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Crescimento tumoral e exercício – o que dizem os novos estudos

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 23/06/2016 - Data de atualização: 23/06/2016


Até agora nesta coluna eu me concentrei em descrever os efeitos da atividade física nas sequelas causadas pelo câncer e seu tratamento, também busquei informar como aplicar o exercício com segurança e eficácia – espero tê-lo feito a contento.

Entretanto, existe um fato extremamente relevante que eu ainda não expus: pesquisadores, desde os primeiros estudos publicados na década de 90, têm encontrado fortes indícios de que pacientes oncológicos que treinam vivem não apenas melhor, mas por mais tempo.

Estudos recentes nos mostram fatos e números incontestes que corroboram estes indícios: existe uma clara relação inversa entre a quantidade de exercício realizada durante o tratamento e a mortalidade do paciente. De maneira geral, pacientes que treinam pelo menos 2,5h de maneira moderada ao longo da semana – equivalente, por exemplo, a uma caminhada de 40 minutos, 4x na semana – reduzem em até 13% sua mortalidade, e conforme o tempo de treinamento aumenta, estes valores podem atingir 27% para 7,5h/semana - aproximadamente 1h de caminhada todos os dias.

"Sabemos que algo acontece, mas ainda não conseguimos enxergar exatamente o que é”.

Esta frase tirou o sono de muitos pesquisadores. Como explicar e quantificar tal fenômeno provocado pelo exercício? Quais mecanismos envolvidos? Apenas a redução nas sequelas da terapêutica não seria capaz de justificar tamanha melhora no prognóstico da doença. A fim de desvendar estes mistérios e favorecidos pelos avanços tecnológicos, os pesquisadores concluíram que precisavam mudar o alvo central de seus estudos e passaram a olhar para o microambiente tumoral.

Surge então, com esta mudança de paradigma, uma nova geração de estudos que nos vêm apresentando, nestes dois últimos anos, algumas respostas esclarecedoras sobre como o exercício pode potencializar o tratamento e fortalecer o nosso sistema imunológico anticâncer, repercutindo diretamente na cura e no índice de recidivas. Neste sentido, apresento os resultados de dois inovadores trabalhos, recém-publicados, semelhantes e complementares.

O primeiro estudo fundamenta-se na redução da hipóxia intratumoral. Um dos efeitos da terapia medicamentosa anticâncer é a redução do aporte de oxigênio nas células tumorais. Em resposta a este cenário, estas células se adaptam, tornando-se mais resistentes e menos suscetíveis a morte induzida pelo tratamento. Sendo assim, a premissa dos pesquisadores foi a de que se ocorrer melhora do fornecimento de sangue (oxigênio) às células tumorais, a partir das adaptações já comprovadas resultantes do exercício físico, atenua-se então a hipóxia intracelular - aumento da eficácia do tratamento. De fato, após a realização de um protocolo de exercícios aeróbios em ratos com tumor recebendo quimioterapia (ciclofosfamida), houve redução significativa do crescimento tumoral quando comparado ao grupo que apenas recebeu o tratamento. Observando o microambiente tumoral dos ratos, aqueles que se exercitaram apresentaram aumento de até 40% na apoptose (auto destruição celular) e melhoras na vascularização e perfusão, resultando em redução da hipóxia intratumoral.

Já no segundo, pesquisadores da Universidade de Copenhagen esclareceram, pelo menos em parte, alguns possíveis eventos imunológicos associados à redução do crescimento tumoral e da incidência de câncer com a prática de exercícios.

Semelhante ao primeiro estudo, os ratos com tumor que realizaram um protocolo de exercícios aeróbicos reduziram em até 60% o crescimento tumoral quando comparados ao grupo sedentário com tumor. Os autores encontraram, para justificar este achado, no grupo exercitado, aumento da adrenalina e da interleucina-6 (IL-6) e que, agindo em conjunto, promoveram o aumento de células NK (Natural Killer) do sistema imunológico, responsáveis por identificar e destruir células tumorais.

O que podemos concluir até agora é que existe uma série de fenômenos bioquímicos e fisiológicos envolvidos no crescimento e surgimento tumoral que são influenciados pelo exercício físico, e que o aumento da longevidade pode estar relacionado com estes eventos. Ainda há muita pesquisa pela frente, principalmente com o objetivo de confirmar estes resultados em humanos e no tipo e dose ideais de exercício. Mais uma vez, ratifica-se o benefício causado pela realização sistemática e orientada do exercício nesta população, durante e após o tratamento. Porém, para atingir os níveis consideráveis ótimos de exercício, é necessária uma programação de treinamento que considere a atual condição física do paciente.

Para saber mais - referências dos artigos citados:

  • Li, Tingting, et al. "The dose–response effect of physical activity on cancer mortality: findings from 71 prospective cohort studies." British journal of sports medicine (2015)
  • Betof, Allison S., et al. "Modulation of murine breast tumor vascularity, hypoxia, and chemotherapeutic response by exercise." Journal of the National Cancer Institute 107.5 (2015)
  • Pedersen, Line, et al. "Voluntary Running Suppresses Tumor Growth through Epinephrine-and IL-6-Dependent NK Cell Mobilization and Redistribution." Cell Metabolism (2016)

Bons treinos e até a próxima...
Rodrigo Ferraz



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