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Como o exercício atua no organismo do paciente com câncer?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/09/2017 - Data de atualização: 15/09/2017


Desde os anos 90, inúmeras pesquisas científicas sobre os efeitos da realização regular e sistematizada do exercício físico no câncer e seu tratamento foram publicadas com resultados indiscutíveis. Temos agora um sólido corpo de conhecimento que atesta o exercício como uma ferramenta de intervenção terapêutica no câncer. Logo, o profissional da área da saúde que não oferecer esta possibilidade ao seu paciente, ou está sendo omisso ou, ao menos, está mal informado.

Para que não ocorram mais negligências e desinformações, chegamos a um momento crucial: organizar este conhecimento a fim de que todos tenham acesso a ele. Além disso, no meio de tantas publicações, é preciso criar critérios para filtrar as boas das não tão boas pesquisas, os resultados milagrosos dos reais, resumindo, a pseudociência da ciência. Para começar, devemos entender o básico: como o exercício atua no organismo do paciente com câncer. Para isso, a fim de simplificá-lo, dividi este processo em três níveis:

  • Efeitos Gerais. Do ponto de vista fisiológico, o principal objetivo da realização de exercícios é a melhora de nossas capacidades físicas (força, cardiorrespiratória, flexibilidade, equilíbrio, entre outras). Toda modalidade, seja ela qual for (futebol, natação, pilates, cross-fit, musculação, etc..,) tem como um de seus desfechos a melhora de uma ou mais capacidades. Sob esta perspectiva, a ciência nos mostra que não há restrições ao paciente oncológico na realização de qualquer destas modalidades – desde que adaptada as suas condições físicas. Isto significa que, tanto durante quanto depois do tratamento, a prática constante e estruturada de exercícios é segura (não provoca sequelas), exequível (o paciente é capaz de realizar o que é proposto) e eficaz (promove melhoras nas capacidades físicas do paciente).

  • Efeitos Específicos. Pesquisas apontam que as adaptações fisiológicas provocadas pela melhora das capacidades físicas (as mais estudadas nesta área são a força e a cardiorrespiratória) no paciente durante e após o tratamento são capazes de reduzir ou, até mesmo, extinguir alguns efeitos colaterais do câncer e seu tratamento. Cito, entre outros, a redução da fadiga crônica, depressão, ansiedade, dor, cardiopatias associadas, neuropatias sensório-motoras e distúrbios do sono. Não dá para descartar os benefícios das interações sociais promovidas pela prática do exercício que também atuam na melhora de algumas destas sequelas. Diante disso, é fundamental termos profissionais capacitados na prescrição dos exercícios - conhecer bem o tratamento e seus possíveis efeitos colaterais é obrigação.

  • Efeitos Modificadores do Curso da Doença. Recentes achados indicam que a combinação de diversas adaptações fisiológicas induzidas pelo exercício, como o aumento de hormônios e da hemoglobina circulante, hipertrofia do miocárdio, diminuições de lesões vasculares, redução de citocinas pró-inflamatórias e aumentos das anti-inflamatórias, melhoram a perfusão tumoral e o sistema imunológico. Desta forma, aumenta-se a infiltração de células Natural Killers (nossa defesa natural anticâncer) e de compostos antineoplásicos (de terapias sistêmicas) no ambiente intratumoral, favorecendo a apoptose (morte celular) e reduzindo o crescimento tumoral.

Fica claro, com este modelo de níveis, que o exercício estimula cascatas de reações no organismo do paciente com câncer que culminam em sua melhora da qualidade de vida e aumento de sobrevida. Ratifico a importância do profissional da área de saúde em entendê-los e estimular a prática de exercícios físicos em seus pacientes.

Dicas de Leitura:

  • Schmitz KH, Courneya KS, Matthews C, Demark-Wahnefried W, Galvão DA, Pinto BM, et al. American College of Sports Medicine roundtable on exercise guidelines for cancer survivors. Med Sci. Sports Exerc. 2010, 42(7): 1409-26.

  • Idorn M, Hojman P. Exercise-Dependent Regulation of NK Cells in Cancer Protection. Trends Mol Med. 2016; 22(7): 565-77.

Até a próxima...

Rodrigo Ferraz

As opiniões contidas nos artigos assinados pelos nossos colunistas refletem unicamente a opinião do autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.



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