Pesquisa mostra que 50% das mulheres esperam 4 meses por diagnóstico de câncer de mama no Rio

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 03/06/2016 - Data de atualização: 03/06/2016

Quatro meses. Esse é o tempo médio de espera entre a marcação da primeira consulta e o retorno ao especialista com o resultado do exame que detecta o câncer de mama, segundo o relato de metade das mulheres ouvidas numa pesquisa realizada no estado do Rio. Para 50% das 240 pacientes em tratamento ou em fase de diagnóstico atendidas pelo SUS e entrevistadas pelo Data Folha entre os dias 2 e 10 de maio, esses 120 dias foram da mais cruel angústia. Na pesquisa, encomendada pela Fundação Laço Rosa, há relatos de mulheres que aguardaram nove meses por uma chance de lutar pela vida.

Os dados não deixam dúvidas: a lei federal que determina o início do tratamento do câncer em até 60 dias após o diagnóstico não passa hoje de um tratado de boas intenções.

A pesquisa foi apresentada, nesta terça-feira, no Fórum de Políticas Públicas para o Câncer de Mama. O evento reuniu gestores, associações médicas, parlamentares e pacientes em torno das discussões sobre os entraves para diagnóstico e tratamento no estado do Rio.

Fórum em Brasília debate projetos e gargalos na assistência

O tema, a nível nacional, também foi debatido durante o 6º Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia, que aconteceu nos dias 18 e 19 de maio, em Brasília. No evento, projetos de lei como o que determina o prazo de 30 dias para a realização de exames de diagnóstico de câncer no SUS mereceram destaque.

— Temos consciência de que a lei dos 60 dias não é uma realidade. E esse projeto dos 30 dias para diagnóstico é polêmico, mas pode ser um caminho. É muito angustiante quando você já sabe que alguma coisa de errada está acontecendo e não é informado sobre os próximos passos do processo. Apenas pedem que a pessoa fique em casa esperando por um telefonema — disse Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia. — Pedimos mais transparência.

O resultado é que 60,5% dos casos de câncer no Brasil são diagnosticados em estágio avançado. Como consequência: o paciente tem a chance de cura e o tempo de sobrevida reduzidos. Além disso, um tratamento realizado tardiamente pode trazer prejuízos à qualidade de vida dos pacientes durante os tratamentos e elevar os custos da saúde para o país.

— Estamos diariamente numa corrida contra o tempo. O tempo perdido não volta e isso vai ser determinante nas possibilidades de tratamento daquela pessoa — ressaltou Luciana, na abertura do evento, que reuniu em Brasília representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, do Ministério Público Federal, sociedades médicas, entidades que representam hospitais, ONGs de apoio a pacientes e indústria farmacêutica.

No evento, foi sugerido ainda a adoção de um projeto semelhante ao aplicativo Waze, de navegação por GPS, que informaria ao paciente o caminho que ele deve percorrer no SUS para ter acesso ao diagnóstico e ao tratamento e sua posição nas filas de espera.

O oncologista Rafael Kaliks, diretor científico do Instituto Oncoguia, ressaltou que o câncer é hoje a segunda causa de morte no Brasil, perdendo apenas para doenças cardiovasculares:

— O motivo pelo qual o câncer é fatal decorre de dois motivos principais. O primeiro é a demora no diagnóstico, uma vez que a maiora dos cânceres são curáveis quando detectados numa fase precoce. E o segundo é uma deficiência nas modalidades de tratamento que conseguimos oferecer aos pacientes, já que um tratamento ideal consegue recuperar pelo menos parte do terreno perdido por conta da demora no diagnóstico.

Segundo Kaliks, o tratamento do câncer está se sotisficando de maneira bastante significativa e isso determina que, ao diagnóstico, sejam necessários não só uma biópsia, mas às vezes testes genéticos sofisticados, que vão permitir saber com exatidão qual terapia será melhor para determinado paciente.

— Em função dessas novas terapias, o diagnóstico precisa ser muito mais específico para permitir que o oncologista clínico trate da melhor forma possível — afirmou ele. — As deficiências são várias, tanto no que diz respeito ao acesso aos testes de diagnóstico, passando pelo acesso à radioterapia, à cirurgia oncológica e tratamentos sistêmicos diversos, como quimioterapia e imunoterapia. Existe uma diferença monumental entre o que é oferecido na saúde pública e na saúde suplementar (planos de saúde).

Matéria publicada no Extra, em 03/06/2016.





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