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Como o aconselhamento genético pode ajudar a prevenir casos hereditários de câncer

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 24/02/2021 - Data de atualização: 24/02/2021


O aconselhamento genético é um grande aliado dos médicos na prevenção e no tratamento de casos hereditários de câncer. Os geneticistas explicam que quando há casos na família é possível realizar exames específicos para identificar se há alguma mutação genética que está causando o câncer.

Essa informação pode se tornar cada vez mais importante no dia a dia dos médicos, uma vez que nos próximos dez anos o Brasil pode ter um aumento de 42% nos casos de câncer. O número é bem maior do que o registrado na última década, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Câncer, uma doença multifatorial

O câncer é uma doença multifatorial e fatores ambientais como tabagismo, obesidade e sedentarismo são os maiores riscos. “No entanto, já se sabe que quase 20% dos cânceres diagnosticados atualmente têm uma origem familiar. Destes, 10% apresentam uma síndrome de hereditariedade do câncer com presença de mutações genéticas que são passadas através das gerações”, destaca a hematologista e hemoterapeuta pelo INCA, Maria Cunha Ribeiro Amorelli, que atende na clínica AngioGyn, no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia.

Por essas razões, a genética pode e deve ser uma importante aliada dos médicos na detecção do câncer. “Além do aconselhamento genético, já somos capazes de fazer este diagnóstico através de uma consulta de aconselhamento oncogenético”, revela Maria Amorelli, que também é especialista em hereditariedade do câncer pelo Hospital Albert Einstein.

Influência familiar

A ocorrência de diversos casos de câncer em uma única família pode estar relacionada a mutações que aumentam o risco de desenvolvimento da enfermidade.

“O diagnóstico de uma variante genética na família nos dá a oportunidade de saber a quais tumores aquela família está exposta e proteger não somente ao paciente, mas também seus filhos, netos e primos. O objetivo é realizar exames de prevenção específicos com regularidade e impedir que um câncer se instale”, explica a especialista.

A médica revela que quando alguma mutação genética é detectada em uma pessoa, exames são recomendados para toda a família, além de consultas anuais de prevenção. A hematologista conta que com o aconselhamento genético é possível descobrir mutações que podem causar também outras doenças.

Novo coronavírus

Em relação aos diversos casos do novo coronavírus que acontecem em um mesmo núcleo familiar, por exemplo, Maria Cunha Ribeiro Amorelli conta que ainda é cedo para fazer qualquer afirmação.

“Sobre a Covid-19 existe uma tendência maior em algumas famílias de se contaminarem e desenvolverem casos graves da enfermidade. No entanto, estudos ainda estão sendo realizados e, por ser algo novo, não é possível apontarmos causas ou fazer qualquer afirmação”, ressalta.

Maria Amorelli destaca que a medicina cada vez mais será guiada pela genética. “Nossos genes escondem segredos não só das doenças que estão em risco, mas também dos medicamentos com melhor resposta, guiando o tratamento. Isto porque cada pessoa é única, assim como todo tumor é único. Este tratamento de precisão é diferente do tratamento convencional que atinge não só as células tumorais, mas todo o organismo”, afirma.

Casos que devem ser analisados pelos médicos
Confira os pontos que devem ser analisados para saber se é preciso buscar um aconselhamento oncogenético

– Presença de três ou mais parentes com diagnóstico de câncer, ou dois parentes de primeiro grau;

Se o seu paciente possuir mais de três familiares com diagnóstico de câncer, sejam eles pais, avós, mas também tios e primos, é possível que ele necessite de um aconselhamento genético.

– Tumores em idade jovem;

Se o seu paciente ou algum parente próximo apresentou um tumor em idade jovem, abaixo da faixa etária habitual, por exemplo, um câncer de mama antes dos 35 anos, deve ser avaliado.

– Tumores incomuns;

O diagnóstico de um tumor incomum ou raro como carcinoma medular de tireoide ou feocromocitoma, por exemplo, deve ser investigado.

– Tumores bilaterais;

Câncer de mama ou ovários bilaterais junto ao diagnóstico precisa de uma avaliação mais detalhada.

– Sexo não usual;

Tumores de mama em homens são bastante incomuns, mas podem ocorrer e, quando presentes, necessitam de investigação.

– Associação com malformações ou síndromes genéticas;

A presença de malformações como alterações vasculares, malformações de membros, face ou órgãos podem ter associações com mutações genéticas que podem predispor ao câncer.

– Lesões cutâneas

Algumas lesões na pele, algumas vezes já presentes ao nascimento, como, por exemplo, as manchas café-com-leite, que são bastante comuns, quando estão em grande número ou tamanho aumentado podem ter associações com alterações genéticas.

Fonte: PebMed

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