Profissionais

Colunistas


Cadastro rápido

Receba nosso conteúdo por
e-mail

Tudo sobre o câncer

 
Mais Tipos de câncer

Curta nossa página

Financiadores

Roche Novartis Varian Bristol MerckSerono Lilly Amgen Pfizer AstraZeneca Boehringer Eisai Bayer Janssen MSD ACS Mundipharma Takeda Susan Komen Astellas UICC Libbs Healthy Americas GBT


  • tamanho da letra
  • A-
  • A+

Exercício e câncer: teoria ou prática?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 26/03/2018 - Data de atualização: 26/03/2018


Neste ano, completo uma década treinando pacientes oncológicos. O conceito de atendimento que criei, baseado nas evidências científicas disponíveis da época, posteriormente nomeado Oncofitness, mostrou-se eficiente e seguro, transformando-se em sinônimo da rotina de exercícios realizada por pessoas com câncer. O que antes era tido como impossível, hoje é considerado uma ótima ferramenta de intervenção no manejo do câncer.

Os anos passaram e o treinamento evoluiu junto com a Ciência que o permeia. Entretanto, mesmo diante de tanta informação e relatos que atestam esta prática, ainda enfrento questionamentos básicos por parte de pacientes (o que é bem aceitável) e por profissionais da área de saúde (o que não deveria acontecer mais). Poderia respondê-las a partir de minhas experiências profissionais. Mas como tenho um compromisso com a Ciência, não me sinto a vontade em extrapolar os resultados obtidos nestes meus atendimentos para uma determinada população com câncer – para isso que existem os estudos científicos. E é neste sentido que vem o primeiro questionamento: "O que a Ciência nos mostra é teoria e tem pouco valor, o que vale mesmo é a prática. Duvido que um paciente oncológico seja capaz de realizar o que estes estudos propõem”.

É essencial entender, para contrapor esta ideia, como uma intervenção clínica é realizada. Os pacientes que participam das pesquisas são iguaizinhos a você. São selecionados da sociedade e padecem das mesmas limitações físicas, emocionais e de tempo que qualquer pessoa com câncer sofre. Eles são muitos (certos estudos contam com mais de mil), não são números fictícios e também não moram dentro do laboratório. Precisam pegar uma ou mais conduções para treinarem, cuidam dos filhos e netos, trabalham, cozinham e cuidam da casa, ficam cansados, tem depressão por causa da doença, sentem dores e apresentam inúmeras limitações físicas. Sim! A amostra de uma pesquisa clínica é composta por gente como a gente! E, além do mais, todas estas dificuldades são relatadas e passam por análises estatísticas para ratificar ou não a viabilidade e segurança desta intervenção em uma população com as mesmas características.

Aqui também cabe uma explicação sobre outra controversa: a estatística. De maneira simples, no meio científico, para se legitimar uma intervenção é necessário que esta tenha um índice de sucesso maior que 95%. Quando lemos que o p do estudo foi de 0,03, significa que a probabilidade (p) da intervenção dar certo é de 97% (ou 3% de chance de dar errado) e, portanto, será aceita. Se o p for de 0,07 (chance de sucesso de 93%) esta intervenção será rejeitada – não poderá ser prescrita. Portanto, quando utilizamos a rigidez da Ciência na escolha do treinamento, temos a garantia que esta intervenção foi testada em uma população semelhante e que a chance de ela não ser efetiva é menor que 5%. Qual o índice de sucesso de uma experiência profissional pessoal quando extrapolada para uma população com as mesmas características? Ninguém sabe.

Aliás, esta experiência profissional é ótima para "afinar os instrumentos” e deve ser valorizada. Com ela fica mais fácil identificar as expectativas do paciente e transmitir a confiança necessária para o êxito da intervenção. Facilita também adaptar o treinamento as limitações impostas pelo câncer. Quanto mais experiência o profissional carrega mais fácil será o ajuste do conhecimento científico às singularidades da pessoa com câncer.

Uma coisa é certa, não dá para acreditar e difundir que não há prática na Ciência. Seguindo esta linha, no meu próximo texto comentarei sobre outra frase que é recorrente: "Os resultados das pesquisas sobre exercício e câncer foram obtidos por uma ínfima parcela da população com câncer que é capaz de treinar. Duvido que a maioria dos pacientes oncológicos seja capaz de realizar o que estes estudos propõem”.

Aconselho, para quem quer entender melhor os conceitos discutidos aqui, a leitura do livro "Ciência Picareta” de Bem Goldacre (Ed. Civilização Brasileira).

Até a próxima...
Rodrigo Ferraz


Este conteúdo ajudou você?

Sim Não


A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003 - 2018 Instituto Oncoguia . Todos direitos reservados
Desenvolvido por Lookmysite Interactive