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Efeitos anticâncer do exercício no CA de mama – Parte II

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 13/04/2017 - Data de atualização: 13/04/2017


Mulheres com câncer (CA) de mama que se exercitam durante e após o tratamento, além da melhora de suas qualidades de vida, justificada pela redução dos sintomas e dos efeitos colaterais do câncer e de seu tratamento, apresentam taxas de recidivas menores e consequente aumento de sobrevida.  Recentes evidências científicas sugerem que este efeito anticâncer do exercício físico se dá por dois fatores sistêmicos: crônicos (adaptação ao longo prazo), e agudos (de ação imediata).

Durante a realização do exercício, ocorrem importantes alterações de curta duração em vários componentes circulantes em nosso organismo, que em grandeza ultrapassam de longe as adaptações observadas com o treinamento em longo prazo - leia a primeira parte deste texto para saber mais sobre os efeitos crônicos. Essas alterações agudas afetam a biologia e a viabilidade de células tumorais no CA de mama. São elas:

  • Miocinas - com a redução dos níveis intramusculares de glicogênio (moléculas de glicose que fornecem energia para a contração muscular), provocada principalmente pela realização de exercícios de alta intensidade ou de longa duração, o músculo libera miocinas. Embora a mais conhecida seja a IL-6 (que pode ter sua concentração aumentada em até 10 vezes após o exercício agudo), existem ainda a ANGPTL-4, MCF-1, CCL2, CX3CL1, IL-8, IL-15, Irisina e SPARC, todas promovem aumento na concentração plasmática de marcadores anti-inflamatórios, gerando redução da inflamação sistêmica por horas após o exercício. Estas moléculas pertencem a uma classe de proteínas que também tem potencial comprovado no controle do CA de mama - capacidade de ativar vias supressoras de tumores e de anular vias oncogênicas. Cabe salientar que, em contraste, o exercício, quando realizado de forma extenuante e associado ao dano muscular, também pode induzir respostas que aumentam a inflamação sistêmica.

  • Hormônios de estresse - o exercício induz, de maneira dependente de sua intensidade, a produção e liberação de hormônios do estresse. As concentrações plasmáticas de catecolaminas (adrenalina e a noradrenalina) aumentam em até 20 vezes nos primeiros 15 minutos nos exercícios de alta intensidade. Após o término do esforço, os níveis destes hormônios regressam rapidamente aos valores pré-exercício. O impacto destes picos transientes indica um duplo papel destas catecolaminas; o qual a altas concentrações inibe o crescimento de células cancerígenas, enquanto em baixas concentrações estimula-o. Em contrapartida, o estresse crônico, que é caracterizado por níveis elevados destes hormônios que não reduzem após horas do término do esforço, é prejudicial ao organismo e pode promover o início e progressão do CA de mama.

  • Células imunes - poucos minutos após o início do exercício, as células imunes são mobilizadas para a circulação. As mais responsivas ao esforço são as células Natural Killers (NK), seguidas por células T e macrófagos. Recentemente foi demonstrado que esta mobilização dependente do exercício de células NK conduz a um efeito supressor do tumor.

Embora muitos estudos que corroboram este efeito oncoprotetor do exercício tenham sido realizados em modelos experimentais (não humanos), a prática regular e sistematizada do exercício físico apresenta-se como uma promissora ferramenta não farmacológica de intervenção para o manejo do CA de mama. Fica claro também que, quando olhamos para os fatores crônicos e agudos, a dose (volume e intensidade) do exercício é fator preponderante para o sucesso desta intervenção; pouco volume ou intensidade não tem efeito oncoprotetor e muito volume ou intensidade parece ter o efeito oposto.

Antes de começar a se exercitar, consulte o seu médico e procure um profissional capacitado para que a dose de seu treinamento seja ajustada para suas atuais condições físicas.

Quer saber mais sobre o assunto?

  • Dethlefsen, Christine, et al. "Exercise regulates breast cancer cell viability: systemic training adaptations versus acute exercise responses." Breast cancer research and treatment 159.3 (2016): 469-479.
  • Dethlefsen, Christine, Katrine Seide Pedersen, and Pernille Hojman. "Every exercise bout matters: linking systemic exercise responses to breast cancer control." Breast Cancer Research and Treatment (2017): 1-10.

Bons treinos e até a próxima...
Rodrigo Ferraz


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