Categorias


Cadastro rápido

Receba nosso conteúdo por
e-mail

Tudo sobre o câncer

 
Mais Tipos de câncer

Curta nossa página

Financiadores

Roche Novartis Varian Bristol MerckSerono Lilly Amgen Pfizer AstraZeneca Bayer Janssen MSD Mundipharma Takeda Astellas UICC GBT Abbvie Ipsen Danone Nutricia Sanofi Grunenthal Sirtex Servier Oncologia


  • tamanho da letra
  • A-
  • A+

Evelin Scarelli – a menina do Lenço Cor de Rosa

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 25/10/2013 - Data de atualização: 25/10/2013


Aos 23 anos, ela teve uma notícia que a fez mudar de vida e se encontrar. Evelin Scarelli foi diagnóstica com câncer de mama, doença que segundo ela, "para a maioria das pessoas é quase como uma sentença de morte”. Com a ajuda da família, a fisioterapeuta encarou o tratamento e, os cabelos castanhos, que batiam na cintura, tiveram de ser raspados na fase de quimioterapia. Logo, Evelin teve bons resultados, mas precisou tirar a mama. Quando venceu o câncer, a jovem quis compartilhar de alguma forma com o mundo essa vitória: ela criou o projeto Lenço Cor de Rosa. Com tantos lenços no armário, a jovem não queria que eles se tornassem apenas acessórios e passou a enviá-los a mulheres com câncer de mama. E, no Outubro Rosa – campanha de conscientização realizada por diversas entidades no mês de outubro dirigida a mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama – Evelin Scarelli conta para o Blog da Netas um pouco mais sobre o desafio que viveu e sobre seu projeto, que hoje alcança mulheres em todo o País. Confira:

Evelin Scarelli

Como foi o processo de descoberta do câncer?
Foi um processo diferente. Como sou muito jovem e não tenho histórico familiar, realizei o que até então o meu ginecologista, que também é mastologista, acreditava ser uma cirurgia apenas para retirada de um nódulo benigno. À primeira vista, o médico não acreditou no resultado e então, sem que nós soubéssemos, encaminhou o exame para revisão com outros patologistas. Demorou um pouco, mais de um mês, até que o resultado da biopsia chegasse às nossas mãos.

Como foi receber o diagnóstico?

O momento inicial ao diagnóstico é meio anestésico. A gente já sabe que tem alguma coisa errada mesmo antes de tudo se revelar. Lembro-me de chegar ao consultório e me deparar com o médico também em estado de choque, pois nem conseguia nos dar a notícia. Ao ver o meu pai chorar, minha primeira reação foi a de abraçá-lo e de pedir muitas, muitas desculpas. A verdade é que todo esse momento de receber uma notícia como essa é surreal, você pensa: "Isso está acontecendo mesmo comigo?”.

Qual foi o pior momento para você?

O pior momento, definitivamente, é o de passar a noticia a diante. "Ok, eu tenho câncer. E agora? Como é que eu vou contar essa história em casa, como avisarei meus amigos?”. A verdade é que estamos condicionados a encarar o câncer como uma sentença de morte o que é verdade em muitos casos, mas não é em todos. Quando recebi o diagnóstico, não foi diferente comigo. Por vezes, fechava os meus olhos e me questionava se estaria viva para alcançar todos os objetivos e planos que fiz no decorrer daqueles 23 anos: "Será que perderia a chance de um dia entrar em uma igreja sendo levada pelo meu pai? Teria uma família, com filhos e um marido que me amasse?”. Sempre me interrogava sobre isso.

Como foi o tratamento?

Com o tempo, entendi que o tratamento para o câncer é, na verdade, baseado em 50% de todo avanço da medicina e dos profissionais da área e 50% em como eu me portaria em relação à doença. Nasceu, então, dentro de mim uma força que não sei explicar ao certo. Se meus objetivos de antes eram terminar a faculdade, casar e ter uma família, precisava de uma razão para poder lutar por aquilo. Então, peguei de improviso um pedaço de papel e escrevi as razões para sobreviver ao câncer: "Por minha família, por quem fui e por quem ainda sei que posso ser”. Graças a isso, todo o restante, mesmo que por vezes tão difícil, passou a se tornar mais leve.

Como foi o processo de adaptação quando você retirou a mama?

Nossa ficha demora um pouquinho a cair até tomarmos consciência de todos os processos que passamos com o câncer. Foi assim com os cabelos e principalmente com a retirada da mama, porém, faz parte da minha personalidade – personalidade essa que só descobri depois do diagnóstico, confesso – aceitar que em qualquer situação da vida, todo lado negativo exige um lado positivo, senão não há equilibro.

Mas esta fase também trouxe coisas boas?
Costumo dizer que o câncer chegou, me trouxe um monte de coisas boas e só levou a minha mama, que graças às novas próteses de silicone estão como eu sempre quis. Já aprendi a lidar com a vaidade a partir do momento que aceitei que naquela fase o melhor seria lutar pela minha vida. Meus cabelos eram enormes, mas encontrei uma ONG que aceitava cabelos para confeccionar perucas a mulheres e crianças também com câncer, mas sem condições para comprá-las. Quando dei por mim, cortá-los foi um grande motivo de festa: estava usando a minha "perda” para gerar felicidade e ser útil.

E quando você percebeu que podia passar essa sua força adiante?
Quando finalmente terminei a quimioterapia e consegui me despedir dos lenços. Uma noite, os segurando, relembrei toda a minha jornada com cada um deles, desde a primeira vez que me encarei no espelho, todos os processos de quimioterapia, visitas ao hospital, radioterapia… Ficou bem claro que utilizar aqueles lenços apenas como um acessório não seria a mesma coisa.

Daí surgiu seu projeto?
Sim. Entreguei os lenços que deram origem ao nome do meu blog – O Lenço Cor de Rosa – para uma senhora completamente desconhecida. Após isso, tive um estalo e encontrei a melhor maneira de agradecer pela minha sobrevivência: doei todos os meus companheiros de jornada a mulheres desconhecidas, mas que através da semelhança do diagnóstico (e da cabeça raspada), me deram todo o suporte desse mundo para continuar a lutar pela vida.

Meu anúncio durou dois dias e presenteou inicialmente 17 mulheres espalhadas pelo País. Todos foram enviados com uma cartinha escrita à mão, contando minha história, embalados em papel de seda e laço rosa. Quando dei por mim, o projeto estava mais do que criado, e recebia lenços de outras pacientes para continuar com a ação.

Mas qual era o conceito do projeto?
A ideia inicial era a de estimular outras garotas e senhoras que venceram a quimioterapia a encaminhar esses acessórios de presente a quem está no inicio ou meio da briga. Um dia, tive a oportunidade de mostrar o projeto ao presidente do Instituto Oncoguia, que revelou a existência de um projeto parecido com o meu e me fez o convite para coordená-lo. Acho que foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Assim nasceu o Espaço Cor de Rosa, que é uma iniciativa do Instituto Oncoguia que visa incentivar o bem-estar e melhorar a qualidade de vida de pacientes de câncer em tratamento e que desde abril deste ano já realizou mais de 360 doações por todo País.

Vocês recebem ajuda de alguém ou alguma empresa?

Recebemos ajuda tanto de pacientes que tenham encerrado o tratamento e queiram repassar suas perucas e lenços para mulheres que estejam iniciando o processo oncológico, quanto de familiares de pacientes ou pessoas que não tenham qualquer relação com o câncer, mas se sensibilizam com a causa e buscam formas de ajudar as pacientes.

Durante o tratamento você foi vaidosa com a sua imagem?
A moda surgiu em minha vida de maneira mais intensa na fase da quimioterapia. Como passei longos períodos isolada do mundo (e com a aparência não muito saudável), dediquei meu tempo a diversas blogueiras do universo da moda e maquiagem, mas que não eram pacientes, já que esse assunto até pouco tempo atrás não era muito abordado. Aprendi a me maquiar – razoavelmente – e principalmente a desviar o foco da atenção das pessoas para a minha "cabeça”, usando e abusando de lenços e acessórios.

Como está o tratamento agora?
Estou na fase de hormonioterapia. Tomo remédios de uso contínuo e uma injeção chamada Zoladex a cada 21 dias. Vou ter que usar essa medicação por cinco anos. E vou operar agora em novembro, preciso trocar uma prótese que sofreu uma contratura por causa da radioterapia.

Para ajudar o projeto, basta enviar lenços, novos ou usados, para endereço:

Instituto Oncoguia | Espaço Cor de Rosa
Al. Lorena, 131 Conjunto 116 – Jardins
01424-001 - São Paulo – SP

Mais informações pelo e-mail: corderosa@oncoguia.org.br ou pelo telefone: 0800 773 1666

Matéria publicada no Blog das Netas em 23/10/2013


Este conteúdo ajudou você?

Sim Não


A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003 - 2020 Instituto Oncoguia . Todos direitos reservados
Desenvolvido por Lookmysite Interactive