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Exercícios físicos podem prevenir sete tipos de câncer, defendem entidades norte-americanas

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 08/11/2019 - Data de atualização: 08/11/2019


Combinação de exercícios aeróbicos e de força traz benefícios na prevenção e durante o tratamento Cintia Nascimento / stock.adobe.com

Prevenir uma das doenças que mais cresce no mundo e que, conforme estimativas, vai matar mais do que os problemas cardiovasculares pode estar ao alcance das nossas mãos. Tirando alterações genéticas, o câncer pode ser prevenido por intermédio de ações simples como alimentação saudável e prática regular de exercícios físicos. Foi sobre esse último hábito que entidades médicas norte-americanas se debruçaram para criar um guia com novas diretrizes.

Convocadas pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte, 17 organizações, entre elas a Sociedade Americana de Câncer, se reuniram para discutir e revisar os últimos estudos científicos sobre os benefícios do exercício para prevenção, tratamento, recuperação e melhor sobrevivência de pacientes com câncer. Conforme o documento, a atividade física para adultos tem papel importante na prevenção e reduz os riscos de pelo menos sete tumores: cólon, mama, endométrio, rins, bexiga, esôfago e estômago. 

Como apresenta números exorbitantes – a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou cerca de 9,6 milhões de mortes em função da doença em 2018 –, o debate sobre prevenção não é novo. Carlos Eugênio Escovar, diretor médico do Hospital Santa Rita, da Santa Casa de Porto Alegre, lembra que os maiores congressos mundiais sobre o tema – o europeu e o americano – têm discutido soluções para prevenção há, pelo menos, cinco anos.  

— Já se falou em vitamina D, Aspirina, anti-inflamatório etc. Mas o que tem cada vez mais evidências são atividades físicas regulares e alimentação balanceada.  

Mas como correr, pedalar ou nadar pode impedir o crescimento desordenado de células? Conforme explica a médica Alessandra Morelle, do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento, mexer o corpo faz com que nosso organismo consuma mais energia e precise menos insulina.

— A exposição crônica a estes picos de insulina aumenta o desequilíbrio hormonal, aciona fatores de crescimento que estimulam a proliferação celular e os processos inflamatórios, que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer — justifica a médica.

Além desse mecanismo, o exercício físico tem ação importante sobre o controle da obesidade, doença relacionada a diversos aspectos inflamatórios.  

— Quando não nos exercitamos, acumulamos energia na forma de gordura. Ela, além de também estimular os processos inflamatórios, serve como repositório de hormônios e, principalmente nas mulheres, o estrógeno armazenado desencadeia um maior risco de câncer de mama e endométrio — exemplifica Alessandra.

Como fator de prevenção, o exercício deve ser feito de acordo com as recomendações da OMS: 30 minutos por dia de atividades aeróbicas, feitas cinco vezes por semana. Associado a eles, é recomendado investir em exercícios de resistência, pois eles melhoram a força muscular e ajudam a combater a osteoporose. Junto disso, é indicado ter hábitos alimentares saudáveis, destaca Escovar. Dentre as medidas elencadas pelo médico, estão a redução, não o corte total, da ingestão de carboidratos e consumo moderado de carne vermelha.  

Exercício na doença
Importante na prevenção, o exercício também é fundamental durante e após o tratamento contra o câncer. Esses dois aspectos também ganharam novas recomendações pelas autoridades norte-americanas. Conforme o guia, há melhoria significativa na vida de sobreviventes da doença que incluem atividades físicas na sua rotina. Por outro lado, exercitar-se durante o tratamento, quando houver condições, melhora aspectos como fadiga, ansiedade e depressão.

— Isso deve se tornar parte do cuidado do paciente com câncer e não ser deixado como uma iniciativa de cada um. Exercícios melhoram a capacidade cardiovascular, reduzem a perda de musculatura, melhoram o humor e ainda ajudam a ação das drogas anticâncer, sobretudo, a imunoterapia — defende Escovar.
Em uma pesquisa realizada no Moinhos de Vento em parceria com a Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Esefid/ UFRGS), foi evidenciado que a combinação de musculação com atividades aeróbicas melhorou tanto a qualidade de vida quanto a capacidade respiratória de pacientes em quimioterapia, diz Alessandra.

— Existia um mito que pacientes em quimioterapia não poderiam fazer exercícios físicos. Hoje se sabe que é exatamente o contrário. E mais: após o diagnóstico, pessoas que ingressam em um programa de exercícios reduzem os riscos de metástase. O tamanho do benefício do exercício se compara ao tamanho do benefício da quimioterapia — enfatiza Alessandra.

Os documentos ressaltam, ainda, a importância de se ter um acompanhamento profissional para a escolha da melhor atividade, respeitando as individualidades de cada pessoa. 

Fonte: Gaucha ZH

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