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Câncer ligado ao HPV está em alta entre homens nos EUA; entenda a importância da vacina

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 03/09/2021 - Data de atualização: 03/09/2021


Em 2014, Jason Mendelsohn estava se preparando para o pior. Ele gravou vídeos para os filhos, despediu-se e lembrou-os do que era importante na vida. Tinha 44 anos e fora diagnosticado com câncer de amígdala em estágio 4, causado por uma infecção por papilomavírus humano (HPV) –possivelmente ocorrida décadas antes.

Um dia, Mendelsohn encontrou um caroço no pescoço, sem apresentar sintomas anteriores. Os médicos removeram suas amígdalas e 42 nódulos linfáticos. Em seguida, ele passou por sete semanas de quimioterapia e radiação, sendo alimentado por um tubo. "Eu nunca tinha ouvido falar de câncer na língua, garganta e amígdalas, nem conhecia ninguém que tivesse sido diagnosticado com isso", diz Mendelsohn.

Seus médicos disseram que ele provavelmente contraiu HPV durante sexo oral. Eles disseram que a infecção por HPV poderia ter ocorrido há 20 anos, quando Mendelsohn estava na universidade. "O câncer causado pelo HPV pode levar anos para se desenvolver. Eu nunca pensei e acho que ninguém que eu conheço jamais pensou que o sexo oral um dia lhes causaria câncer", diz Mendelsohn.

O HPV está mais frequentemente associado ao câncer de colo de útero. É o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que câncer de colo de útero causou 311 mil mortes em 2018, e 90% delas ocorreram em países de baixa e média renda.

O HPV pode levar ao câncer de vulva, vagina, pênis, ânus, cabeça e pescoço (uma região conhecida como orofaringe), parte posterior da garganta e base da língua e amígdalas e pode afetar homens.

Embora esses tipos de câncer possam afetar todos os sexos, o câncer orofaríngeo e anal estão em alta entre os homens. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos sugerem que cerca de 70% dos cânceres de orofaringe nos EUA estão relacionados ao HPV.

Cerca de 3.500 novos casos de câncer de cabeça e pescoço relacionados ao HPV são diagnosticados em mulheres e cerca de 16.200 em homens a cada ano nos Estados Unidos. Isso representa quatro vezes mais casos em homens.

O HPV é transmitido através do contato pele a pele e da atividade sexual, incluindo sexo vaginal, anal e oral. Cerca de 80% dos adultos sexualmente ativos tiveram uma infecção por HPV em algum momento de suas vidas, mas o CDC diz que a maioria das pessoas não sabe disso.

Muitas cepas de HPV nem mesmo são prejudiciais aos humanos, e em 90% das vezes o corpo simplesmente elimina a infecção em dois anos.

Mas se isso não acontecer – e o HPV permanecer no corpo – é possível que células infectadas se tornem cancerosas.

Um estudo do Reino Unido de 2018 descobriu que 64% dos pais que tinham filhas e filhos tinham ouvido falar do HPV. Mas entre os pais que só tinham meninos, 36% já ouviram falar do HPV.

No geral, 55% dos pais já ouviram falar do HPV. Destes, a maioria sabia que causa câncer de colo de útero em mulheres, mas menos da metade sabia que o HPV causa câncer de garganta e anal, e apenas um terço sabia que causa câncer no pênis. Muito poucos entrevistados mencionaram o sexo oral ou anal como formas de contrair HPV.

Mas assim que descobriram mais sobre o HPV, quase todos os participantes do estudo disseram que seus filhos deveriam tomar a vacina.

A rigor, não existem vacinas que previnam o câncer. Mas existem vacinas que previnem vírus que podem levar ao câncer, como o HPV.

Existem três vacinas contra o HPV e todas as três protegem contra as cepas 16 e 18 do HPV. Essas duas cepas causam a maioria dos cânceres relacionados ao HPV. Mas as vacinas não se limitam a essas duas cepas e também protegem contra infecções por HPV que causam verrugas genitais.

Não é possível rastrear cânceres relacionados ao HPV, exceto câncer de colo de útero. Por isso, a única forma de se proteger é por meio da vacinação. "Se você estiver protegido, você não terá o HPV para transmitir a outra pessoa, então você se torna uma solução para o problema de saúde pública", diz Dianne Harper, professora dos departamentos de medicina familiar e obstetrícia e ginecologia da Universidade de Michigan, nos EUA.

Mas muitos homens –ou pais de meninos– nem mesmo sabem do problema. E isso pode estar ligado à qualidade dos dados sobre infecções por HPV.

É difícil ser preciso sobre os tipos de câncer relacionados ao HPV em homens ou grupos de idade e onde eles ocorrem mais no mundo –informações úteis que podem ajudar na hora de decidir sobre a necessidade de consultar um médico ou se vacinar.

Por exemplo, o câncer de cabeça e de pescoço causados ​​pelo HPV parecem ser mais comuns entre os homens em países de alta renda. Mas isso pode ser devido à falta de dados confiáveis ​​em outros lugares. "Acho que subestimamos o verdadeiro número de casos em países de baixa e média renda", diz Anna Giuliano, diretora fundadora do Centro de Pesquisa de Imunização e Infecção em Câncer do Moffitt Cancer Center, nos Estados Unidos.

E também existe a questão dos tipos de câncer e quem está em risco. Alguns dados sugerem que o câncer relacionado ao HPV em homens está relacionado ao seu tipo de atividade sexual. "Entre os homens heterossexuais, o mais comum é o câncer orofaríngeo, seguido pelo câncer anal e depois peniano. E para homens que fazem sexo com homens, o que predomina é o câncer anal, seguido pelo câncer orofaríngeo e depois o câncer peniano", diz Giuliano.

Também é possível para uma pessoa com HPV mover o vírus para outras partes do corpo, por exemplo, quando alguém toca na boca e, em seguida, no pênis.

Mendelsohn, que sobreviveu ao câncer relacionado ao HPV, quer que mais pessoas sejam vacinadas. Ele criou um site chamado Superman HPV, onde fornece suporte para pacientes com câncer e defende a vacinação de crianças.

"Porque é algo que pode ser prevenido com uma vacina", diz Mendelsohn. "Como pode as pessoas não aprenderem mais sobre isso e darem aos seus filhos?"

A melhor proteção possível é obtida quando alguém é vacinado antes de se tornar sexualmente ativo e exposto ao HPV.

Programas de vacinação contra o HPV começam por volta dos 11 anos nas escolas, onde as vacinas costumam ser gratuitas. Alguns países, como os EUA, recomendam a vacinação para adultos de até 45 anos. Outros países recomendam consultar um médico para discutir as opções. Pode ser caro se o próprio paciente tiver que pagar pela vacina. Na Alemanha, por exemplo, as vacinas contra o HPV custam até cerca de 500 euros (R$ 3 mil) para quem tem 26 anos ou mais.

Mas pode valer a pena: as vacinas podem fornecer proteção mesmo após uma infecção.

No Brasil, o Ministério da Saúde oferece a vacinação gratuita contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos de idade, além de mulheres imunossuprimidas (com sistema imunológico fragilizado) de 9 a 45 anos e homens imunossuprimidos de 9 a 26 anos.

Fonte: Folha de S.Paulo



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