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Entenda o que é endometriose, mioma, cisto e até câncer no ovário

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 17/03/2020 - Data de atualização: 17/03/2020


Endometriose, cisto no ovário, mioma e câncer de ovário. São termos que muitas vezes escutamos e poucas vezes entendemos. Afinal, o que é cada um desses quadros? Apesar de todos os termos estarem relacionados à saúde da mulher, eles têm origens bem diferentes entre si e podem aparecer em momentos distintos da vida da mulher.

Já os sintomas como cólicas menstruais intensas, sangramentos atípicos, dor durante as relações sexuais e até intestino preso podem ter relação com um ou mais casos.

Por isso, desde o início da idade reprodutiva, até depois da menopausa, o ideal é que a mulher vá ao ginecologista uma vez ao ano para ter um acompanhamento do seu corpo. Assim, com o auxílio médico, é possível detectar precocemente doenças como o mioma, tratar os sintomas da endometriose e até ter um prognóstico mais cedo de doenças como o câncer de ovário. Saiba mais sobre cada um desses quadros:

Endometriose

A endometriose ocorre quando o endométrio, tecido interno do útero, aparece em outros locais fora de sua origem, como no ovário, por exemplo. O útero é um órgão muscular e o endométrio é o tecido dentro dele, que permite que o embrião se fixe na parede uterina para ser desenvolver durante a gravidez. Quando não há gravidez, ao final do ciclo menstrual, o endométrio descola da parede do útero, o que resulta na menstruação.

"Agora imagine que esse tecido pode, por exemplo, grudar no ovário, então ele vai crescer como cresceria no endométrio e quando você for menstruar, ele forma um cisto de sangue por que descamou como faria na parede uterina, mas dentro do ovário. Então uma das causas de cisto no ovário é essa, um cisto hemorrágico ou um tumor benigno de endométrio, chamado de endometrioma" explica o médico Eduardo Zlotnik, ginecologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

E isso não ocorre só no ovário, como o especialista exemplificou: outra região comum é na barriga. "Quando há tecido do endométrio na barriga, isso gera um pequeno sangramento na região, o que ocasiona uma cólica mais forte" completa o médico que alerta que por mais que muitas mulheres considerem a cólica normal, se a dor atrapalha o dia a dia, precisa ser investigada.

Adriana Garrido, professora de ginecologia da UnB (Universidade de Brasília) e diretora da SBOG (Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal), também defende a importância das mulheres e dos médicos ficarem atentos ao sintoma de cólica persistente. "Principalmente a que não passa com medicamentos comuns, não melhora com o uso de anticoncepcionais."

Sintomas da endometriose

A cólica menstrual intensa, que piora com o tempo, é o sintoma mais comum de endometriose. Outro sintoma frequente é sentir dor durante as relações sexuais. Também é possível que a mulher apresente sangramentos anormais, dificuldade para evacuar e até mudanças no padrão intestinal durante o período menstrual.

Uma em cada dez mulheres tem endometriose, mas nem sempre a doença é diagnosticada. "O grande problema é diagnóstico demorado, muitas vezes pelo próprio desconhecimento dos médicos", explica Garrido.

Outro ponto importante da doença é a possibilidade da infertilidade. "A mulher pode ter mais dificuldade para engravidar com esse quadro, mas a maioria delas engravidam naturalmente", esclarece Zlotnik.

Tratamentos da endometriose

Hoje a doença não tem medicação que seja eficaz para o tratamento. "Nós, na verdade, usamos medicações para controlar os sintomas da doença. Assim, a qualidade de vida da paciente é devolvida quando responde ao tratamento clínico sintomático", informa Garrido. Esse é o chamado tratamento clínico e é suficiente na maior parte dos casos.

Quando os medicamentos não resolvem os sintomas, o outro tratamento indicado pode ser a cirurgia. Mas Garrido alerta para os cuidados com essa intervenção. "Não é qualquer médico que está preparado ou habilitado para fazer uma cirurgia de endometriose."

Fatores de risco

Existem muitas teorias que tentam explicar o aparecimento da doença. Hoje na medicina, acredita-se que ela seja um quadro com causas multifatoriais, desde heranças genéticas até influência ambiental.

Mioma

Os miomas são nódulos benignos no útero, de origem muscular. Eles podem variar de tamanho e ocorrem com mais frequência em mulheres na faixa etária dos 40 anos, sendo o tumor mais comum que aparece nas mulheres. A mulher apresentar um ou mais miomas não é motivo para operar ou tratar.

"Em uma situação com três miomas, você pode ter um que cresce, um que permanece igual e um que diminui. Ou seja, o comportamento de cada mioma é diferente. E dependendo do lugar que ele está no útero, ele pode causar ou não problemas. O mioma que está para fora, geralmente, não faz mal nenhum" informa Zlotnik.

O mioma normalmente só exige algum tratamento quando está localizado em algum lugar dentro do útero, como perto do endométrio, e se gerar algum sintoma. Também são necessários cuidados quando os miomas são grandes, com quatro centímetros ou mais, porque podem prejudicar o desenvolvimento do feto durante a gestação.

Apesar ser um nódulo, o médico oncologista Glauco Baiocchi Neto, diretor do núcleo de ginecologia oncológica do A C. Camargo Cancer Center, descarta as chances do mioma se tornar um câncer. "Se um nódulo no útero for maligno, ele não é um mioma. Pode ser, por exemplo, um sarcoma" explica o especialista.

Sintomas do mioma

Os miomas normalmente são assintomáticos. Na maioria das vezes eles são descobertos em exames de imagens ou em exames físicos. "Algumas vezes eles podem apresentar sintomas como sangramento aumentado no período menstrual e cólicas menstruais fortes" esclarece Zlotnik.

Dependendo do local e tamanho do nódulo, é possível aumentar as chances de a mulher ter um aborto espontâneo durante a gravidez ou até mesmo dificultar a reprodução. Prisão de ventre, parto precoce e aumento do volume do abdômen são outros dos sintomas possíveis quando se trata de miomas.

Tratamento do mioma

Não existe apenas um tratamento: cada caso pode se beneficiar com uma indicação diferente. Por exemplo, se a mulher descobriu o tumor numa idade próxima à menopausa, uma sugestão é o uso de bloqueador de hormônios, já que diminuir a produção hormonal pode reduzir o tamanho do mioma e isso pode suprimir sintomas ou facilitar a retirada do tumor quando houver indicação cirúrgica. "Mas esses medicamentos não devem ser administrados em uma mulher com idade reprodutiva" alerta Eduardo Zlotnik.

Algumas medicações também podem ser usadas para reduzir os sangramentos durante o período menstrual, quando o fluxo é muito intenso. De qualquer maneira, o mioma requer o acompanhamento do ginecologista para avaliar se será necessário fazer algum tipo de intervenção, que pode variar desde a retirada do nódulo, até a histerectomia —cirurgia em que o útero é completamente retirado, indicada apenas em alguns casos e para mulheres que não desejam mais engravidar.

Outra possibilidade é o que os especialistas chamam de embolização. Uma técnica que interrompe o fluxo de sangue que irriga o mioma, o que faz com que ele diminua ou desapareça do útero.

Fatores de risco

De acordo com estudos científicos, pessoas que menstruaram muito cedo, nunca engravidaram, assim como mulheres com obesidade e/ou com pressão alta têm maior risco de desenvolver miomas durante a idade reprodutiva.

Cistos no ovário

Os cistos nada mais são do que bolsas com conteúdo líquido dentro delas. Os tipos mais comuns são os funcionais, que podem ser foliculares ou lúteos e aparecem no corpo feminino durante o ciclo menstrual. Por exemplo, ao ovular, a mulher tem células ao redor ovário. Essas células vão se enchendo de líquido o que acaba formando uma espécie de bolsa. Essa "bolsa" é um cisto com óvulo dentro. Quando ele explode, sai o óvulo.

"Durante a vida reprodutiva da mulher é normal ela ter cisto no ovário, porque é de onde vem os óvulos e também alguns dos hormônios femininos. Então ter cisto no ovário é uma situação comum, frequente e até desejável durante essa fase da vida da mulher. Os cistos aparecem e desaparecem conforme o ciclo menstrual" esclarece o ginecologista Eduardo Vieira da Motta, do HC-FMUSP (UHospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Sintomas de cistos nos ovários

Eventualmente os cistos podem apresentar problemas. "Por exemplo, eles podem crescer além do que devem e aí causam dor. Eles também podem romper algum vaso sanguíneo, ter algum sangramento e também causam dor", considera Motta. Os sintomas podem parecer com o de outros quadros e é preciso que um especialista avalie a situação para indicar o tratamento adequado.

Tratamentos

Quando os cistos causam dor e sangramento, o tratamento pode ser uma pequena cirurgia para tirar só a parte do ovário que causa esses problemas. "Mas, às vezes, a mulher pode ter alguma alteração hormonal que produz o cisto. É preciso analisar os sintomas. Aí o tratamento não é cirúrgico e sim hormonal."

Câncer de ovário

O câncer de ovário é atualmente o terceiro câncer feminino mais comum, ficando atrás apenas do câncer de mama e do colo do útero. A incidência acomete entre 10 e 15 mulheres por cada 100.000. É uma doença mais comum em mulheres após a menopausa.

"Quando a gente vê um tumor dentro do útero, a gente se preocupa com o que tem dentro. A partir de exames de imagens, é possível diferenciar: o cisto normalmente tem conteúdo líquido e o nódulo tem conteúdo sólido" alerta Zlotnik.

Sintomas

O câncer de ovário é hoje considerado o tumor ginecológico mais letal, justamente por não apresentar qualquer sintoma no começo do seu desenvolvimento, sendo difícil a detecção precoce. "Na maior parte das vezes, o câncer de ovário é identificado em estágios mais avançados, em alguns casos atingindo o abdômen", esclarece o oncologista Glauco Baiocchi Neto.

Quando há sintomas, os mais frequentes são:

  • Dor;
  • Aumento do volume do abdômen;
  • Presença de uma massa palpável na região abdominal;
  • Constipação.

Tratamento e fatores de risco

"O tratamento normalmente requer operações extensas para retirada do tumor, seguidas por quimioterapia", informa Baoicchi Neto. Os fatores de risco para o câncer de ovário são associados a mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Além disso, mulheres que não tiveram filhos, nem amamentaram, assim como as que têm familiares (mães, irmãs) com histórico do tumor estão mais predispostas a desenvolverem a doença.

Fontes: Eduardo Zlotnik, ginecologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Eduardo Vieira da Motta, médico assistente da divisão de ginecologia do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); Glauco Baiocchi Neto, diretor do departamento de ginecologia oncológica do A.C. Camargo Cancer Center; Adriana Gualda Garrido, professora da UnB (Universidade de Brasília) e diretora de defesa profissional da SGOB (Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal).

Referências: Ovarian cancer stem cells more questions than answers. Seminars in Cancer Biology. Volume 44, 2017, Pages 67-71, ISSN 1044-579X, https://doi.org/10.1016/j.semcancer.2017.04.009. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1044579X17301037?via%3Dihub#bibl0005

Endometriosis-related Hemoperitoneum in Late Pregnancy. Amir Naeh MD, Ilan Bruchim MD, Mordechai Hallak MD and Rinat Gabbay-Benziv MD Disponível em: https://www.ima.org.il/FilesUpload/IMAJ/0/378/189327.pdf 
Diagnosis and management of ovarian cyst accidents. Cecilia Bottomley, Tom Bourne, https://doi.org/10.1016/j.bpobgyn.2009.02.001. Disponível em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S152169340900042X?via%3Dihub

"Myomas and Adenomyosis: Impact on Reproductive Outcome," Nikos F. Vlahos, Theodoros D. Theodoridis, and George A. Partsinevelos. BioMed Research International, vol. 2017, Article ID 5926470, 14 pages, 2017. https://doi.org/10.1155/2017/5926470. Disponível em https://www.hindawi.com/journals/bmri/2017/5926470/

Fonte: VivaVem Uol

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