Quase metade dos brasileiros desconhece o câncer de mama metastático

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 25/06/2015 - Data de atualização: 25/06/2015

Gaúcha de Novo Hamburgo, a técnica de enfermagem Maria de Fátima Camargo Vieira, 42 anos, tem um desejo que parece simples: ela quer viver. A carioca Deise Vilela, 32 anos, sonha em se tornar mãe. Assim como elas, a maioria das pacientes que enfrenta um câncer reincidente não encara o diagnóstico como uma sentença de morte.

E você, o que faria se tivesse mais tempo de vida? Ao questionar a ideia de viver mais, e com qualidade, uma campanha lançada na manhã desta quarta-feira, no Masp, em São Paulo, quer ampliar o debate sobre câncer de mama metastático.

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer apontam 57 mil novos casos de tumores malignos na mama em 2015. Hoje, sabe-se que aproximadamente 50% das pacientes atendidas pelo sistema público de saúde no Brasil descobrem o câncer em estágio metastático, quando não há cura.

Para informar a população sobre os mitos relacionados ao tratamento da doença, uma campanha foi lançada ontem em São Paulo pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), pelo Instituto Oncoguia e pelo Laboratório Roche – o objetivo é perguntar às pessoas o que elas fariam se tivessem mais tempo de vida. A mobilização surgiu a partir dos resultados de uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Datafolha sobre a impressão da sociedade em relação à doença. No país, a maioria dos brasileiros desconhece que a principal causa de morte no país são doenças cardíaca – 60% pensa que é o câncer.

De acordo com Maira Caleffi, presidente da Femama e chefe do serviço de mastologia do Hospital Moinhos de Vento, ainda há muita disparidade entre os tratamentos no sistema público e privado. Enquanto os convênios possibilitam mais tecnologias de ponta, no Sistema Único de Saúde o acesso a tratamentos específicos ainda é demorado, o que dificulta a sobrevida das pacientes.

– A questão principal ainda é preço dos medicamentos. As pessoas precisam das drogas, mas o SUS não incorpora. Por isso, governo e indústria farmacêutica devem andar juntos para viabilizar melhores tratamentos – afirma.

Entre as metástases mais recorrentes estão pulmão, ossos, fígado e cérebro. Maira acrescenta que, atualmente, uma paciente com metástase pode viver por anos, e não encarar a notícia como uma sentença de morte. Ela acrescenta ainda que é preciso disseminar informações sobre direitos de quem vive com a doença, tais como aposentadoria e medicação gratuita.

Otimista, a oncologista do Hospital Moinhos de Vento Daniela Dornelles Rosa aposta que ganhar tempo de vida significa também ganhar esperança para que novas soluções apareçam – já que o câncer de mama é uma das doenças mais estudadas no mundo:

– Quanto mais específico for o tratamento, maiores são as chances de viver com qualidade – afirma Daniela.

Luciana Holtz, fundadora da Oncoguia, diz que o câncer de mama já teve conquistas nos últimos anos, mas os desafios persistem, principalmente o da detecção precoce:

— Muitas mulheres chegam no médico em estágio avançado. Faltam a elas informação e as armas adequadas para combater esses tumores. É uma doença que está próxima de se tornar crônica. Precisamos garantir acesso aos tratamentos, pois acesso é tempo, e tempo é vida.

Ruffo de Freitas Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, recorda que mulheres que tiveram o câncer de mama na década de 70 faleceram com menos de 30 meses. Hoje, há possibilidade é de viver até cinco anos para uma em cada três mulheres. Junior acrescenta que uma em cada duas viverá cinco anos ou mais se tiver acesso a tratamentos adequados.

A campanha quer ampliar o debate e mobilizar toda a sociedade a ajudar as mulheres com câncer de mama metastático a viver mais. Uma petição solicita ao Ministério da Saúde a incorporação de tratamentos mais adequados para as pacientes com câncer de mama metastático. A petição está disponível no link.

Matéria publicada no:

  • Zero Hora em 17/06/2015.
  • A Notícia Online em 17/06/2015
  • Diário Gaúcho Online em 17/06/2015
  • Jornal da Santa Catarina em 17/06/2015
  • Portal SIS Sáude em 17/06/2015





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