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7 em cada 10 doentes de câncer não sabem que têm a doença, porque não fazem exames

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 08/06/2020 - Data de atualização: 08/06/2020


Você com certeza está há pelo menos dois meses muito atento a sintomas de resfriado, como dor de garganta, congestionamento nasal, tosse, dores no corpo, falta de ar, de paladar e de olfato – todos característicos de Covid-19. Há muita informação sobre essa doença que espalhou pânico pelo mundo todo. Mas pouca atenção a todas as outras.

É o que os médicos vêm dizendo insistentemente nas últimas semanas, depois de constatarem a redução preocupante na busca por diagnósticos, consultas e exames. Então te pergunto: você está atento a outros sintomas característicos de doenças conhecidas e das quais pouco se têm falado durante a pandemia de Covid-19?

Nódulos, manchas, machucados que não cicatrizam, sangramentos incomuns são alguns dos sinais de problemas de saúde que não se curam com aspirina, chá ou remédios caseiros e podem se agravar caso não haja diagnóstico e tratamento precoce. Não à toa os médicos têm feito esse alerta importante nas últimas semanas. Eles já constataram que há algo muito mais grave do que a pandemia já acontecendo no Brasil e no mundo.

Atenção a sinais de câncer e problemas cardíacos

De cada 10 novos doentes de câncer, 7 não estão procurando o médico, não fazem exames, nem começam tratamentos, por isso a doença vai se agravar. Quando a pessoa se der conta, talvez não haja mais tempo de tratar.

Por medo de sair de casa e contrair coronavírus, que é assintomático em cerca de 80% dos casos (ou seja, não fará mal algum a 80% dos infectados), as pessoas não estão procurando o médico quando percebem algo diferente no corpo e na saúde, mas as doenças continuam na mesma incidência de antes.

No caso do câncer, especificamente, há uma estimativa de que só este ano no Brasil surjam 625 mil novos casos. Na entrevista o Dr. Luiz Antonio Negrão Dias, do Instituto de Oncologia do Paraná, lembrou que atualmente o câncer tem cura em 65% dos casos, desde que o paciente descubra e trate logo a doença. Câncer de mama, de útero, de próstata, de pele até de outros órgãos é curável desde que identificado logo no início e a pessoa já comece o tratamento.

Problemas coronários também podem ser controlados e até curados com cirurgias, mas só um médico pode avaliar a situação e o momento certo da intervenção. No começo da pandemia um levantamento feito em Nova York revelou que o número de mortes por infarto em casa aumentou 800% no primeiro mês de isolamento social. Os médicos acreditam que isso esteja ocorrendo no mundo todo, porque as estatísticas não mudam muito de país para país.

A explicação para o aumento impressionante é simples: quem infarta tem muita chance de recuperação se correr para o hospital. Sentiu dor no peito, amortecimento no braço esquerdo ou outros sinais de algo diferente, como tonturas, visão turva, sensação de que vai desmaiar, não dá para ficar esperando. Esta é a hora de por a máscara e ir o mais rápido possível ao médico para fazer uma consulta, exames e começar a ser monitorado e tratado.

Evita-se assim sofrer uma parada cardíaca e morrer de repente em casa, aumentando a triste estatística registrada em Nova York. Atenção também para possíveis sinais de acidente vascular cerebral (AVC). Sentiu amortecimento inexplicável em alguma parte do corpo, desmaiou? Vá ao hospital.

Hipertensão não tratada, falta de acompanhamento médico de diabetes e o abandono do tratamento de tantas outras doenças crônicas também podem provocar o agravamento no estado de saúde dos pacientes a ponto de se tornarem irreversíveis.

Novas epidemias dentro da pandemia

Outro alerta médico bastante preocupante: para muita gente o próprio isolamento social e o confinamento em casa, impostos pela necessidade de se controlar o contágio de coronavírus, agravaram a situação de quem já sofria de depressão ou levaram mais gente ao terrível ciclo de tristeza, indiferença, desânimo, falta de apetite, que podem resultar em morte.

O problema é tão grave que já se fala em duas novas epidemias sendo registradas em vários países, inclusive ao Brasil: epidemia de depressão e de suicídio. Precisamos sim evitar aglomerações, sair de casa o mínimo possível para correr menos risco de contrair coronavírus, mas não podemos descuidar da saúde mental, emocional e física, porque isso pode ser muito mais perigoso que contrair Covid.

Nos consultórios de médicos, psicólogos, terapeutas, clínicas, laboratórios e hospitais os cuidados com higienização e ventilação dos ambientes foram redobrados e o uso de máscara e outros equipamentos de segurança individual passaram a ser obrigatórios. Sair de casa para fazer uma consulta ou um exame não significa que a gente vá se contaminar, desde que tenhamos, claro, os cuidados já divulgados de também usar máscara, álcool em gel, evitar ficar próximo a outras pessoas e manter o distanciamento mínimo de 1,5 m.

Não escrevo esse texto para apavorar ninguém, longe disso! Não sou adepta do pânico como foram de alertar para o perigo. Apenas me senti na obrigação de reforçar os avisos que o Dr. Luiz Antonio Negrão Dias trouxe para quem acompanhou a entrevista ao vivo na segunda-feira (1).

Não é porque estamos no meio de uma pandemia de Covid, que outras doenças sumiram do mapa. Sentiu dor, algum incômodo, desconforto, dificuldade na hora de ir ao banheiro, expeliu sangue ou identificou qualquer outro sintoma que não tinha antes, não espere para ver se passa sozinho. Procure um posto de saúde, um médico, cuide-se, faça seus exames preventivos.

Todo mundo tem dias piores, de mais desânimo, saudades da vida que tinha antes, das pessoas que agora não pode ver, mas tudo isso vai passar e se a gente não chegar com saúde ao fim da pandemia, vai ser muito difícil curtir a alegria geral que, imagino, virá com a retomada à rotina.

Se estiver triste ou conhecer alguém que está, procure ajuda. Há serviços de psicologia online gratuitos, o conhecido trabalho dos voluntários do CVV (Centro de Valorização da Vida) e médicos, psicólogos, terapeutas, uma infinidade de especialistas prontos para nos atender.

Fonte: Gazeta do Povo

As opiniões contidas nas matérias divulgadas refletem unicamente a opinião do veículo, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.



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