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Com 82% de mortalidade, câncer de pulmão é o que mais mata no Brasil

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 21/12/2018 - Data de atualização: 21/12/2018


Apesar de ser responsável por uma em cada cinco mortes por câncer e gerar custos diretos de mais de US$ 823 milhões somente em 2016 no Brasil, nosso país ainda tem tido dificuldade em conseguir diagnosticar precocemente o câncer de pulmão e cada vez mais jovens têm começado a fumar, aumentando os riscos de contrair a doença. Os dados foram divulgados no II Fórum Temático sobre Câncer de Pulmão, realizado pelo Instituto Oncoguia, no final de novembro, em São Paulo.

Segundo o The Economist, o câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer tanto em homens como em mulheres combinados na América Latina, com cerca de 64 mil mortes. O relatório apresentado mostra que o tabaco é o risco dominante, já que é responsável por cerca de 64% do câncer de pulmão na região. Os outros 36% são atribuídos a problemas de saúde pública, como poluição, radônio residencial e o arsênico na água potável.

No Brasil, os números de pacientes com câncer de pulmão são ainda mais alarmantes. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que para cada ano do biênio 2018/2019, sejam diagnosticados 31.270 novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquio, sendo 18.740 em homens e 12.530 em mulheres. A estimativa é de 18,16 novos casos a cada 100 mil homens, sendo o segundo tumor mais frequente. Nas mulheres, 11,81 para cada 100 mil, ocupando a quarta posição.

A estimativa é de 18,16 novos casos a cada 100 mil homens, sendo o segundo tumor mais frequente. Foto: Jailson Soares/ODIA

De acordo com o coordenador de Ensino do Inca, Mauro Zamboni, todo o processo que envolve a doença tem apresentado novidades nos últimos anos, transformando o câncer de pulmão em uma doença crônica e aumentando o tempo de sobrevida dos pacientes. “O câncer de pulmão é o que apresenta o maior número de incorporações bem-sucedidas, não só no diagnóstico. Há 20 anos não teríamos o que oferecer para um paciente com doença avançada. Ele não poderia ser operado e o tratamento seria paliativo. Mesmo as drogas, não são as mesmas que temos hoje”, destaca.

Diagnóstico precoce pode salvar vidas

Dados coletados em pesquisa online feita pelo Instituto Oncoguia mostram que 40,4% dos pacientes com câncer de pulmão atendidos pelo SUS e 37,9% dos pacientes de planos de saúde passaram por mais de 3 médicos para fechar o diagnóstico. Para Mauro Zamboni, o tratamento precoce faz toda a diferença na chance de cura do paciente com câncer. Para isso, é necessário que os profissionais de saúde estejam alinhados para saber diagnosticar a doença antes que ela atinja um estágio avançado.

Para Mauro Zamboni, o tratamento precoce faz toda a diferença no tratamento do paciente com câncer. (Foto: Nathalia Amaral/O Dia)

Segundo ele, grande parte dos profissionais de saúde não estão preparados para diagnosticar o câncer de pulmão. “O problema é que nós não temos um profissional treinado na ponta do sistema. Menos de 20% das nossas faculdades de Medicina possuem a cancerologia na grade de ensino. O paciente vai no Pronto Socorro, faz uma radiografia de tórax e mostra que ele tem um nódulo do pulmão. Depois ele faz uma tomografia e vai peregrinando até chegar numa instituição que esteja preparada para receber esse paciente. Em um mês ou dois meses, você tirou 50% da sobrevida dele porque o tumor vai crescendo”, relata.

O primeiro passo para evitar o câncer de pulmão ainda é parar de fumar. Além disso, é importante que fumantes ativos ou passivos façam regularmente exames médicos para detectar qualquer anomalia. “O foco no diagnóstico precoce é orientar que a pessoa pare de fumar e orientar os jovens para que não comecem a fumar, porque quando o câncer de pulmão apresenta os primeiros sintomas ele já invadiu alguma estrutura mais nobre do tórax. O câncer de pulmão mata mais do que a AIDS, câncer de colo, câncer de próstata e câncer de mama juntos”, alerta o médico oncologista.

Para a presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, apesar de ser uma doença relacionada em sua maioria ao consumo de cigarro, é importante que a população não olhe para o fumante como o culpado. “Temos o desafio de olhar para o fumante como alguém doente que precisa de ajuda para largar o vício”, destaca. Além disso, a presidente do Oncoguia alertou também para a importância em saber distinguir os principais sintomas do câncer de pulmão, que são: escarro com sangue, tosse, dor torácica e falta de ar.

Ex-fumante chegou a dormir sentada por causa da dor

Fumante desde os 18 anos, a bacharel em direito e servidora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia, Iane Cardim, de 49 anos, foi diagnosticada com câncer de pulmão em dezembro de 2015. Após perder 35 kg, ser diagnosticada equivocadamente com refluxo e sinusite, a professora chegou a se consultar com 10 médicos de três especialidades diferentes até ser finalmente diagnosticada com câncer de pulmão.

Iane Cardim foi diagnosticada em dezembro de 2015. Foto: Nathalia Amaral/ODIA

“Tive uma virose em julho de 2015 e depois de passar oito dias tossindo, fui diagnosticada com sinusite. Mesmo sendo fumante, em nenhum momento alguém cogitou a possibilidade de câncer de pulmão”, relata. A professora conta que, após alguns meses, a tosse persistente começou a ser acompanhada de problemas de concentração e dor nas costelas, este último seria posteriormente relacionado a uma fissura decorrente da tosse. Por causa da dor, a professora passou a dormir sentada no sofá da sala.

Em dezembro do mesmo ano, seis meses após apresentar os primeiros sintomas, Iane Cardim foi finalmente diagnosticada. “As pessoas dizem que depois do diagnóstico do câncer o mundo deles caiu. Pra mim, foi o contrário, meu mundo se ergueu porque eu não sabia o que eu tinha até aquele momento”, diz ela. O diagnóstico tardio veio acompanhado da notícia de que Iane possuía um tumor não operável no pulmão esquerdo, classificado como estágio 4, à aquela altura um pulmão já havia parado de funcionar.

Ao concluir o ciclo de quimioterapia, Iane Cardim iniciou, por fim, o tratamento quinzenal de imunoterapia, que consiste no uso de um grupo de drogas que, ao invés de mirar o câncer, ajuda as defesas do organismo a detectá-lo e agredi-lo. “Não tenho efeito colateral algum. A minha qualidade de vida é muito boa’, destaca. Sobre o consumo do cigarro, a professora parou de fumar ao ser internada para tratar a doença. “Eu sempre tive consciência que era viciada. O melhor casamento é com o cigarro”, diz a ex-fumante.

Matéria publicada pelo Portal O Dia em 20/12/2018



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