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Com só 1/5 dos garotos vacinados, cresce temor de câncer ligado ao HPV

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 10/06/2019 - Data de atualização: 10/06/2019


Menino se vacina com óculos de realidade virtual - Bruno Santos - 29.mai.2017/Folhapress

Dois anos após o início da vacinação contra o HPV (Papilomavírus humano) no SUS para meninos de 11 a 14 anos, só 22% deles receberam duas doses e estão imunizados por completo. A meta do Ministério da Saúde era vacinar 80% do público.

As piores taxas estão nos estados do Pará (14%) e Rio de Janeiro (16%), e as melhores, no Paraná (29,7%), e Minas Gerais (28,8). Segundo o ministério, mais de 9,2 milhões de adolescentes ainda precisam ser vacinados em todo o país.

A baixa adesão à vacinação, também verificada entre as meninas de 9 a 14 anos (cobertura de 51%), tem preocupado os oncologistas e foi discutida na semana passada no maior congresso de oncologia do mundo, em Chicago (EUA).

O vírus está presente em mais da metade da população brasileira e é associado a vários de tipos de tumores, como o de colo de útero, de pênis e das regiões vaginal e anal.

Novos estudos apontam que o HPV também tem sido relacionado cada vez mais a casos de tumores da cavidade oral em jovens. Uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center, de São Paulo, mostrou que até 75% dos casos de câncer de amígdalas e 32% dos de boca estão associados ao vírus. Há dez anos, essa relação existia em apenas 25% desses casos.

Segundo o cirurgião oncológico Luiz Paulo Kowalski, diretor do setor de cirurgia de cabeça e pescoço do A.C.Camargo, historicamente esses cânceres afetam homens mais velhos, que fumam e/ou bebem excesso. “Agora, aparecem cada vez mais jovens entre 30 e 45 anos sem esses fatores de risco, mas que estão infectados com o HPV”, diz.

A hipótese é de que a infecção ocorra pelo sexo oral desprotegido —o vírus está presente na região genital e anal. Mas podem existir outros fatores que precisam ser mais bem estudados porque há doentes que, mesmo com o tumor associado ao HPV, negam a prática de sexo oral.

“É impensável não tomar a vacina, uma medida preventiva claramente eficiente. São jovens que serão submetidos a cirurgias, quimioterapia, radioterapia, que podem deixar sequelas para o resto da vida, mesmo que o câncer seja curado”, afirma Kowalski.

De acordo com a professora da USP Luisa Lina Villa, chefe do laboratório de inovação em câncer do Icesp (Instituto de Câncer do Estado de São Paulo), os tumores de orofaringe [base da língua e amídalas] associados ao HPV são mais frequentes em homens jovens com perfil socioeconômico mais elevado.

No hospital estadual Heliópolis, por exemplo, eles respondem só por 10% dos casos. No Icesp, por 30%. Ou seja, entre os pacientes do SUS, a maioria ainda está relacionada aos fatores de risco clássicos como o álcool e o tabaco.

Ela conta que há um estudo em andamento, envolvendo o Brasil e países da Europa e da América Latina, que analisará com mais profundidade os fatores de risco envolvidos nos tumores de orofaringe e a relação com o HPV.

Villa acredita que esse cenário possa levar a mudanças nas estratégias preventivas relacionadas à vacina, até hoje muito voltadas às meninas.

“Há uma série de preconceitos envolvendo as mulheres [como o temor de que a vacina estimule a iniciação sexual precoce]. Vamos colocar o homem no foco. Ele tem o vírus, ele pode ter câncer de pênis, de reto, de orofaringe [base da língua e amígdalas]. E para evitar parte desses cânceres, tem que vacinar. Tenho certeza de que as mães de meninos vão procurar a vacina.”

Segundo ela, embora também seja fundamental para as mulheres, elas dispõem de outras formas de prevenção do câncer do colo de útero, como o exame papanicolaou. “O homem ainda está na penumbra. Mas ele é tanto artífice do que pode acontecer à mulher como vítima. Os tumores de orofaringe são horríveis, mutilantes, e a sobrevida é pequena. Em cinco anos, morrem 50% dos doentes.”

A baixa cobertura vacinal também preocupa os Estados Unidos, onde apenas 49% da população de meninas e meninos com indicação para a vacina está imunizada.

Por lá, entre as razões que levam os pais a não vacinar seus filhos contra o HPV estão a preocupação com segurança e efeitos colaterais, a crença de ela não é necessária e a falta de recomendação dos gestores de saúde.

Uma pesquisa divulgada no congresso em Chicago aponta que apenas 40% dos brasileiros ouvidos em sete grandes cidades conheciam a relação do vírus com o câncer e só 8% sabiam que há uma vacina contra o HPV disponível pelo SUS.

“Os pré-adolescentes ou os adolescentes não vão ao posto de saúde com os pais como as crianças pequenas. Então é preciso criar outras estratégias para atingir esse público”, diz o oncologista Markus Gifoni, um dos autores do estudo.

No Brasil, são estimados 16 mil casos de câncer de colo do útero por ano e 5.000 mortes de mulheres em razão da doença. Mais de 90% dos casos de câncer anal e 63% dos cânceres de pênis são atribuíveis à infecção pelo HPV.

Em países que conseguiram índices de cobertura superiores a 80%, como Austrália, o número de mulheres com mais de 25 anos diagnosticadas com câncer cervical caiu em pelo menos 50%, segundo estudos recentes.

No Brasil, porém, ainda é grande o questionamento sobre a validade da vacinação inclusive entre os médicos. As razões vão desde eventuais efeitos colaterais graves (não há evidência sobre eles e a OMS atesta a segurança) e passam pelas dúvidas sobre se a imunização, que já se mostrou eficaz na prevenção de células pré-malignas, evitará de fato um câncer no futuro.

Para Gustavo Gusso, professor da USP e um dos diretores da sociedade medicina de família e comunidade, do ponto de vista coletivo, a baixa cobertura da vacinação do HPV não é tão preocupante porque ela oferece proteção individual, não populacional, como a vacina contra o sarampo.

“É importante saber quais ações preventivas vamos priorizar. Certamente as vacinas de bloqueio populacional em que o objetivo é que fazer com que o vírus pare de circular, como as contra a pólio e o sarampo, estarão sempre entre as principais prioridades.”

HPV E CÂNCER
O que é o HPV
O HPV (papilomavírus humano) é um vírus que provoca lesões na pele e nas mucosas --algumas delas são visíveis e outras, não. Há mais de cem tipos de HPV, e a maioria é inofensiva

Sintomas
A infecção pelo HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais visíveis a olho nu. No homem, as verrugas com aspecto semelhante à couve-flor são mais comuns na cabeça do pênis (glande) e na região do ânus. Na mulher, surgem na vagina, vulva, região do ânus e colo do útero. As lesões também podem aparecer na boca e na garganta 

Transmissão
A principal forma de contágio é por meio da relação sexual. O vírus também pode ser transmitido pelo sangue e de mãe para filho no parto

Diagnóstico
O diagnóstico das lesões visíveis pode ser feito por exame urológico, ginecológico e dermatológico. 
O exame preventivo Papanicolaou (citopatologia), e outros como colposcopia, peniscopia e anuscopia, podem distinguir as lesões não visíveis benignas das malignas

Câncer
Certos tipos de HPV podem evoluir para câncer. Alguns fatores podem aumentar o risco, infecção pelo HIV e por outras doenças sexualmente transmissíveis

Para o Brasil, o Inca estima 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 10,86 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição; e de 3,28 para cada 100 mil mulheres, sendo o 12º mais frequente entre todos os cânceres

Prevenção
A vacina é distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, pessoas que vivem HIV e pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos;
O uso de camisinha pode diminuir a possibilidade do contágio, apesar de não proteger totalmente contra a transmissão. O papanicolaou identifica as lesões precursoras do câncer do colo do útero
Fonte: Inca e Ministério da Saúde

Fonte: Folha de S.Paulo

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