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Biópsia revela que câncer de Bruno Covas persiste, e prefeito passará por imunoterapia

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 02/03/2020 - Data de atualização: 02/03/2020


Os resultados da biópsia dos linfonodos localizados ao lado do estômago do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), 39 anos, apontaram que o câncer não desapareceu após a quimioterapia e que ele precisará continuar o tratamento com sessões de imunoterapia. O diagnóstico foi anunciado nesta quinta-feira (27) pelos médicos que cuidam do prefeito no hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista, região central de São Paulo.

Na semana passada, os médicos disseram que o prefeito teve reação excepcional à quimioterapia, e que o tumor na região do estômago e a metástase no fígado haviam desaparecido nos exames médicos. Restava apenas a biópsia dos linfonodos, que diria se existiam ou não células tumorais no local, que está aumentado em relação ao tamanho normal. Como o resultado foi positivo, os médicos recomendaram a imunoterapia.

O infectologista David Uip, que encabeça a equipe que trata do prefeito, afirmou que a terapia a que ele se submeteu até agora foi extremamente eficiente, mas não foi suficiente.

A imunoterapia é um dos tratamentos mais recentes aplicados ao câncer. O oncologista Artur Katz explica que quando existe um tumor, o sistema imune deveria atacá-lo, mas que o tumor coloca-o em uma espécie de transe. As drogas da imunoterapia buscam romper esse transe e fazer com que o sistema ataque o câncer. Os efeitos adversos são incomuns, diz Katz, mas podem envolver excesso ou diminuição da atividade da tireoide e alguma sensação de fadiga. Com seu sistema imunológico reforçado, o prefeito foi liberado pelos médicos para retomar suas atividades públicas paulatinamente.

A imunoterapia é realizada a cada três semanas e, segundo os médicos, deverá ser aplicada em Covas durante seis meses, ou seja, até agosto, com exames realizados a cada dois meses. Depois disso, a junta médica voltará a tomar uma decisão sobre o tratamento do prefeito, e uma cirurgia não está descartada.

Diferentemente da quimioterapia, que durava 36 horas, as sessões de imunoterapia deverão durar cerca de meia hora e não exigirão que o prefeito se interne no hospital para recebê-las.

Os médicos disseram que Covas não precisará se submeter a mais quimioterapia. Ele passou por oito sessões com 100% da dose, ou seja, não precisou diminuir a medicação devido a reações físicas adversas, o que é comum em casos similares. 

Os exames de ressonância, PET-scan (tomografia por emissão de pósitrons) e endoscopia feitos na semana passada não identificaram células tumorais na transição entre esôfago e estômago (ponto de origem do câncer) nem no fígado de Covas. Como a biópsia mostrou anormalidades nos linfonodos, os médicos afirmam que é possível que exista ainda algo da doença também nesses locais e que não tenha sido identificado devido aos limites dos exames de imagem. De toda forma, segundo eles, isso não teria importância, já que as drogas da imunoterapia vão agir no corpo como um todo.

O câncer do prefeito foi descoberto no final do ano passado. Em 23 de outubro, Covas foi internado no Sírio-Libanês para tratar de uma infecção de pele na perna direita. Dias depois, uma trombose foi constatada no mesmo membro. No dia 28, Covas recebeu diagnóstico de câncer. O adenocarcinoma de Covas foi localizado inicialmente em um esfíncter na junção entre o esôfago e estômago --chamado cárdia--, e foram identificadas lesões no fígado e nos linfonodos ao lado do estômago.

Covas passou por oito sessões de quimioterapia desde o final de outubro, tendo realizado a última delas entre os dias 5 e 6 de fevereiro.  O prefeito manteve sua agenda de compromissos durante todo o tratamento quimioterápico, tendo feito numerosas reuniões dentro do próprio hospital nos dias em que se internou para receber as doses do medicamento.

No início, Covas brincava que parecia que estava recebendo placebo e que não estava sentindo efeitos negativos. Nas últimas sessões, no entanto, o tucano passou mal e diminuiu o ritmo intenso que vinha imprimindo ao trabalho. 

No dia 9 de dezembro de 2019, a equipe médica informou que o tumor e as lesões haviam diminuído consideravelmente. Na ocasião, os médicos comemoraram a resposta considerada ideal que o corpo do prefeito apresentava ao tratamento. Dois dias depois, no entanto, Covas foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com sangramento no fígado.  Os ferimentos aconteceram durante instalação de clipes no fígado de Covas para a demarcação da área de ação da metástase e o acompanhamento de suas reações ao longo do tratamento. No dia 13, o prefeito deixou a UTI, mas continuou em observação até o dia 18.

Caso Covas precise se licenciar do cargo depois de abril, seus aliados já construíram um plano segundo o qual o vereador Celso Jatene (PL), ex-secretário de Esporte do petista Fernando Haddad, irá se tornar chefe do Executivo paulistano provisoriamente, conforme revelado pela Folha.

Como Covas assumiu a prefeitura com a saída de João Doria para o governo do Estado, não há atualmente um vice-prefeito. O primeiro na linha sucessória é o presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB), e o segundo, Milton Leite (DEM), vice-presidente da Câmara.

No entanto, caso eles ocupem o cargo depois de abril, não poderão disputar a reeleição como vereadores. O motivo está na Constituição. O artigo 14 determina que presidente, governadores e prefeitos podem disputar uma vez a reeleição e, para concorrer a outro cargo, precisam renunciar até seis meses antes do pleito.  Dessa forma, mesmo que ocupassem a vaga de Covas por apenas um dia, Tuma e Leite não poderiam disputar cargos no Legislativo em outubro.

Para evitar que isso aconteça, o terceiro na linha sucessória, Celso Jatene, que decidiu não disputar a reeleição, ficará na função, caso necessário. Ele foi eleito segundo vice-presidente da Câmara em dezembro do ano passado. Para que isso aconteça, Tuma e Leite terão que tirar licenças de seus cargos pelo mesmo período que o prefeito.

Fonte: GaúchaZH



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