Painel de Políticas Públicas do Câncer

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Organização Mundial da Saúde lança relatório global sobre câncer

Desigualdades Sociais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o Global Status Report on Cancer 2026, documento que apresenta um panorama atualizado da carga global do câncer e da capacidade dos sistemas de saúde para responder à doença. O relatório reúne dados sobre incidência, mortalidade, acesso ao diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos, além de avaliar a implementação de políticas públicas voltadas ao controle do câncer.

Segundo a OMS, o câncer afetará uma em cada cinco pessoas ao longo da vida. Em 2024, foram registrados 20,6 milhões de novos casos no mundo, e a estimativa é que esse número alcance 35 milhões de diagnósticos anuais até 2050. Considerando também familiares e cuidadores, cerca de 92% da população mundial será impactada pelo câncer em algum momento da vida.

Embora o câncer tenha alcance quase universal, seus impactos permanecem profundamente desiguais, estando apenas 12 países atualmente no caminho para cumprir a meta de reduzir em um terço a mortalidade prematura por câncer até 2030. Por exemplo, em relação ao câncer de mama, enquanto países de alta renda registram taxas de sobrevida superiores a 85%, em países de baixa renda esse percentual pode ficar abaixo de 45%. 

O relatório também destaca os efeitos humanos, sociais e econômicos da doença. Mais da metade das pessoas entrevistadas em pesquisa conduzida pela OMS relatou impactos importantes na saúde mental após o diagnóstico, enquanto cerca de metade das famílias enfrenta dificuldades financeiras significativas ou gastos extremos relacionados ao tratamento. Além disso, cuidadores frequentemente relatam sobrecarga, isolamento social e perda de renda.


O que avançou - e o que ainda falta implementar

A OMS reconhece avanços importantes em políticas de prevenção e controle do câncer nos últimos anos. Entre eles, destaca-se a redução global de aproximadamente 27% no consumo de tabaco desde 2010 e a ampliação da vacinação contra o HPV, hoje incorporada aos programas nacionais de imunização de 85% dos países.

Entretanto, o relatório ressalta que esses avanços ainda não se traduzem, de forma consistente, em melhores resultados para a população. Embora a vacinação contra HPV esteja prevista na maioria dos programas nacionais, apenas 31% das meninas receberam a primeira dose da vacina. Da mesma forma, apenas 28% dos países incluem um pacote mínimo de atenção oncológica em seus sistemas de cobertura universal em saúde.

Ao longo de toda a linha de cuidado, permanecem importantes lacunas de implementação, incluindo prevenção, diagnóstico precoce, rastreamento, acesso à cirurgia, radioterapia, medicamentos, cuidados paliativos, reabilitação e acompanhamento após o tratamento. Em muitos países de baixa e média renda, limitações de infraestrutura, escassez de profissionais especializados e financiamento insuficiente comprometem o acesso oportuno ao tratamento.


O principal desafio: implementar o que já se sabe

Um dos principais recados do relatório é que os instrumentos, diretrizes e evidências necessárias para reduzir a carga da doença já existem. O desafio está em transformar políticas e planos em ações efetivamente implementadas. 

Nesse contexto, o documento defende que os países fortaleçam seus sistemas de saúde, integrem o controle do câncer às estratégias de cobertura universal e orientem investimentos para intervenções com maior impacto comprovado, especialmente em países de baixa e média renda.

Além disso, a OMS ressalta a importância de incluir pacientes e cuidadores nos processos de tomada de decisão, fortalecer registros populacionais de câncer e alinhar pesquisa e inovação às necessidades reais dos sistemas de saúde, e não apenas ao desenvolvimento de tecnologias de alto custo. 


Três mudanças para o futuro do controle do câncer

A OMS conclui que aproximadamente 40% dos casos de câncer poderiam ser prevenidos por meio de medidas já conhecidas e baseadas em evidências. Como proposta para acelerar os avanços, o relatório organiza suas recomendações em três eixos principais:

  • Melhores capacidades, por meio do fortalecimento dos sistemas de saúde e da oferta de uma atenção oncológica abrangente, integrada e inserida na cobertura universal de saúde; 
  • Melhores proteções, ampliando a promoção da saúde, as proteções sociais e a participação de pessoas com experiência vivida do câncer nas decisões relacionadas à doença; 
  • Melhor valor, promovendo maior alinhamento entre pesquisa, inovação e prioridades da saúde pública, com foco em soluções equitativas e nas necessidades dos sistemas de saúde, especialmente dos países de baixa e média renda. 


Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia.

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