por isso, há alguns anos, a retirada do útero era o tratamento mais usual e eficaz, porém, atualmente se busca sempre preservar a gravidez, principalmente em quadros clínicos nos quais o câncer está em estágio inicial. 
 
Tayane Rodrigues que, conforme relatos, optou e teve a indicação para seguir com a gravidez e se submeter ao tratamento, hoje, se encontra bem e com a pequena Liz, agora com oito meses, cheia de vida. “Foi um processo árduo, mas me deu força o suficiente para enfrentar os efeitos colaterais com fé e perseverança. Não foi uma decisão muito difícil. A partir do momento que tive a oportunidade de receber um tratamento eficaz, garantindo a saúde do bebê e a minha sobrevida, pude seguir tranquila. Agora, estou muito bem, e minha filha é linda, muito saudável, um bebê extremamente tranquilo e não teve nenhuma sequela ao tratamento”, comemora. 

O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NA GRAVIDEZ

O câncer do colo do útero é o câncer ginecológico mais comum na gravidez, com estimativa entre um e 12 casos por 10.000 gestações, segundo dados do Ministério da Saúde. No entanto, a gravidez pode simular ou mesmo mascarar o diagnóstico do tumor. Por isso, é muito importante manter o acompanhamento ginecológico e médico em dia.

“Os sintomas do câncer do colo uterino dependem do estágio clínico e do tamanho do tumor. Nos estágios iniciais da doença, as mulheres geralmente são assintomáticas, portanto, o diagnóstico torna-se um achado incidental durante o exame pélvico de rotina ou investigações citológicas. Os estágios iniciais da doença podem se apresentar com sangramento vaginal anormal ou corrimento vaginal desagradável, enquanto em estágios avançados, disfunção urinária, dor pélvica, alterações do hábito intestinal são comuns”, explica Amândio Soares.

Nesse cenário, o oncologista destaca que a importância de uma abordagem multidisciplinar para otimizar o tratamento para a paciente, fornecendo simultaneamente a melhor chance de sobrevivência para o feto. 

MARÇO LILÁS

Na campanha Março Lilás, a saúde feminina e prevenção do câncer de colo do útero estão em pauta. Este é o mês de conscientização sobre a importância da prevenção do câncer de colo de útero, a quarta maior causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Além de conscientizar sobre o tema, a campanha alerta sobre a importância de se proteger contra as DSTs, uma vez que o vírus HPV é a principal causa do câncer do colo do útero. Por isso, as mulheres são incentivadas a manter uma rotina frequente de idas ao ginecologista e a fazer exames preventivos, como o papanicolau, que ajuda a detectar a infecção causada pelo HPV e possíveis alterações no colo do útero.

A vacina contra o HPV também é lembrada e indicada.

Fonte: Estado de Minas

As opiniões contidas nas matérias divulgadas refletem unicamente a opinião do veículo, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.

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