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Falar de estética durante o tratamento do câncer ainda é tabu', diz paciente oncológica

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 07/10/2021 - Data de atualização: 07/10/2021


Essa história começa em 26 de julho de 2019, às 9 horas. Eu saí de um treino com minha personal, quando senti uma dor diferente na região da costela. Aparentemente, uma dor muscular. Corriam os dias e ela não passava. Ao longo de quatro meses, eu me consultei com sete médicos de especialidades diferentes (de ortopedista a reumatologista), nenhum identificou a origem daquela dor. Até que o oitavo me indicou uma ressonância magnética. O exame detectou um aumento considerável no útero e - finalmente - a possível causa da minha dor: uma endometriose, doença relativamente comum entre as mulheres. Então, o meu ginecologista, meu médico há de 20 anos, indicou que, ao invés de fazer o tratamento (que era longo e nem sempre eficaz), que eu retirasse o útero e ovário e fizesse uma cauterização nos focos de endometriose. Como eu tinha muita certeza de que não queria mais filhos, a decisão foi simples para mim.

Dez dias depois, estava eu no hospital para fazer a operação. Era um procedimento simples, nada me preocupava. Me sentia como se fosse tirar a sobrancelha. Não havia o que temer.

Saí da operação e, ao chegar no meu quarto, vi toda a minha família reunida. Mas como somos grudados, achei que era amor mesmo! Até que, quando eu estava mais acordada após o efeito da anestesia geral, o meu médico chegou para falar comigo sobre a cirurgia. Minha família se reuniu em volta da cama e, então, meu médico, com os olhos já marejados, me deu a notícia: “Tati, ao iniciar a cirurgia, percebemos algumas formações não comuns e, ao averiguar, infelizmente constatamos que você está com câncer de ovário, metastático no peritônio.”

Ao longo de dez segundos de silêncio de todos, passou um filme da minha vida na minha frente. No ímpeto daquele furacão de pensamentos, apenas perguntei: “Dr, tem cura?” Ele prontamente disse: “Sempre tem, Tati. Vamos encontrar todos os caminhos para isso”.

Me apeguei nessa frase, pedi para todos me deixarem sozinha por um instante, fiz uma oração, liguei pro Padre Fábio de Mello, meu amigo tão especial, contei pra ele e ele me disse: “Com Deus, minha amiga, encontramos todas as soluções”. E, a partir dali, apegada nessas frases, iniciei a jornada mais linda da minha vida.

Pode parecer meio louco dizer isso, mas essa é a verdade. Fui rodeada de um amor tão gigantesco (e continuo sendo) a todo instante. Porque minha família ficou mais unida do que nunca. Porque minhas amigas não desgrudam de mim, porque minha vida passou a ter um outro sentido e porque encontrei meu propósito de vida.

Claro que nem tudo foram flores. Passei por 46 sessões de quimioterapia e, mesmo trabalhando diariamente para ter uma atitude positiva e forte diante de tudo, fui descobrindo dores e fases que um paciente oncológico passa nesse processo. Mas isso ia me dando mais forças e me fez procurar informações aqui e acolá, buscar processos, procedimentos, subterfúgios que pudessem melhorar esses sentimentos e efeitos ruins.

As dores, as dificuldades do paciente oncológico, nem todos falam ou se sentem no direito de assumir isso, mas não se limitam às questões da saúde. A estética é algo bastante abalado nessa fase do tratamento.

No primeiro ciclo de quimioterapias (foram 18), perdi o cabelo, não na totalidade, mas o suficiente para me deixar com uma calvície que me envergonhava muito e me fazia lembrar todos os dias que eu estava em tratamento. Ouvia de muitas pessoas: “calma, é só cabelo... cabelo cresce”, mas aquela dor me apertava. Eu sentia que podia mudar isso, mas no fundo, não me achava no direito de me preocupar com a minha aparência física naquele momento. Falar de estética durante a quimioterapia ainda é tabu.

Foi então que, no segundo ciclo da quimio, dei um basta nisso. Me olhei no espelho e disse: “Ok, Tatiana, você vai passar por mais uma etapa do tratamento, mas dessa vez vai ser diferente!” Me convenci de que cuidar da estética era muito importante no tratamento do câncer até para a cura da doença.

Arregacei as mangas e fui no Google buscar todas as informações possíveis e imagináveis de tratamentos estéticos que um paciente oncológico poderia passar. Comecei a questionar meus médicos sobre alguns procedimentos que eu sempre fiz e me faziam bem, se eu poderia mantê-los ao longo da quimio. Minha meta era achar meios de não me sentir com a aparência doente.

Descobri, por exemplo, a touca térmica para o cabelo não cair, a micropigmentação da sobrancelha, os cílios postiços que levantam o olhar. Cuidar da própria beleza durante a quimioterapia me trazia vida. A partir dali as coisas ao meu redor deram uma reviravolta. Passei por todas as sessões seguintes ouvindo: “você está ótima! Nem parece que está fazendo quimio!”

A minha transformação deflagrou um dos projetos mais lindos e incríveis na minha vida e do qual eu tenho tanto orgulho. O Espelho Meu, recém-saído do forno. Com o apoio dos médicos e fundadores do Instituto Vencer o Câncer, os oncologistas Fernando Maluf (meu médico inclusive) e Antônio Buzaid, e com a confiança e incentivo da Ana Maria Drummond, CEO do Instituto Vencer o Câncer, veio a ideia de criar um canal para divulgar dicas e procedimentos estéticos que os pacientes pudessem fazer durante o tratamento do câncer e assim se reconhecerem no espelho! Buscamos apresentar informações técnicas, produtos, serviços e especialistas em tratamentos estéticos.

A ideia é acabar com o tabu em relação ao assunto e aumentar a autoestima de pacientes oncológicos. Quero mostrar que o fato de estar doente não significa se ver doente. Esse é o meu propósito de vida. E junto com ele estou renascendo. Porque quando descobrimos nosso propósito, nossa vida passa a ter outro sentido. Certamente vivi muito mais nesses dois anos do que nos 41 anteriores. E isso é um imenso privilégio!

Fonte: O Globo



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