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Carta para Lorena

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 16/10/2018 - Data de atualização: 16/10/2018


Olá Lorena, tudo bem?
Não nos conhecemos pessoalmente, pelo menos ainda, mas sempre vejo suas fotos na internet. Eu já sabia sobre você desde quando era uma sementinha e ficava imaginando como seria seu rostinho. De alguma forma, já estávamos na vida uma da outra. Espero que receba essa carta. 

Meu nome é Ana Michelle, ou Ana Mi, como os amigos costumam me chamar. Em 2015, muuuito antes de você ir parar na barriga da sua mãe, eu conheci uma moça chamada Renata, que se tornaria minha melhor amiga, irmã de alma e companheira de jornada. Ela era (é) uma grande amiga dos seus pais e foi sua madrinha de batismo. A Rê virou uma estrelinha lá no céu no dia 05 de agosto de 2018, mas, nas semanas que antecederam essa partida, ela me falou muito de você, que você sorria pra ela e isso era um dos maiores combustíveis pra ela querer enfrentar todas as dores, só pra estar um pouco mais com você nos braços. A sua dinda esteve entre nós por 38 anos e plantou no coração de um monte de gente uma história de amor inesquecível. Ela estava triste porque dizia que de todas as pessoas importantes da vida dela, você era a única que não saberia como ela era. Então, Lorena, eu vim aqui te contar.

A Renata nasceu no dia 05 de dezembro, sob o signo de sagitário, com ascendente em estrela própria. Ela brilhava. De verdade. Me dizia que aprontou muito quando era jovem, deixava o Jurandir (pai dela), de cabelos em pé, ainda assim eram grandes amigos. A Rê não teve filhos, mas, ao mesmo tempo, se tornou professora de ciclo de alfabetização e dedicou parte da vida a amar os filhos de outras pessoas, principalmente aqueles que não tinham todo o afeto e atenção que mereciam. Gostava de contar histórias, acreditava que com educação e amor essas crianças teriam boas oportunidades para mudar o rumo de suas vidas. E, de fato, ela via dia a dia isso acontecer. 

Ela vivia cercada por muitas pessoas, era apaixonada pela família, gostava de festa, agito, amigos que viram a madrugada falando besteira, pegam estrada pra se aventurar no barro e acampam no meio do mato. Falando em mato, melhor eu não contar detalhes porque você é muito pequena ainda, mas parece que o mato é testemunha do início do amor entre ela e o seu padrinho Rafael. Ele foi o amor da vida dela, Lorena. O príncipe matador de baratas (mas é melhor você pedir pra ele te contar essa história de matar barata porque eu tenho pesadelo cada vez que penso nisso). 

A Rê e o Rafa viviam uma sintonia tão incrível que não precisava nem de palavras pra eles se entenderem. Eram melhores amigos e ele realmente esteve com ela na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Pois é, Lorena, sua dinda ficou doente. Uma doença bem grave chamada câncer de mama. Ela descobriu um pouco antes da festança de casamento, mas decidiram casar mesmo assim, entre uma sessão de quimioterapia e outra. Ela linda, de peruca e vestido branco. Ele nem aí com esse papo de doença, só queria era poder amá-la. E se amaram, até o fim. 

Sua madrinha era dona de um sorriso viciante. Até hoje não consegui achar uma pessoa sequer que, depois de provar uma dose de sorriso da Renata, não quisesse permanecer por perto só pra ouvir aquela gargalhada capaz de mudar a energia até mesmo do mais pesado dos ambientes. Ela gostava de rir. E ria de tudo. E ria da própria vida. Foi assim que a conheci, fazendo piada dessa loucura de conviver com uma doença tão grave. 

Você também iria se surpreender com a leveza com que ela levava essa rotina tão maluca de exames, médicos, medicações fortes e debilitantes. A Rê se tornou referência para outras pacientes que conseguiam ver apenas dor e sofrimento. Ela ressignificou essa dor e, ao invés de se abater, passou a viver com ainda mais intensidade.Viajou, mergulhou, se jogou do alto da cachoeira, contemplou todas as belezas que a natureza proporciona, em especial o pôr do sol.  

Ensinou muita gente sobre o quanto cada momento é precioso e o quanto é maravilhoso poder sentir o ar penetrando em cada célula do corpo. A Renata era amor da cabeça aos pés e distribuía sentimento a quem quisesse ou não. Sua madrinha ficou até famosinha nas mídias sociais hahahaha Inventamos uma lista de desejos antes de partir e essa lista correu o Brasil todo. Adivinha só, você estava nela:

-Ir ao aniversário de 1 ano da Lorena

Não deu tempo! Mas não fique triste. A sua madrinha foi luz do começo ao fim. Uma luz que nunca vai se apagar no coração de tanta gente que teve o privilégio de conhecê-la. Pergunta pra sua mãe. Com certeza tem muitas histórias incríveis que ela vai adorar te contar pra nunca deixar você esquecer que um dia teve uma madrinha que te amou profundamente desde o dia em que soube da sua existência. A boa notícia é que hoje, você tem a melhor fada madrinha que lá do céu vai cuidar, inspirar e estar ao seu lado desejando que você se torne uma mulher linda, feliz e que, assim como ela, escreva uma história que te fará eterna no coração de todos que passarem pelo seu caminho. Assim como ela fez. Assim como ela, mesmo de longe, ainda faz. 

E eu, Lorena, desejo que sua vida seja absolutamente extraordinária. Como a da Renata foi. 

Um beijo,
AnaMi
@paliativas

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