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Fatores de Risco do Câncer de Mama

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 01/10/2014 - Data de atualização: 20/06/2017


Um fator de risco é algo que afeta sua chance de contrair uma doença como o câncer. Diferentes tipos de câncer apresentam diferentes fatores de risco. Alguns como fumar, podem ser controlados; no entanto outros não, por exemplo, idade e histórico familiar. Embora os fatores de risco possam influenciar o desenvolvimento do câncer, a maioria não causa diretamente a doença. Algumas pessoas com vários fatores de risco nunca desenvolverão um câncer, enquanto outros, sem fatores de risco conhecidos poderão fazê-lo.

Ter um fator de risco ou mesmo vários, não significa que você vai ter a doença. Muitas pessoas com a enfermidade podem não estar sujeitas a nenhum fator de risco conhecido. Se uma pessoa com câncer de mama tem algum fator de risco, muitas vezes é difícil saber o quanto esse fator pode ter contribuído para o desenvolvimento da doença.

O câncer de mama é em parte decorrente de uma série de fatores de risco, como:

Fatores de Risco para Câncer de Mama Não Mutáveis

  • Gênero. Ser mulher é o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de mama.

  • Idade. O risco aumenta com a idade. A maioria dos cânceres de mama são diagnosticados em mulheres acima de 55 anos.

  • Fatores Genéticos.  De 5 a 10% dos casos de câncer de mama são hereditários, o que significa que resultam diretamente de defeitos genéticos herdados de um dos pais.

  • BRCA1 e BRCA2. A causa mais comum do câncer de mama hereditário é uma mutação nos genes BRCA1 e BRCA2. Em células normais, esses genes previnem o câncer, criando proteínas que evitam que as células cresçam anormalmente. Versões mutadas desses genes não impedem o crescimento anormal, e isso pode levar ao câncer. Se você herdou uma cópia mutada de qualquer gene de um de seus pais, você tem um risco aumentado de câncer de mama. Em algumas famílias com mutações BRCA1, o risco de câncer de mama ao longo da vida chega a 80%, mas, em média, esse risco parece estar na faixa de 55% a 65%. Para as mutações BRCA2, o risco é menor, cerca de 45%. Os cânceres de mama associados a essas mutações são mais frequentemente diagnosticados em mulheres mais jovens. As mulheres com essas mutações hereditárias também têm maior risco de desenvolver outros tipos de câncer, principalmente câncer de ovário.

  • Alterações em outros Genes. Outras mutações genéticas também podem levar ao câncer de mama hereditário. Essas mutações são muito menos comuns e a maioria delas não aumenta o risco de câncer de mama tanto quanto os genes BRCA. Eles raramente são causas de câncer de mama hereditário (ATM, TP53, CHEK2, PTEN, CDH1, STK11 e PALB2).

  • Testes Genéticos. Os testes genéticos podem ser realizados para verificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 (menos comumente em outros genes, como PTEN e TP53). Embora os testes possam ser úteis em alguns casos, os prós e contras precisam ser considerados cuidadosamente. É importante entender o que o teste genético pode (ou não) dizer e pesar cuidadosamente os benefícios e riscos antes de fazer qualquer exame genético.

  • Histórico Familiar. O risco de câncer de mama é maior entre as mulheres com parentes em primeiro grau (mãe, irmã ou filha) que tiveram a doença. Nesses casos o risco da doença praticamente dobra. Ter dois parentes de primeiro grau aumenta o seu risco cerca de 3 vezes.

  • Histórico Pessoal. Uma mulher com câncer de mama tem um risco de desenvolver um novo câncer de mama. Diferente de uma recidiva. Este risco é maior para mulheres mais jovens.

  • Raça e Etnia. As mulheres brancas são ligeiramente mais propensas a desenvolver câncer de mama do que as negras. No entanto, em mulheres com menos de 45 anos, o câncer de mama é mais comum em mulheres negras.

  • Mamas Densas. Mulheres com mamas densas têm um risco 1,2 a 2 vezes maior de câncer de mama em relação as mulheres com densidade média de mama. Uma série de fatores pode afetar a densidade da mama, como idade, estado menopausal, uso de medicamentos, gravidez e genética.

  • Doenças Benignas da Mama. Mulheres diagnosticadas com determinadas condições benignas da mama podem ter um risco aumentado de câncer de mama. Essas doenças benignas são classificadas em 3 grupos gerais, de acordo com o risco.

  • Lesões Não-Proliferativas. Não estão associadas ao crescimento excessivo do tecido mamário e não parecem afetar o risco de câncer de mama, incluem fibrose e/ou cistos simples, hiperplasia, adenose, ectasia ductal, tumor filoide, papiloma único, necrose, fibrose periductal, metaplasia escamosa e apócrina, calcificações, tumores benignos, como lipoma, hamartoma, hemangioma, neurofibroma e adenomioepitelioma.

  • Lesões Proliferativas sem Atipia. Estas condições mostram o crescimento excessivo das células dos ductos ou lobos e incluem hiperplasia ductal, fibroadenoma, adenose esclerosante, papilomatose e cicatriz radial.

  • Lesões Proliferativas com Atipia. Nestas condições, existe um crescimento excessivo das células dos ductos ou lobos, com algumas das células normais não aparecendo. Eles têm um forte efeito sobre o risco de câncer de mama, elevando-o de 3 a 5 vezes. Estes tipos de lesões incluem: hiperplasia ductal atípica e hiperplasia lobular atípica.

  • Carcinoma Lobular In Situ. As s células que se parecem com células cancerosas crescendo nos lobos das glândulas produtoras de leite. As mulheres com carcinoma lobular in situ têm um risco aumentado de desenvolver câncer em qualquer uma das mamas.

  • Menarca antes dos 12 anos. As mulheres que tiveram mais ciclos menstruais porque tiveram menarca precoce (antes dos 12 anos) têm um risco ligeiramente aumentado de câncer de mama. O aumento do risco pode ser devido a uma exposição mais longa a hormônios femininos. 


  • Menopausa após os 55 anos. As mulheres que tiveram mais ciclos menstruais porque tiveram a menopausa mais tarde (após os 55 anos) têm um risco ligeiramente aumentado de câncer de mama. O aumento do risco pode ser devido a uma exposição prolongada aos hormônios femininos.

  • Radioterapia Prévia do Tórax. As mulheres que fizeram radioterapia na região do tórax para outro tipo de câncer (Linfoma de Hodgkin ou Linfoma não Hodgkin) têm um risco significativamente aumentado de câncer de mama. Esse risco varia com a idade que a mulher tinha quando fez a radioterapia prévia. Se a mulher fez quimioterapia com a radioterapia, pode ter suspendido a produção de hormônio ovariano, o que diminui o risco. O risco de desenvolver o câncer de mama a partir da radioterapia do tórax é maior se a mulher tivesse feito a radioterapia durante a adolescência, quando as mamas ainda estavam em desenvolvimento. Após os 40 anos, o tratamento com radioterapia parece não aumentar o risco de câncer de mama.

  • Exposição ao Dietilestilbestrol. Mulheres grávidas que receberam dietilestilbestrol (DES) têm um risco ligeiramente maior de desenvolver câncer de mama. Mulheres cujas mães tomaram DES durante a gravidez também podem ter um risco maior de câncer de mama.

Fonte: American Cancer Society (18/08/2016)

Fatores de Risco para Câncer de Mama relacionados ao Estilo de Vida

  • Alcoolismo. O consumo de álcool está claramente associado a um aumento do risco de desenvolver câncer de mama. Esse risco aumenta com a quantidade de álcool consumida.

  • Obesidade. Estar acima do peso ou obesa após a menopausa aumenta o risco de câncer de mama. Mas a ligação entre o peso e o risco da doença é complexa. Por exemplo, o risco parece ser maior em mulheres que ganharam peso na idade adulta, e não para aquelas que sempre estiveram acima do peso desde a infância.

  • Atividade Física. Crescem as evidências de que a atividade física na forma de exercício reduz o risco de câncer de mama. A principal questão é a qual quantidade de exercício necessário!

  • Ter filhos. As mulheres que não tiveram filhos ou que tiveram o primeiro filho após os 30 anos têm um risco aumentado de câncer de mama. Ter muitas gestações e engravidar jovem reduz o risco de câncer de mama. Entretanto, o efeito da gravidez é diferente para diferentes tipos de câncer de mama. Para o câncer de mama triplo negativo, a gravidez parece aumentar o risco.

  • Controle da Natalidade com Anticoncepcionais. O uso de pílulas anticoncepcionais aumenta o risco de câncer de mama em relação as mulheres que nunca usaram. Esse risco volta ao normal após a interrupção do uso dos contraceptivos. Mulheres que pararam de usar os anticoncepcionais há mais de 10 anos não parecem ter qualquer aumento no risco.

  • Controle da Natalidade com Injeção Depo-Provera. É uma forma injetável de progesterona administrada trimestralmente para o controle da natalidade. Alguns estudos analisaram o efeito dessa medicação sobre o risco de câncer de mama. Atualmente, as mulheres usando esse anticoncepcional parecem ter um aumento no risco de câncer de mama, mas esse risco diminui após 5 anos que a mulher parou de usar.

  • Controle da Natalidade com DIU. Essa forma de controle de natalidade também usa hormônios que podem aumentar o risco de câncer de mama. Alguns estudos mostraram uma ligação entre o uso do DIU que libera hormônio e o risco de câncer de mama.

  • Reposição Hormonal após a Menopausa. A terapia hormonal com estrogênio, muitas vezes combinada com progesterona, tem sido usada por muitos anos para aliviar os sintomas da menopausa e prevenir a osteoporose. Existem dois tipos principais de terapia hormonal. Para mulheres que ainda têm útero, geralmente é prescrito estrogênio e progesterona (terapia hormonal combinada). A progesterona é necessária porque o estrogênio sozinho pode aumentar o risco do câncer de colo do útero. Para mulheres que já fizeram histerectomia pode ser usado apenas o estrogênio. Isso é conhecido como terapia de reposição de estrogênio ou apenas terapia de estrogênio.

  • Terapia Hormonal Combinada. O uso da terapia hormonal combinada após a menopausa aumenta o risco de câncer de mama. Esse aumento no risco pode ser observado apenas após 2 anos de uso. Também aumenta a probabilidade de que o câncer seja diagnosticado em estágio avançado.

  • Terapia Hormonal Bioidêntica. O termo bioidêntico é, às vezes, utilizado para descrever versões produzidas de estrogênio e progesterona com a mesma estrutura química que as encontradas naturalmente nas pessoas. O uso desses hormônios foi comercializado como uma maneira segura de tratar os sintomas da menopausa. Entretanto ainda não existem estudos comparando a segurança e eficácia dos hormônios bioidênticos ou naturais com as versões sintéticas desses hormônios. São necessários mais estudos para confirmação científica.

  • Terapia de Estrogênio. O uso de estrogênio isolado após a menopausa não parece aumentar o risco de câncer de mama. Mas, quando utilizado a longo prazo (mais de 10 anos), alguns estudos mostraram um aumento no risco de câncer de ovário e câncer de mama. Atualmente, existem poucas razões para usar a terapia hormonal pós-menopausa, além de possivelmente o alívio a curto prazo dos sintomas da menopausa. A terapia de estrogênio não parece aumentar o risco de câncer de mama, mas aumenta o risco de acidente vascular cerebral.

  • Amamentação. Alguns estudos sugerem que a amamentação pode diminuir o risco de câncer de mama, principalmente se for continuada por 1 a 2 anos.

Fonte: American Cancer Society (18/08/2016)

Fatores de Risco para Câncer de Mama Pouco Claros

  • Dieta e Vitaminas. Muitos estudos têm procurado uma ligação entre o que as mulheres comem e o risco de câncer de mama, mas os resultados ainda são conflitantes. Alguns estudos indicam que a dieta pode desempenhar um papel importante, enquanto outros não encontraram nenhuma evidência de que a dieta influencia o risco de câncer de mama.

  • Produtos Químicos. Algumas pesquisas relatam possíveis influências ambientais sobre o risco de câncer de mama. Mas, até o momento não existe uma relação clara entre o risco de câncer de mama e a exposição a determinadas substâncias químicas.

  • Tabagismo. As evidências sobre a relação do tabagismo e o câncer de mama ainda não são claras.

  • Trabalho Noturno. Alguns estudos sugerem que as mulheres que trabalham à noite, podem ter um risco aumentado de desenvolver câncer de mama. Esta é uma descoberta relativamente recente, e mais estudos são necessários para comprovar essa questão. Alguns pesquisadores acreditam que o efeito pode ser devido a mudanças nos níveis de melatonina, hormônio cuja produção é afetada pela exposição do corpo à luz, mas outros hormônios também estão sendo estudados.

Fonte: American Cancer Society (18/08/2016)

Fatores de Risco para Câncer de Mama Controversos

  • Desodorante. Rumores na internet sugerem que os produtos químicos em desodorantes interferem na circulação da linfa, provocando toxinas que se acumulam no mama, e, eventualmente, levam ao câncer de mama. Com base nas evidências disponíveis, existe pouca ou nenhuma razão para se acreditar nesse risco.

  • Sutiã. Rumores na internet sugerem que os sutiãs provocam câncer de mama, obstruindo o fluxo de linfa. Não existe base científica ou clínica para essa afirmação.

  • Aborto Induzido. Vários estudos mostraram que os nem os abortos induzidos e nem os abortos espontâneos apresentaram qualquer efeito sobre o risco de câncer de mama.

  • Implantes Mamários. Alguns estudos mostram que os implantes mamários não aumentam o risco de câncer de mama, apesar dos implantes de silicone poderem provocar cicatrizes no tecido. Os implantes tornam mais difícil a visualização do tecido mamário com mamografias convencionais.

Fonte: American Cancer Society (24/03/2017)


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