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Custo social do câncer de mama é subestimado

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 04/10/2016 - Data de atualização: 04/10/2016


Qual a idade ideal para fazer uma mamografia? A idade deve ser o único critério para o acesso ao exame, ou é preciso considerar outros fatores, como a predisposição genética? A realização da mamografia pode trazer malefícios, como exames e estresse desnecessário para as mulheres? Essas questões são fundamentais para a definição de políticas públicas, e frequentemente voltam ao debate.

Em 2015, por exemplo, elas estavam na pauta do Senado. A controvérsia começou com uma portaria do Ministério da Saúde, de 2013, que tornou a oferta de mamografias pelo SUS mais restrita – se antes o exame era oferecido a mulheres a partir dos 40 anos, depois da portaria, ele só estava disponível para aquelas com mais de 50. Em resposta à medida, uma senadora apresentou um projeto de lei que previa a realização do exame em qualquer idade. Mas essa proposta foi depois substituída por uma versão que retoma o critério dos 40 anos.

Por trás de toda essa discussão há tanto fatores médicos como econômicos. A avaliação do custo-benefício de qualquer exame ou tratamento é crucial para que um sistema de saúde defina prioridades e distribua recursos de maneira sustentável. Mas, quando se fala de câncer de mama, alguns aspectos deixam essa análise bem mais complexa – e ainda mais necessária.

Um deles é o fato de que a tecnologia para prevenção, detecção e tratamento do câncer de mama evoluiu muito nos últimos 40 anos. Mas esse avanço foi implementado de maneira diferente em cada país, e ainda restam dúvidas em torno de quais seriam as melhores práticas. Os dados para comparação são poucos, e geralmente se referem apenas a países desenvolvidos.

Ao mesmo tempo, a propagação da doença passou por mudanças significativas. A incidência do câncer de mama vem aumentando em todo o mundo, principalmente em países em desenvolvimento – consequência do aumento da expectativa de vida e de transformações culturais (como diminuição do número de filhos e aumento do sedentarismo). A cada ano, cerca de 1,4 milhão de mulheres desenvolve a doença no mundo, e mais de 500 mil morrem. No Brasil, foram mais de 14 mil mortes em 2013, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer).

Além disso, vale destacar que a maioria das mulheres acometidas pela doença tem menos de 65 anos, ou seja, ainda está em idade produtiva. A morte ou invalidez dessas pacientes tem um impacto econômico importante, que também precisa ser levado em consideração quando se busca traçar o custo social do câncer de mama.

Em busca de dados para subsidiar esse debate, a GE encomendou em 2013 um relatório a dois especialistas em "health economics”, Bengt Jönson, consultor de órgãos como a OMS (Organização Mundial de Saúde) e o Banco Mundial, e o médico Nils Wilking, pesquisador do Karolinska Institutet, na Suécia. E um dos principais pontos levantados no estudo é que os prejuízos causados pela doença costumam ser subestimados.

Uma pesquisa sueca citada no trabalho mostra que, embora os gastos diretos com o câncer de mama (destinados a tratamento, detecção e ações preventivas) sejam altos, os gastos indiretos (decorrentes da perda da produtividade das pacientes, assim como morte prematura) correspondem ao dobro.

Um levantamento feito na Alemanha, em 2008, estimou que, a cada ano, o câncer de mama é responsável pela perda de 59 mil anos de vida produtiva. Desse total, 17 mil estão ligados à morbidade; 19 mil, à invalidez; e a maioria, 23 mil, à mortalidade precoce.

O valor da detecção precoce

O relatório também destaca que, tanto em países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento, a detecção precoce exerce um impacto extremamente relevante.

Para chegar a essa constatação, os autores elencaram dados de vários países, mostrando quais são as chances de uma mulher que tem câncer de mama sobreviver pelo menos cinco anos após receber o diagnóstico da doença. Nos Estados Unidos, 89,2% das pacientes conseguem sobreviver a esse período – resultado parecido com o obtido em países como Canadá e Austrália. Já na República Checa, esse índice cai para 67,4%. Em países da África, os dados (defasados e imprecisos) sugerem que menos da metade tem cinco anos de vida após o diagnóstico.

E a importância da detecção precoce aparece aqui: das pacientes diagnosticadas no início da doença (estágio I), todas sobreviveram. Já entre aquelas que descobriram o tumor no estágio II, onde o tumor apresentava mais de 1cm, o índice de sobrevivência caiu para 93%. Dentre as que descobriram a doença no estágio III, ele foi de 72%. E, das mulheres que só detectaram a doença na fase avançada (estágio IV), apenas 22% viveu por mais de cinco anos.

O risco de "overdiagnosis”

Hoje, a principal forma de detecção precoce é por meio da mamografia, método recomendado pela OMS e pelo Conselho da União Europeia. O público-alvo varia de acordo com o país, mas, de modo geral, engloba mulheres de 50 a 69 anos.

Ainda assim, o método é alvo de debates. Uma das principais preocupações é com "overdiagnosis”, a detecção e tratamento de lesões pequenas, que provavelmente não trariam risco para a saúde da mulher - o que gera gastos desnecessários e causa desgaste físico e psíquico às mulheres.

Segundo Jönson e Wilking, a relação custo-benefício dos programas de rastreamento varia muito de país para país, devido a diversos fatores, como a epidemiologia do câncer de mama no local e a estrutura do sistema de saúde. Não há uma resposta única, e calcular os prós e contras em cada cenário não é tarefa simples. Mas esse levantamento é fundamental, pois a partir dele serão tomadas decisões capazes de afetar a vida de milhões de pessoas.

Fonte: Galileu

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