Painel de Políticas Públicas do Câncer

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Falta de ciclofosfamida: saiba as medidas do Ministério da Saúde

Políticas Públicas Relacionadas ao Câncer

O Instituto Oncoguia, no seu papel de defesa dos direitos dos pacientes, acompanha de perto a situação do desabastecimento da Ciclofosfamida (Genuxal®). Este é um quimioterápico essencial para o tratamento de diversos tipos de câncer (como mama, pulmão, sarcomas e tumores cerebrais), doenças do sangue e condições autoimunes. De acordo com a bula do medicamento, ele atua impedindo a multiplicação das células doentes.

Recentemente, a fabricante Baxter comunicou a interrupção temporária na produção da ciclofosfamida (Genuxal®) endovenosa (aplicada na veia), com previsão de normalização apenas para julho de 2026. Para garantir que ninguém fique desassistido, o Ministério da Saúde (MS) e as principais sociedades médicas estabeleceram uma força-tarefa de monitoramento e orientações técnicas.

Posicionamento e Alertas da ABHH
A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) enviou um ofício ao Ministério da Saúde manifestando grande preocupação com o risco assistencial. A associação destaca:

  • Transplantes em risco: o fármaco é indispensável em regimes de condicionamento para o Transplante de Medula Óssea (TMO).

  • Doenças do Sangue: a falta impacta diretamente o tratamento de doenças onco-hematológicas graves.

  • Mobilização: a ABHH, junto à Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBTMO), solicita medidas como importação excepcional e gestão estratégica de estoques para priorizar casos onde não há substitutos simples.

Orientações para o Tratamento (SBOC e ABHH)

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a ABHH publicaram recomendações técnicas para que os oncologistas possam adaptar os tratamentos sem prejuízo à saúde do paciente:

  • Substituição pela via oral: a ciclofosfamida em comprimidos (drágeas de 50 mg) continua disponível e pode substituir a versão na veia em diversos protocolos (como no câncer de mama).

  • Troca de protocolos: em alguns casos, o médico poderá optar por outras combinações de quimioterapia ou inverter etapas do tratamento, conforme evidências científicas de não inferioridade.

  • Priorização: garantir o estoque para casos críticos onde a substituição é mais complexa, como transplantes de medula óssea, oncologia pediátrica e sarcomas.

Ações Estratégicas do Ministério da Saúde (MS)
O Governo Federal iniciou a distribuição emergencial do medicamento para todo o país. As principais medidas incluem:

  • Compra Internacional: aquisição de 140 mil unidades do remédio via Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

  • Distribuição de Emergência: os primeiros lotes importados já começaram a ser entregues em centros de referência, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

  • Prioridade na Anvisa: análise prioritária para a liberação de medicamentos importados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O que o paciente deve fazer?
Se você utiliza este medicamento em seu protocolo, o Oncoguia recomenda:

  1. Converse com seu médico: pergunte como as recomendações da SBOC e da ABHH se aplicam ao seu caso e se o seu protocolo será ajustado.

  2. Não interrompa o tratamento: o tratamento não deve ser parado. Seu médico está preparado para realizar os ajustes necessários com base nas diretrizes científicas atuais.

  3. Informe o Oncoguia: caso encontre dificuldades graves de acesso ou falta de clareza no seu hospital, entre em contato com nosso canal de apoio ao paciente.

Confira os posicionamentos completos das Sociedades Médicas:

O Oncoguia continuará monitorando a chegada dos lotes internacionais e a regularização do mercado para garantir que o direito ao tratamento em tempo oportuno seja respeitado.

Conteúdo produzido pela equipe Oncoguia
 

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