Pacientes com câncer relatam cancelamento de consultas e cirurgias em SP

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 29/04/2020 - Data de atualização: 29/04/2020

Pacientes com câncer de hospitais públicos relatam que consultas, tratamento e cirurgias foram canceladas durante a quarentena da cidade de São Paulo. Ao todo, na capital paulista, são 35 mil casos da doença -- 5% de todo o país.

Desde 2013, uma lei federal garante que o tratamento contra o câncer comece em até 60 dias após o diagnóstico. Ana Cristina Rodrigues de Lima tem tido dificuldades para que esta lei seja respeitada.

Ela descobriu um câncer no rim esquerdo no início do mês de maio e não consegue começar o tratamento. Ela tinha uma consulta marcada para às 11h40 do dia 18 de março no Hospital do Ipiranga, mas a consulta foi desmarcada na véspera.

"Eles alegaram que iam fechar o ambulatório devido ao Covid-19 e que não iriam mais dar atendimento à oncologia", explica a paciente.

No atendimento particular, Ana Cristina foi informada que o caso é urgente e que o rim deve ser retirado. Ela continua em contato com o hospital para tentar agendar consultas, mas a orientação é que voltasse a ligar em setembro.

"Eu falei para ela [atendente]: 'nossa, mas até setembro eu já morri! A gente está passando mal'. E ela respondeu: 'Vai pra casa. De qualquer forma, você vai morrer, de câncer ou de Covid, então você pode ir pra casa.'”

Maria Madalena da Silveira também está com dificuldades para tratar da doença. Ela tem um tumor na região lombar e o tratamento foi interrompido. A Quimioterapia estava marcada para o dia 30 de março, foi adiada para o dia 22 de abril e depois cancelada.

Há quase dois anos, Maria Madalena trata o linfoma no Hospital Pérola Byington. Segundo ela, precisa fazer as sessões de quimioterapia durante 21 dias e pausar durante uma semana. O tratamento estava acontecendo até o início da pandemia do novo coronavírus.

"Falam que o remédio não chegou, não chegou. Eu pergunto quando vai chegar e dizem que é sem previsão. E a gente fica assim, sem rumo, um pouco sem rumo. Só eu falando por mim, mas é coletivo. Por mim e pelas outras meninas que tratam lá. Não é pouca, não. É muita pessoa que trata lá. Várias estão sem esse remédio."

"Eu me sinto invisível, porque eu preciso desse remédio. Se eu não tomar esse remédio, eu não sei o que pode acontecer, não quero nem falar o que vai acontecer comigo", afirma Maria Madalena.

Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, afirma que, de acordo com a pesquisa da ONG, pelo menos 45% dos pacientes com câncer relatam problemas com o tratamento.

"A gente já viu: cirurgia oncológica cancelada, não é uma cirurgia eletiva. [Cancelamentos de] quimioterapia, radioterapia e algumas consultas que são de retorno de exames, que muitas vezes servem para você fazer uma avaliação relacionada ao tratamento."

Em nota, a Secretaria do Estado da Saúde afirmou que os atendimentos oncológicos estão mantidos normalmente em todas as unidades de saúde.

Matéria publicada pelo portal do G1 em 28/04/2020. Por Carol Ianelli e Paulo Gomes.






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